O nome do fenómeno lunar deriva das tribos algonquinas nativas americanas, que associaram a lua cheia à época da colheita de frutos silvestres
A lua de morango, que foi visível no céu esta semana, marcou a primeira lua cheia do verão.
Na segunda-feira, poucos dias após o solstício de verão de 21 de junho, os observadores do céu testemunharam o astro a iluminar a noite com o seu brilho âmbar.
Para quem está no Hemisfério Norte, à medida que a lua de morango nasceu e se pôs, traçou a trajetória mais baixa de qualquer lua cheia deste ano — enquanto no Hemisfério Sul descreveu o seu arco mais elevado, segundo a EarthSky.
A lua atingiu a sua iluminação máxima às 19h57 de Nova Iorque, 00h57 em Lisboa, de segunda-feira, após o nascer da lua, momento em que a borda superior do satélite surgiu acima do horizonte a este, refere a EarthSky.
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A lua de morango apareceu um dia depois do apogeu, o ponto em que a lua esteve mais afastada da Terra. Quando uma lua cheia ocorre perto do apogeu, é frequentemente chamada de microlua — e a de junho foi a segunda mais pequena de 2026.
Embora a lua tenha parecido ligeiramente menor, a diferença foi praticamente impercetível a olho nu, segundo a doutora Pamela Gay, cientista sénior do Planetary Science Institute.
Para obter a melhor visão da lua de morango de baixa altitude, recomendava-se sair e “encontrar um local escuro e sem obstruções — sem edifícios altos, árvores, coisas desse género”, sugeriu Noah Petro, chefe do Laboratório de Geologia, Geofísica e Geoquímica Planetária da NASA, no Goddard Space Flight Center, em Greenbelt, Maryland.
Uma lua de tonalidades variáveis
O nome do fenómeno lunar deriva das tribos algonquinas nativas americanas, que associaram a lua cheia à época da colheita de frutos silvestres. Os Abenaki ocidentais conhecem-na como lua da ceifa e os Anishinaabe como lua da floração, segundo o The Old Farmer’s Almanac.
Os observadores da lua cheia de junho notaram que esta parece mudar de cor. No entanto, a tonalidade do astro não se alterou na realidade.
“A nossa lua tem uma cor e essa cor é decidida pela mineralogia, pela forma como a luz solar reflete na sua superfície”, afirmou Gay. Mas o fator determinante, acrescentou, é que a luz refletida pela lua teve de atravessar a atmosfera da Terra para chegar aos nossos olhos — e a cor dessa luz pôde mudar ligeiramente dependendo do que existia na atmosfera.
Em zonas com maior poluição atmosférica, a lua de morango pôde parecer assumir uma tonalidade mais quente e mais rica em cor.
A lua de morango deste ano surgiu num momento de maior entusiasmo em torno da exploração lunar, poucos meses depois de a missão Artemis II ter enviado com sucesso quatro astronautas à volta do lado oculto da Lua. Com a expectativa a crescer para a próxima missão Artemis, que poderá ser lançada já no final do próximo ano, e com a possibilidade de uma aterragem lunar no horizonte, alguns especialistas defenderam que observar o céu é uma forma de reforçar a ligação da Terra ao seu satélite natural e ao espaço.
“Estamos prestes a enviar humanos de volta à Lua com a Artemis. Dentro de alguns anos, teremos astronautas a aterrar na Lua”, disse Petro. “Agora é o momento de começar a construir essa relação com a Lua. E a forma mais fácil de o fazer é simplesmente sair e olhar para o céu.”
