Atirou tinta verde a Montenegro há um ano. Agora vai ter de pagar 1.600 euros

Agência Lusa , MJC (atualizado às 19:02)
27 mar, 16:22
Luís Montenegro, presidente do PSD e representante da Aliança Democrática, atingido com tinta verde da Bolsa de Turismo de Lisboa - BTL (LUSA/André Kosters)

A ação de alerta para a causa climática aconteceu em 28 de fevereiro de 2024, na FIL, em Lisboa, durante a campanha eleitoral para as Legislativas

O ativista climático que, em 2024, atingiu com tinta verde Luís Montenegro foi condenado a pagar uma multa de 1600 euros, por ter estragado a roupa do então candidato a primeiro-ministro e de uma fotógrafa do CDS.

O Tribunal Local de Pequena Criminalidade de Lisboa considerou o estudante universitário, de 19 anos, culpado de dois crimes de dano e absolveu-o de um outro, relacionado com o vestuário do polícia que, na altura, o agarrou para o deter.

Vicente Fernandes, ativista da Greve Climática Estudantil, fica ainda obrigado em indemnizar em 958 euros o atual primeiro-ministro e em 527, mais juros de mora, a fotógrafa do CDS.

A ação de alerta para a causa climática aconteceu em 28 de fevereiro de 2024, na FIL, em Lisboa, durante a campanha eleitoral para as Legislativas de 10 de março de 2024.

Defesa de ativista vai recorrer

A defesa do ativista climático fez entretanto saber que vai recorrer da sentença, anunciou a advogada do arguido.

"Vamos recorrer", assegurou Carmo Afonso à saída do Tribunal Local de Pequena Criminalidade de Lisboa.

A advogada adiantou que um dos motivos de recurso será a condenação por ter estragado o vestuário de Isabel Santiago.

"Não houve qualquer intenção da parte do arguido de atingir Isabel Santiago, que ele não conhecia de lado nenhum. E o arguido foi muito claro e transparente com o tribunal, no sentido de dizer que o objetivo era atingir Luís Montenegro. Atingir, não danificar-lhe o vestuário", explicou.

Carmo Afonso mostrou-se ainda surpreendida por Vicente Fernandes ter sido punido, no caso da indumentária do atual primeiro-ministro, apenas por dolo eventual (danificar sem ser esse o objetivo embora admitindo tal como possível).

"Acho que isso nos coloca numa ótima posição para o passo que vamos dar", considerou.

O mandatário de Isabel Santiago, João Pinheiro da Silva, classificou como exemplar a sentença do tribunal.

No Campus de Justiça de Lisboa, concentraram-se ainda cerca de uma dezena de pessoas em apoio ao jovem, a gritar que "lutar pelo clima não é crime".

"Estamos bastante inspirados por todo o apoio que recebemos por parte das pessoas", referiu, acrescentando que "agora podem ajudar diretamente com os custos" da multa.

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