Portugal prevê gastar 3,1% do PIB em defesa este ano, anuncia Luís Montenegro

Agência Lusa , MJC
8 jul, 14:40
O primeiro-ministro de Portugal, Luis Montenegro (à direita), e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, chegam à cimeira da NATO de 2026, em Ancara, na Turquia, a 8 de julho de 2026. EPA/NECATI SAVAS
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Investimentos em infraestruturas de energia, de comunicações, de várias áreas setoriais do Governo vão estar incluídas neste reforço

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou esta quarta-feira que Portugal pretende alcançar até ao final do ano 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas de Defesa e relacionadas com segurança, como infraestruturas.

“Temos desenhado já para este ano de 2026 o reforço precisamente desse investimento, quer na componente exclusivamente dedicada à Defesa, quer na componente de utilização dual, que vai fazer com que, de acordo com aquilo que é a nossa estimativa e expectativa, no final deste ano o agregado destas duas componentes signifique cerca de 3,1% do nosso PIB já em 2026”, anunciou o chefe do executivo, em Ancara, capital da Turquia.

Luís Montenegro falava à imprensa portuguesa no final da cimeira de chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica.

O chefe do executivo explicou que além dos 2,1% que a NATO já prevê que Portugal invista em matérias exclusivamente dedicadas à Defesa (como Forças Armadas ou material militar), prevê-se um reforço adicional noutras vertentes para chegar ao valor de 3,1% do PIB.

“Estamos a falar de investimentos em infraestruturas de energia, de comunicações, de várias áreas setoriais do Governo. Investimentos que também são contabilizados para podermos atingir o objetivo que está determinado desde a Cimeira de Haia dos 5%. Como sabem, são 3,5% no investimento exclusivo em capacidades militares e 1,5% nas demais”, disse o primeiro-ministro.

Interrogado sobre exemplos, Luís Montenegro respondeu que “a rede de energia do país” ou “a rede de grandes infraestruturas que permitem maior mobilidade, são exemplos disso mesmo”.

“Eu diria até que o programa de transformação, recuperação e resiliência que Portugal está hoje já a executar, que visa dar maior resistência e resiliência às nossas infraestruturas, incluindo as infraestruturas críticas, é um plano que naturalmente contribui para que este volume cresça e cresça já em 2026, porque estamos a falar de vários desses investimentos”, completou.

O chefe do executivo realçou ainda que Portugal conseguiu superar a meta dos 2% do PIB pela primeira vez desde que a meta foi assumida, em 2014, atingindo 2,01%.

Montenegro afirma que Aliança está unida e não houve divergências

O primeiro-ministro afirmou ainda que, durante a reunião, “foi confirmada a unidade entre toda a Aliança” e a “força do laço transatlântico”.

“À volta da mesa houve total convergência, consonância de pontos de vista sobre os assuntos que estavam a ser tratados. De todos, sem nenhuma exceção. Não houve nenhuma querela, nem nenhuma polémica, nas intervenções de todos os aliados”, assegurou.

O primeiro-ministro frisou que, apesar de haver, à margem, “algumas perturbações que acontecem e que muitas vezes retiram a atenção do que é essencial”, a “unidade em volta dos objetivos e dos princípios de funcionamento da Aliança Atlântica foram absolutos”.

“Eu vou repetir, porque foi mesmo assim: foram absolutos. Não houve uma única divergência relativamente aos objetivos de aproximar o investimento da Europa do dos Estados Unidos da América, do ponto de vista das capacidades, dos grandes objetivos que são a dissuasão, a promoção da paz e das condições que nos dão a segurança para garantirmos os direitos fundamentais dos cidadãos”, afirmou.

O primeiro-ministro referiu ainda que, durante a cimeira, todos os aliados reafirmaram o seu apoio à Ucrânia, “cuja luta e absolutamente crucial” para a segurança da Aliança e para a preservação dos seus “valores democráticos”.

No âmbito desse apoio a Kiev, Luís Montenegro referiu que Portugal se comprometeu a “reeditar em 2026 o apoio militar e financeiro” que forneceu em 2024 e 2025, mas aumentará a sua participação no programa da NATO PURL, que coordena e compra e a entrega de equipamentos militares à Ucrânia, em mais 50 milhões de euros.

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