Lucília Gago afirma que declarações da ministra da Justiça são "indecifráveis e graves"

8 jul, 21:50
Tomada de Posse dos Secretários de Estado - Lucília Gago (MIGUEL A. LOPES/LUSA)

Ouviu as declarações de Rita Alarcão Júdice "uma vez e outra vez", mas garante não as ter percebido, até porque as duas estiveram três horas reunidas

A procuradora-geral da República afirma que a entrevista dada pela ministra da Justiça ao Observador foi marcada por declarações que a deixaram "incrédula e até perplexa".

Lucília Gago disse, em entrevista à RTP, que as palavras de Rita Alarcão Júdice são "indecifráveis, num certo sentido, e são graves". A responsável referia-se às palavras de Rita Alarcão Júdice, que avançou que "o próximo procurador ponha a casa em ordem e inicie uma nova ordem".

De resto, a procuradora-geral da República sublinhou que nada lhe foi dito pela ministra durante uma reunião entre as duas, que durou três horas. "Se havia qualquer elemento relevante a apontar, seria uma ocasião ótima", acrescentou, falando em declarações "graves" por se dizer que há falta de liderança no Ministério Público.

"São acusações graves por estar a dizer que o Ministério Público tem falta de liderança e de comunicação, dizendo que nós últimos tempos houve uma perda de confiança imputável ao Ministério Público e à Procuradoria-Geral da República. A minha conclusão é extraordinária, estas declarações juntam-se a outras", acrescentou.

As declarações de Rita Alarcão Júdice foram, assim, como que uma "mola" para a reação de Lucília Gago, que ouviu as palavras da ministra "uma vez e outra vez".

Deste cenário, garantiu a procuradora-geral da República, conclui-se que se imputa ao Ministério Público "tudo o que de mau acontece na justiça". Algo que Lucília Gago rejeita e, por isso mesmo, nunca a levou a pensar na demissão.

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