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Cinco mortos, 1,5 milhões sem luz e uma Lisboa ardida: o inferno chegou a Los Angeles

António Guimarães , Atualizada às 23:29
8 jan 2025, 17:31

São quatro fogos diferentes e a situação ainda deve piorar por causa do vento. Autoridades estão "a esticar a capacidade" ao máximo, mas não chegam a todo o lado

A cidade de Los Angeles está cercada por quatro fogos devastadores que parecem estar apenas no seu início, já que as previsões meteorológicas apontam para um cenário em que o vento vai piorar, empurrando as chamas com ainda mais violência.

As autoridades já confirmaram a morte de cinco pessoas, causadas pelo fogo que teve origem em Eaton, na Floresta Nacional de Angeles, e que ameaça grandes áreas urbanas do condado de Los Angeles e também em Pasadena, havendo um total de 1,5 milhões de pessoas sem eletricidade.

Há ainda um “número significativo de feridos” e centenas de estruturas danificadas pelas chamas, numa altura em que a polícia da cidade de Los Angeles admite que esta é uma situação com “condições sem precedentes” naquela zona da Califórnia, que já é habitualmente fustigada por incêndios. Para se ter uma ideia, e numa altura em que as imagens aéreas mostram Los Angeles cercada pelas chamas, os incêndios estão 0% controlados.

“Esta é uma altura trágica da nossa história, aqui em Los Angeles, mas também um tempo em que somos verdadeiramente testados para que se veja quem somos realmente”, afirmou o chefe da polícia, Jim McDonnel, que aconselhou “paciência” aos milhões de pessoas que vivem naquela zona.

“É crucial que, nestes tempos, sejamos pacientes, que estejamos juntos, que nos foquemos em salvar vidas e fazermos o melhor que podemos. Assim, quando olharmos para trás, saberemos que fizemos o que podíamos uns pelos outros”, reiterou.

O problema, admitiu o chefe da polícia, está no vento forte, e que já chegou a soprar a mais de 160 quilómetros à hora. “É algo que nunca vimos antes. Os bombeiros, a polícia, as autoridades estão lá for a procurar abrigo nos seus veículos, nos seus camiões e carros, para que não acabem queimados pelo fogo”, sublinhou Jim McDonnel, que apelou à população para seguir à risca as ordens de evacuação, até para não colocarem em risco as equipas de salvamento.

“Se tivermos de enviar pessoas para tentarem fazer resgates, essas pessoas estarão a colocar as suas vidas em risco por algo que podia ter sido evitado”, lembrou.

Por agora, além de garantir que é cumprida a ordem de evacuação, e que já abrange mais de 30 mil pessoas, as autoridades tentam ao máximo conter o avanço das chamas para zonas como Santa Monica ou Malibu, conhecidas zonas costeiras da Califórnia.

Para que se tenha uma ideia da dimensão do fogo, o distrito escolar de Los Angeles, o segundo maior de todos os Estados Unidos, ordenou o encerramento de 10% das suas escolas, onde estudam quase 430 mil alunos.

Em Pacific Palisades, claramente a zona mais afetada até ao momento, uma das escolas secundárias foi seriamente afetada. Em redor da autoestrada 134, por exemplo, a qualidade do ar “não é apropriada para funcionários e estudantes”.

Um cenário que também está a afetar aqueles que estão no terreno a tentar ajudar da forma possível. “À medida que caminhava para aqui, estava a receber várias mensagens de muitos dos nossos funcionários… que perderam as suas casas nas últimas horas”, admitiu, consternado, o xerife Robert Luna, da polícia do condado de Los Angeles.

“Não sei quantas, ainda estamos a reunir informação. Mas… todos vivemos aqui no condado de os Angeles, então fomos afetados”, reiterou.

O fogo de Pacific Palisades continua a ser o que mais preocupa - só ali já arderam cerca de 64 quilómetros quadrados (mais de metade da cidade de Lisboa, para se ter uma noção) -, até porque a ele se junta o de Hurst. Juntos, admitiu o chefe dos bombeiros de Los Angeles, os dois incêndios “estão a esticar a capacidade dos serviços de emergência ao máximo”.

Ao todo, e de acordo com o website CalFire, já arderam mais de 100 quilómetros quadrados, uma área superior à capital portuguesa.

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