"Sem uma agricultura forte, não temos capacidade de garantir a coesão territorial”, alerta primeiro-ministro

Agência Lusa , PP
6 jul, 15:05
Luís Montenegro (José Coelho/Lusa)

Luís Montenegro afirmou que é fundamental o país inverter o problema geracional do setor agrícola, considerando que tal é uma ameaça para a soberania alimentar nacional

O primeiro-ministro afirmou hoje que é fundamental o país inverter o problema geracional do setor agrícola, considerando que tal é uma ameaça para a soberania alimentar nacional.

“É um problema transversal a todo o setor primário. Precisamos de inverter esta trajetória que, do ponto de vista geracional, coloca em causa a sustentabilidade e a rentabilidade do setor agrícola”, disse Luís Montenegro, nas comemorações dos 75 anos da Agros, União de Cooperativas de Produtores de Leite, sediada na Póvoa de Varzim, distrito do Porto.

O governante lembrou que o setor do leite representa 9% de todo o valor agrícola, envolve 1999 milhões de euros de volume de negócios e gera mais de 648 mil empregos diretos e indiretos, mas que 60% dos produtores têm mais de 55 anos e só 11% têm menos de 34.

“A Agricultura e as Pescas, todo o nosso setor primário, são estratégicas para o futuro de Portugal. Gera-nos capacidade de autonomia alimentar, capacidade de independência do exterior e cria postos de trabalho. Sem uma agricultura forte, não temos capacidade de garantir a coesão territorial”, apontou o primeiro-ministro.

Luís Montenegro mostrou-se “chocado” com o relato feito pelo presidente da Agros, Idalino Leão, de que “há filhos de agricultores que sofrem bullying na escola” pela atividade profissional dos pais.

“Como primeiro-ministro, tenho colaborado para enaltecer e enobrecer a agricultura portuguesa e os agricultores. Não devemos olhar com desdém para os agricultores e seus descendentes, devemos olhar para eles com gratidão e sentido patriótico. Fico chocado por saber que há hostilidade do ponto de vista social sobre os que desenvolvem a sua atividade na agricultura”, completou.

Luís Montenegro notou que “nos últimos anos houve um afastamento entre a administração central e os agricultores”, mas que, ainda assim, “e apesar dos impactos negativos das regras europeias, o país conseguiu aumentar as exportações [agroalimentares]”.

“As orientações que têm sido dadas e que têm sido cumpridas é que o Ministério da Agricultura e Pescas e o Ministério do Ambiente e Energia estejam de mãos dadas. Se conseguirmos tirar esses obstáculos de burocracia, regulamentação e exigências, temos a capacidade de aumentar o valor deste setor”, vincou.

Luís Montenegro mostrou “satisfação por ver que a Europa percebeu que não pode ser 'mais papistas que o papa’ no conjunto de regras a aplicar aos agricultores".

“Não podemos ter um conjunto de regras e obrigações tão restritivas, e que encarecem tanto o produto, que gera o absurdo de tirarmos rentabilidade aos nossos agricultores e, ao mesmo tempo, enchermos as prateleiras dos supermercados de produtos de outras geografias que não aplicam as mesmas exigências que cá temos na Europa”, referiu.

O primeiro-ministro, que inaugurou um momento alusivo aos 75 anos da Agros, na sede do organismo, prometeu, por isso, “uma conjugação de esforços para simplificar procedimentos e tirar obstáculos de burocracia” para incentivar “o aumento de valor do setor”.

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