As reações à morte de Adriano Moreira, o "grand seigneur" com "abertura de espírito" que deixou marca na democracia portuguesa

Andreia Miranda , notícia atualizada às 21:04
23 out, 12:27

Líderes políticos reagem à morte do antigo presidente do CDS, lembrado o seu papel na democracia portuguesa

João Gomes Cravinho lembrou este domingo a "abertura de espírito" de Adriano Moreira, que morreu aos 100 anos, "para pensar sobre o lugar de Portugal no mundo". Numa mensagem publicada no Twitter, o ministro dos Negócios Estrageiros apresentou ainda as "condolências aos familiares e amigos de Adriano Moreira".

Uma mensagem partilhada pela ministra da Defesa Nacional que, em Santarém, manifestou “pesar” pela morte de Adriano Moreira, destacando o seu “legado gigante, enquanto pensador, intelectual, académico e, sobretudo, alguém que contribuiu para a aproximação entre os mundos civil e militar”.

Helena Carreiras lembrou que Adriano Moreira “foi preletor, conferencista, das instituições militares – do Instituto Universitário Militar, do Instituto da Defesa Nacional -, durante muitas décadas, dando aí um contributo inestimável e fundamental” para se “pensar Portugal, pensar a relação entre militares e civis, a forma como as questões de segurança e defesa devem ser encaradas”.

Agradecendo esse legado, “em nome da Defesa Nacional”, a ministra destacou a forma como “continuará a ser inspirador” para o trabalho de “análise, tão fundamental neste momento, do que pode ser” Portugal no mundo “e como olhar as questões de segurança e defesa” no “contexto tão complexo” como o que se vive atualmente.

Também Luís Montenegro lembrou o "grand seigneur" que Adriano Moreira foi na academia e política portuguesa na sua reação à morte do antigo presidente do CDS. O líder do PSD, que deixou uma mensagem no Twitter onde expressou "o profundo pesar e solidariedade" à família e ao partido.

Já o antigo Presidente da República Cavaco Silva evocou hoje Adriano Moreira como "um dos mais importantes pensadores políticos do Portugal contemporâneo", assinalando também o seu "legado de verdadeiro serviço público".

"No ensino construiu escola em torno da 'convergência dos saberes' e desses saberes produziu um manancial enorme de pensamento e reflexão sobre Portugal, tornando-o indiscutivelmente um dos mais importantes pensadores políticos do Portugal contemporâneo", escreveu Anibal Cavaco Silva numa declaração enviada à agência Lusa.

O ex-primeiro-ministro recorda o "português ilustre" e o "orgulhoso transmontano", fazendo depois a apreciação sobre "a sua vida de dedicação à causa pública como político, como intelectual e como académico".

"Como já referi em 2009, Adriano Moreira 'pertenceu à estirpe dos que permanecem fiéis à sua palavra e ao seu trajecto' – e num tempo tão volátil como o que nos coube viver, só isso é já causa de admiração e louvor", assinala.

"Um pensador incomparável"

As mensagens de condolências no espectro político multiplicam-se e também o presidente da Assembleia da República lembrou o antigo líder do CDS como "grande figura da democracia portuguesa, que o soube reconhecer e integrar".

"Foi a democracia que o fez deputado e líder partidário, e mestre de várias gerações. Por sua vez, ele ajudou a democracia a situar-se na continuidade histórica de Portugal", escreveu Santos Silva no Twitter.

Uma mensagem partilhada por Rui Rio que lembrou a "integridade, conhecimento e valia intelectual" de Adriano Moreira, qualidades que "sempre" o "impressionaram".

"Fui seu contemporâneo no Parlamento, e, mesmo havendo nessa altura personalidades de elevada qualidade e respeitabilidade na AR, ele sempre se distinguiu", afirmou o ex-presidente do PSD.

O antigo líder do CDS-PP Paulo Portas lamentou hoje a perda de um dos “maiores sábios” e do estadista que era Adriano Moreira, prestando homenagem a “um príncipe da política” e um “pensador da diplomacia” que deixa um legado profundo.

“Portugal perdeu um sábio. Um dos nossos maiores sábios. O Estado português perdeu um estadista. Um dos nossos melhores. Muitos portugueses perderam uma referência essencial”, refere Paulo Portas em reação à morte de Adriano Moreira, numa nota enviada à agência Lusa.

Para o antigo vice-primeiro-ministro, “os democratas cristãos tiveram nele o mais ilustre dos Presidentes”.

