Vice-presidente da Lufthansa defende o interesse na TAP: "Somos mais complementares do que qualquer outro sistema de companhias aéreas na Europa"

CNN Portugal , MJC
25 fev, 17:01

Na CNN Summit Portugal Tour, Tamur Goudarzi-Pour explica a centralidade de Lisboa nas ligações entre os continentes e mostra-se otimista sobre a capacidade de crescimento da empresa em Portugal: "Atualmente, voamos mais de 300 vezes por semana para Portugal e tencionamos crescer mais"

Tamur Goudarzi-Pour, vice-presidente executivo da Lufthansa, acredita que adquirir uma participação da TAP seria bom para ambas as companhias, uma vez que existe uma complementaridade nos seus serviços.

"Se olharmos para os sistemas que oferecemos e para o que a TAP também oferece, somos muito complementares. Somos mais complementares do que qualquer outro sistema de companhias aéreas na Europa", disse Goudarzi-Pour numa das mesas-redondas da CNN Summit Portugal Tour, que decorreu esta quarta feira na BTL - Bolsa de Turtismo de Lisboa. "Não somos muito fortes na América do Sul, por isso há um elemento adicional que a TAP pode acrescentar à nossa rede, mas, por outro lado, podemos trazer os passageiros de todos esses lugares da Europa para Lisboa, e também para o Porto, acreditamos que temos um papel forte no Porto também, e daí para a América do Sul", exemplificou. Lisboa, apontou, poderá substituir Frankfurt, Munique ou Bruxelas nos voos de ligação entre continentes, seja para a América do Norte ou do Sul, seja África.

Questionado sobre o porquê do interesse da Lufthansa na TAP, Goudarzi-Pour começou por lembrar que a Lufthansa já está em Portugal há 70 anos: "Estamos aqui não apenas como fornecedores de serviços aéreos, mas também como empregadores. Planeamos ter quase 1.000 pessoas a trabalhar numa nova unidade técnica que estamos a construir a sul do Porto. Temos 400 pessoas a trabalhar no setor dos serviços. Estamos a colaborar com as universidades. Colaboramos em programas sociais. Consideramo-nos um cidadão de Portugal."

Goudarzi-Pour recordou ainda que a Lufthansa já passou por processos semelhantes noutros países: "Mostrámos que conseguimos integrar companhias aéreas na Europa de uma forma que elas puderam preservar as especificidades culturais nacionais, as marcas únicas, os modelos de negócio específicos, e demonstrámos isso com um crescimento de dois dígitos na Suíça, na Áustria, em Bruxelas, e estamos atualmente a demonstrá-lo em Itália. Temos um longo historial de integração", destacou. 

"Penso que podemos, como nenhum outro grupo, contribuir para o crescimento do sistema de aviação de Portugal, apoiando todas essas diferentes unidades, desde a técnica à carga, às companhias aéreas, à cooperação cultural, às universidades, etc. Não nos limitamos a transportar pessoas para cá, na verdade estamos a ligar culturas e economias. Por outro lado, penso que também somos uma potência económica e podemos trazer as vantagens do grupo para a companhia aérea", explicou.

"Temos uma óptima relação com a TAP há mais de 20 anos, com a Star Alliance. Por isso, já colaboramos muito. E já estamos a voar para seis destinos em Portugal, não só a partir dos hubs, mas de todos os outros locais da Europa. E esta é uma oferta que nenhum outro grupo de companhias aéreas pode rivalizar", defendeu ainda.

Sobre o Aeroporto Humberto Delgado, o vice-presidente executivo da Lufthansa afirmou estar "muito satisfeito por saber que existe o entendimento de que há uma necessidade imediata de mudar alguma coisa para melhorar a capacidade do atual aeroporto" de Lisboa, esperando que as obras que estão a decorrer possam, "num prazo razoável, trazer progressos ao aeroporto existente".

"Todos sabemos que se trata de uma situação intermédia. Todos sabemos que o novo aeroporto tem de ser construído. Todos sabemos que não se trata apenas do aeroporto, mas de todo o sistema de aviação", sublinhou Goudarzi-Pour. "Atualmente, voamos mais de 300 vezes por semana para Portugal e tencionamos crescer mais. Por isso, precisamos de ter soluções de transição."

E o vice-presidente da Lufthansa não tem dúvidas de que há espaço para crescer em Portugal. "Houve um grande sucesso nos últimos anos, mas temos de nos certificar de que este sucesso pode ser continuado de forma sustentável. Por isso, existe essa necessidade de colaboração", observou, recordando o exemplo do Terminal 2 de Munique, que "é a única joint venture na Europa em que uma companhia aérea é, de facto, parcialmente proprietária juntamente com o aeroporto".

"Este tipo de colaborações pode ser feito de formas diferentes das tradicionais, mas isso depende das circunstâncias locais, das infraestruturas locais, das colaborações locais. Estamos sempre abertos a discussões e pensamos que é muito, muito urgente que estas medidas que estão a anunciar sejam seguidas e aplicadas a tempo de proporcionar a mais pessoas a oportunidade de virem para Portugal e, através de Portugal, para as respetivas regiões da América do Norte e, claro, do Brasil."

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