Cocktail molotov atirado para dentro de autocarro durante desacatos em Lisboa deixa motorista com queimaduras graves na cabeça
Homem tem "queimaduras graves" e está internado no Hospital de Santa Maria. Autarca de Loures está "revoltado"
O presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, afirmou esta quinta-feira, em entrevista à rádio Observador, que repudia os atos de vandalismo no concelho de Loures e que deixaram um motorista de um autocarro em estado grave.
"É de repudiar qualquer ato, neste momento, de vandalismo de bens públicos, como são contentores, autocarros, que é colocar as pessoas em risco. E ali aquele caso foi, às duas da manhã, era onde aquele circuito acabava. Alguém sabia que aquele circuito acabava ali. O motorista tinha que abrir as portas, não é? E ali nem houve hipótese do motorista sair. O cocktail molotov foi atirado para cima do motorista e inflamando-o logo", afirmou Ricardo Leão, dizendo ainda que o motorista tem "queimaduras graves".
Para o autarca "há que lamentar e há que repudiar, de uma forma muito evidente, esses atos". "Estive lá ontem, até às quatro da manhã, e confesso que estava revoltado. Digo mesmo o termo, revoltado", acrescentou.
Ao que a CNN Portugal conseguiu apurar, o motorista está internado no Hospital de Santa Maria com queimaduras de primeiro grau. Fonte do hospital confirmou que chegou, durante a madrugada, um doente que apresentava queimaduras.
A CNN Portural sabe que o motorista, com 41 anos, está internado na unidade de queimados com queimaduras graves, nomeadamente na parte superior do corpo, incluindo braços e cabeça. A preocupação centra-se, em particular, nas vias respiratórias do homem.
Ricardo Leão revelou ainda que os atos de vandalismo aconteceram "muito fora daquilo que é o bairro, muito dentro daquilo que é o território do concelho de Loures, em áreas que nunca se esperava".
"Foram casos muito pontuais aqui e ali", assinalou.
O autarca participa, esta manhã, na reunião com o Governo e espera "que esta reunião não se foque unicamente na questão dos bairros". "E não se foque unicamente na questão destes atos de vandalismo que estão a acontecer, sob forma de manifestação, na sequência de um acontecimento infeliz, que está para se apurar as responsabilidades e a forma como foi. Eu gostava que hoje, a reflexão que se fizesse hoje, não se ficasse por aí. Porque se ficar por aí, eu acho que é limitar muito aquilo que é uma oportunidade para nós refletirmos e começarmos a agir para garantir a segurança de todas as pessoas, não só as dos bairros municipais, de todas as pessoas".
Em declarações à Lusa, fonte da Carris Metropolitana revela que o autocarro vandalizado e incendiado em Santo António dos Cavaleiros (distrito de Lisboa) seguia sem passageiros quando se deu o incidente, confirmando que o motorista está em estado grave.
A mesma fonte escusou-se a avançar mais pormenores, adiantando que a transportadora está a “colaborar com as autoridades”.
Dois autocarros e sete veículos foram incendiados, esta noite, em várias zonas da Área Metropolitana de Lisboa. O último autocarro incendiado foi registado na Arrentela, no concelho do Seixal, distrito de Setúbal.
A PSP registou ainda focos de incêndio em caixotes do lixo em Amadora, Sintra, Oeiras, Odivelas, Barreiro, Lisboa e Almada, na sequência dos desacatos que se seguiram à morte de um homem baleado pela polícia, na Amadora, na madrugada de segunda-feira.
Duas pessoas foram detidas na quarta-feira à noite na Pontinha, Odivelas.
