Setor bancário da zona euro enfrenta "ventos contrários" nos próximos meses

Agência Lusa , AM
16 mai, 11:23
Luis De Guindos

Luis de Guindos sublinhou que os bancos contribuíram para manter a solidez do sistema porque têm níveis muito elevados de capital e liquidez

O Banco Central Europeu (BCE) acredita que o setor bancário terá de enfrentar “ventos contrários” nos próximos meses, depois de os altos lucros obtidos com o aumento das taxas terem começado a diminuir.

Numa conferência de imprensa para apresentar as perspetivas de estabilidade financeira da instituição, o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, sublinhou que os bancos contribuíram para manter a solidez do sistema porque têm níveis muito elevados de capital e liquidez.

No entanto, pediu para não se ser complacente, olhar para o futuro e tentar aproveitar a boa rendibilidade das instituições para reforçar as reservas de capital.

Neste sentido, salientou que a rendibilidade dos bancos começou a diminuir, depois de ter estabilizado no último trimestre de 2023.

“Acredito que os dados do primeiro trimestre vão na mesma direção e que há ventos contrários que o setor bancário tem de enfrentar nos próximos meses”, disse.

Guindos salientou o aumento do número de empréstimos e dos custos de financiamento e o baixo crescimento.

Sublinhou também que o BCE verificou que, em alguns países europeus, as autoridades compreenderam que era o momento certo para aumentar as reservas de capital dos bancos e tomaram medidas importantes para reforçar as suas posições.

Durante o seu discurso, Guindos referiu-se também às entidades não bancárias, que, na sua opinião, estão a ganhar peso no mercado financeiro europeu, razão pela qual o BCE está atualmente a prestar-lhes mais atenção.

O economista espanhol considerou que a supervisão destas entidades deveria ser reforçada, uma vez que estão ligadas aos bancos, pelo que os seus problemas teriam repercussões no sistema.

No relatório de estabilidade financeira hoje divulgado, o BCE advertiu que, embora a estabilidade financeira da zona euro tenha beneficiado da melhoria das expectativas económicas, as perspetivas continuam a ser “frágeis”.

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