Na mensagem de Natal, Montenegro pediu aos portugueses que mudem de mentalidade. "As coisas não caem do céu"

25 dez 2025, 21:10

Antecipando um calendário político sem mais legislativas antecipadas, Montenegro pediu também responsabilidade à oposição. "Não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante"

Os portugueses têm de se “desprender da mentalidade do deixar andar” e de “adquirir e trabalhar a mentalidade da superação”. É esta a principal mensagem de Luís Montenegro no seu discurso ao país no dia de Natal. Citando exemplos como o de Cristiano Ronaldo, o primeiro-ministro refere que o país enfrenta uma boa “circunstância”, mas corre o risco de vir a perder competitividade no cenário internacional. 

Para Montenegro, Portugal encontra-se num cruzamento com “duas opções de caminho”. “Ou nos contentamos com esta circunstância em que estamos bem, mas sabemos que se nos mantivermos assim a médio prazo, vamos perder face à evolução dos outros. Ou tratamos já de garantir a nossa própria evolução para continuarmos a crescer mais do que os outros no futuro”.

É, refere, “a diferença entre jogar para empatar ou ter a mentalidade vencedora de jogar sempre para ganhar”, adianta Montenegro, sublinhando que esta “metáfora desportiva” expressa bem a opção “que temos diante de nós”. “Quero dizer-vos que a minha opção e do Governo é claramente a segunda”, concretiza. 

O primeiro-ministro Luís Montenegro prossegue o discurso sublinhando que o país vive um “momento histórico” que exige uma mudança de atitude coletiva. Defende que Portugal deve abandonar a “mentalidade do deixar andar” e adotar uma lógica de superação, orientada para ir mais longe e afirmar-se pela excelência.

Mas, para isso, o primeiro-ministro sustenta que tem de existir uma mudança de atitude coletiva. “Temos que adquirir a mentalidade de irmos mais longe, de nos afirmarmos pela excelência (...) a mentalidade de Cristiano Ronaldo”.

Para o chefe do Governo, talento não falta aos portugueses. “Os portugueses têm talento em várias áreas de atividade, vão pelo mundo e têm desempenhos extraordinários, desde as áreas científicas e de investigação até ao mais humilde operacional”. “Não faltam exemplos de portugueses excelentes pelo mundo fora, a nossa obrigação histórica é promover essa excelência cá dentro”. 

Na sua mensagem, Montenegro enquadrou esta visão na ação do Executivo. “É para isso que governo e é para isso que estou aqui”, referiu, defendendo um modelo assente na criação de riqueza, um imperativo essencial para a concretização de “projetos de vida mais felizes e mais realizados” e para a construção de “um país melhor para todos, a partir da melhor condição de cada um”.

O primeiro-ministro estabeleceu ainda uma ligação direta entre o crescimento económico e o combate à pobreza ou à crise na habitação. “Criar riqueza é o melhor caminho para combater a pobreza”, disse, acrescentando que um país com mais crescimento “pode subir os salários, pode subir as pensões” e “pode apoiar a compra de medicamentos de quem mais precisa”. Enumerou ainda a capacidade de “negociar melhores carreiras profissionais” e de investir “na habitação, na educação” e “melhor na saúde”.

Montenegro afirmou também que o crescimento económico reforça outras dimensões do Estado. “Um país com mais crescimento pode proteger o seu património, as suas riquezas naturais”, afirmou, defendendo que essa dinâmica permite garantir “coesão”, “justiça”, “mobilidade”, bem como “a segurança e a defesa do seu território e das suas infraestruturas essenciais e críticas”.

Na parte final da mensagem, o primeiro-ministro fez ainda um apelo à oposição para que, no calendário político após as presidenciais, tenha em conta que o “mais importante é o interesse do país, que se reflete, depois, no interesse de cada cidadão”. “Não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante”. 

“Agora que vamos ter cerca de três anos e meio sem eleições nacionais, é a altura de todos nos focarmos em cumprir a nossa responsabilidade e fazer tudo para garantir a Portugal e a cada português um futuro mais próspero”, sublinhou Luís Montenegro, vincando no tema da responsabilidade coletiva: “As coisas não caem do céu”.

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