Não está descartada "a pista de uma cumplicidade interna" do museu no assalto que continua a espantar o mundo
Os conservadores do Museu do Louvre avaliam o prejuízo das joias roubadas no domingo na galeria de Apolo em 88 milhões de euros, revelou a procuradora de Paris, Laure Beccuau. Uma quantia "extremamente espetacular", mas que "não tem paralelo nem é comparável ao prejuízo histórico", acrescentou a procuradora na RTL, sublinhando que os criminosos "nunca ganharão essa quantia considerável" se tiverem a "péssima ideia" de desmontar e derreter essas joias. Entre as peças roubadas estavam joias que eram da coroa e outras que tinham sido oferecidas por dois imperadores às suas esposas.
A investigação avança, segundo a procuradora, e "as perícias estão em curso: quatro pessoas foram identificadas como estando no local, sem certeza de que não houvesse uma equipa para ajudá-las", declarou, sem descartar "a pista de uma cumplicidade interna" do museu.
Os ladrões, munidos de ferramentas eléctricas, demoraram menos de oito minutos a realizar o assalto, pouco depois da abertura do museu mais visitado do mundo, na manhã de domingo.
Como os ladrões não foram apanhados mais de dois dias depois do assalto, os especialistas temem que as joias já tenham desaparecido há muito tempo.
Laure Beccuau disse, no entanto, que esperava que o anúncio do valor estimado das jóias fizesse com que os ladrões pensassem duas vezes e não as destruíssem.
Questionada na Assembleia Nacional, a ministra da Cultura, Rachida Dati, garantiu que "os dispositivos de segurança do museu não falharam". "É uma realidade, eles funcionaram", insistiu, de acordo com o Le Monde.
Rachida Dati preferiu abordar a questão da vigilância das vias públicas, uma vez que os ladrões entraram no museu através de uma janela, utilizando um elevador de carga estacionado na estrada junto ao rio Sena. "Talvez devêssemos questionar-nos, e esta é uma reflexão que temos com o ministro do Interior, mas também com a Câmara Municipal de Paris, precisamente sobre a segurança nas vias públicas, que não existia nesta fase", afirmou.