Incêndios: Montenegro cancela férias de verão

CNN Portugal , Com Lusa
15 ago 2025, 18:41
Luís Montenegro (LUSA)
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Primeiro-ministro encontrava-se de férias nos últimos cinco dias, tendo mantido agenda pública em quatro deles

O primeiro-ministro Luís Montenegro decidiu cancelar as férias que tinha previsto tirar entre esta sexta-feira e o dia 22 de agosto, anunciou fonte do gabinete do seu Executivo. A decisão foi tomada num momento em que se intensifica o combate aos vários incêndios que colocaram Portugal em situação de alerta desde 2 de agosto.

Montenegro encontrava-se de férias nos últimos cinco dias, tendo mantido agenda pública em quatro deles. Esta sexta-feira, Portugal decidiu ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil com pedido de apoio de quatro aviões Canadair de combate aos incêndios, anunciou o comandante nacional da proteção civil, Mário Silvestre.

Nas últimas semanas, têm deflagrado vários incêndios no norte e centro do país que já consumiram mais de metade dos cerca de 75 mil hectares de área ardida este ano. A situação de alerta foi prolongada até domingo, anunciou na quinta-feira a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, no final de uma visita à ANEPC.

"Perante a adversidade de 22 dias consecutivos de calor intenso não dar sinais de abrandar, o Governo vai prolongar uma vez mais a situação de alerta, até domingo", disse a ministra em declarações aos jornalistas.

Num briefing na Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, para dar conta da evolução dos incêndios que assolam o país, Mário Silvestre disse também que Portugal será o sétimo país a ativar o mecanismo europeu. As autoridades optaram inicialmente por recorrer aos acordos bilaterais de cooperação com Espanha e Marrocos, tendo este último país disponibilizado dois Canadair, que ficarão em Portugal até segunda-feira. Os meios espanhóis apoiaram nos combates aos fogos de Castelo de Vide e de Chaves, indicou.

Em declarações à imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, em Carnaxide, após uma visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, Luís Montenegro, o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, lamentou e enviou condolências à família pela morte do ex-autarca de Vila Franca do Deão Carlos Dâmaso, na sequência do combate às chamas.

“Apelo também para a serenidade e a tranquilidade que os próximos dias ainda exigem”, referiu o governante, afirmando que apenas na próxima terça-feira haverá uma “janela de oportunidade” no combate aos incêndios que assolam o país, em particular a região Centro.

“Os próximos dias ainda vão ser de grande intensidade, de grande empenho e de grande responsabilidade de todos nós, de todos os portugueses”, disse.

“Todos estamos convocados para este grande desafio, para que possamos chegar ao final deste período sem que tenhamos a lamentar mais perdas e sobretudo, para que consigamos garantir aquilo que é o mais importante: proteger as pessoas e os seus bens, porque isso é o bem maior que um governo pode garantir aos seus concidadãos”, salientou.

Questionado sobre as críticas de alguns autarcas, o secretário de Estado defendeu ainda que tem estado em contacto direto com os autarcas, assumindo essa responsabilidade enquanto membro do Governo.

"Eu não sou Presidente da República, nem primeiro-ministro, nem ministro. Sou secretário de Estado. Eu sou membro do Governo. E eu, desde a primeira hora, tenho mantido esse contacto direto com os autarcas, tentando inteirar-me de toda a situação", reiterou Rui Rocha.

Apesar de perceber que "possam querer falar com o primeiro-ministro, com o Presidente da República", o secretário de Estado pede que permitam que, "enquanto membro do Governo, assuma essa responsabilidade e garanta que tem mantido esse contacto com todos os autarcas naquilo que são um conjunto de apelos que têm vindo a fazer".

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