Luana, 17 anos, desaparecida 8 meses: como foi encontrada, onde, em que condições - e ainda a "suposta relação amorosa" com um homem de 48

31 jan 2023, 21:01

Jovem tem "uma dependência muito intensa do jogo online" e o alegado raptor ter-se-á aproveitado disso para manter uma relação com a jovem

Luana Pereira desapareceu a 30 de maio de 2022 quando estava a caminho da escola e nunca mais ninguém a viu. Até esta terça-feira, quando a Polícia Judiciária encontrou a jovem a quase 200 quilómetros de distância do local onde tinha sido vista pela última vez (a jovem é natural de Pouzos, Leiria).

A jovem, que completou os 17 anos já durante o período em que esteve desaparecida (fez anos a 28 de janeiro), estava, afinal, numa casa em Évora, de onde não saiu e onde passava a maior parte do tempo num quarto sem luz natural, de acordo com a Polícia Judiciária.

A última vez que Luana tinha sido vista foi na saída para a escola, tendo desaparecido “de repente”.

“A menor foi para a escola normalmente e de repente desapareceu”, referiu fonte das autoridades à agência Lusa. Não levou documentos de identificação ou dinheiro mas levou telemóvel, uma consola de jogos e alguns pertences, como roupa. Na altura foi feita participação à Polícia de Segurança Pública. Segundo a descrição que ainda consta na página da Polícia Judiciária, a jovem utilizava uma camisola de cor azul com um boneco branco e umas calças de licra quando desapareceu.

Durante todos estes meses esteve a viver com um homem de 48 anos e com a mãe deste. Esse mesmo homem, um empregado fabril, conheceu a jovem quando esta tinha ainda 14 anos, sendo que ambos evoluíram para uma “relação amorosa até que surgiu a oportunidade de o suspeito a ir buscar a Leiria, levando-a com ele”. São palavras de um agente envolvido na operação e que relatou que a menor “tinha uma dependência muito intensa do jogo online”.

Terá sido essa dependência que motivou a estada em casa do homem, que é separado e tem filhos, estando, segundo as autoridades, socialmente integrado.

Na casa vivia ainda a mãe do suspeito, mas as autoridades acreditam que a idosa não sabia ao certo do que se estava a passar. “Não teria noção de todos os contornos”, acredita a Polícia Judiciária. Quanto a outros visitantes, quando isso acontecia Luana escondia-se no sótão da habitação.

Acredita a Polícia Judiciária que a “recorrente dependência do jogo online, imaturidade e personalidade frágil” terão levado a jovem a fugir de casa para ir com o homem para Évora.

Por esclarecer está a real motivação da jovem, uma vez que a Polícia Judiciária entende que Luana não foi levada contra a sua vontade. “Não temos qualquer elemento que aponte que estivesse fechada em casa”, referiu o diretor da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária, em conferência de imprensa.

Segundo Jorge Leitão, Luana “estava tranquila, bem tratada, a fazer aquilo de que gostava, que era o vício do jogo online”. Mas coloca-se a questão do consentimento, “se foi livre, sério e esclarecido”.

A investigação “está em crer que não”, acrescentou Jorge Leitão, apontando também para alguma imaturidade da vítima, o facto de ser uma pessoa “de certa forma solitária” e o vício por jogos.

“Tudo isto pode ter ajudado a que concordasse a manter esse relacionamento durante oito meses”, disse ainda o responsável.

A menor esteve inicialmente sinalizada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo devido à situação escolar.

Na sequência das buscas, o homem foi detido e vai responder pelo crime de rapto, sendo que a Polícia Judiciária fala numa "suposta relação amorosa" na qual o suspeito manteve Luana "em completo isolamento social durante oito meses".

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