“Adriano Moreira deixa um legado profundo e a essa memória nunca será demais prestar homenagem. Um príncipe da política, um pensador da diplomacia e um teorizador da segurança com tributo decisivo à preservação da paz”, enalteceu.

Por sua vez, André Ventura considerou que a morte de Adriano Moreira "deixa-nos a todos mais pobres", lembrando que o antigo presidente do CDS foi "um verdadeiro senador da política portuguesa e um pensador incomparável".

Também o presidente do PS, Carlos César, classificou Adriano Moreira como "uma referência da vida política portuguesa" com o qual aprendeu sempre, mesmo quando não concordava.

"Uma referência da vida política portuguesa e um académico, um especialista em Relações Internacionais, em Segurança e Defesa Nacional que fez escola e deixou obra relevante", escreveu o presidente dos socialistas na sua conta na rede social Facebook.

Segundo Carlos César, Adriano Moreira era "uma personalidade que, depois de uma colaboração influente com o regime anterior, se encontrou com o Portugal Democrático em que participou ativa e construtivamente".

"Convivi em várias ocasiões com Adriano Moreira, quer durante quer depois de eu ter sido Presidente do Governo dos Açores. Aprendi sempre, em todos esses momentos, mesmo quando não concordava, o que era frequente, com o que dele ouvia", termina o ex-líder do Grupo Parlamentar do PS, endereçando o seu pesar à família e "um beijinho" a Isabel Moreira, filha do ex-líder do CDS e atual deputada socialista.

Por sua vez, o antigo líder do CDS-PP Francisco Rodrigues dos Santos enalteceu o legado de Adriano Moreira, que “foi génio e luz”, “marcou a academia” e foi “um patriota com um percurso político em encontro permanente com o serviço ao país”.

Numa reação na rede social Facebook, o anterior líder do CDS-PP afirmou que “Adriano Moreira foi o patriarca generoso da democracia-cristã portuguesa e pedagogo da direita social em democracia”.

“Adriano Moreira foi génio e luz, que marcou a Academia e enriqueceu o regime político, deixando um vasto tesouro intelectual disperso em várias obras e instituições, que sobreviverá à sua morte”, enalteceu.

Também presidente da câmara de Lisboa considerou que Adriano Moreira foi um “exemplo excecional” de quem “sempre obrigou” os outros a pensar e o eurodeputado Paulo Rangel salientou que o ex-ministro foi o “doutrinador da democracia-cristã em Portugal”.

“A minha sentida homenagem pela partida de Adriano Moreira, exemplo excecional de quem até aos 100 anos de vida nos obrigou sempre a pensar e pelo estímulo que até ao fim nos deu para nos sabermos encontrar com nação e como povo”, escreveu Carlos Moedas na sua página oficial na rede social Twitter.

Já o eurodeputado e vice-presidente social-democrata Paulo Rangel, também naquela rede social, salientou que Adriano Moreira “representa a ética da República”.

“Amou e pensou Portugal acima de tudo. Percebeu desde cedo o espírito do tempo e dos tempos. Cristão, humanista, académico, político. Foi o doutrinador da democracia-cristã em Portugal. À família e ao CDS, tributo e respeito”, lê-se.

Também a Iniciativa Liberal destacou o “exemplo de serenidade na política” que foi Adriano Moreira, uma postura que manteve “quando incompreendido e quando consensual”.

“Adriano Moreira, tanto para dizer e seria sempre pouco. Um exemplo de serenidade na política, quando incompreendido e quando consensual”, enalteceu, através de uma mensagem na rede social Twitter, o líder parlamentar da IL, Rodrigo Saraiva.

Adriano Moreira morreu este domingo aos 100 anos. Ministro do Ultramar no período da ditadura e antigo presidente do CDS, Adriano Moreira completou 100 anos em setembro deste ano e foi o político com a maior longevidade da história democrática portuguesa.  

Governo apresenta condolências e assinala “intervenção política a cívica”

O Governo apresentou entretanto as condolências pela morte de Adriano Moreira, que se destacou “pela sua intervenção política e cívica, com quem a democracia se soube reconciliar”.

“Advogado, académico, político, pensador atento ao lugar de Portugal no mundo, às questões de Segurança e Defesa e à realidade internacional, destacou-se pela sua intervenção política e cívica, com quem a democracia se soube reconciliar”, lê-se na nota de pesar publicada no portal do Governo.

O executivo apresentou, com pesar, as condolências à família e amigos de Adriano Moreira.

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