Fabricante dos F-35 está à procura de empresas portuguesas para ajudar a construir o caça furtivo mais evoluído do mundo

3 jun 2025, 17:01
Caça de combate de quinta geração F-35 (Associated Press)
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Caso Portugal compre as aeronaves, as empresas portuguesas poderão ajudar na produção de componentes, investigação e desenvolvimento, bem como na manutenção e formação

A empresa norte-americana Lockheed Martin assinou esta terça-feira um memorando de entendimento com a AED Cluster Portugal no sentido de identificar potenciais empresas portuguesas para "integrar futuras atividades industriais" ligadas ao caça de quinta geração F-35, caso a Força Aérea venha a adquirir a aeronave.

Com este acordo, o AED Cluster Portugal, uma plataforma que junta mais de 140 entidades nacionais ligadas aos setores da Aeronáutica, Defesa e Espaço, vai "atuar como ponte" entre a gigante de Defesa norte-americana e a rede de associados, de forma a promover o contacto entre as duas partes.

"O AED tem como missão dinamizar o ecossistema nacional, promovendo colaborações que recebem a base industrial. A Lockheed Martin, enquanto parceiro de referência, poderá trazer novas oportunidades para os nossos associados, contribuindo para o seu desenvolvimento e integração em programas de elevada exigência tecnológica", afirma José Neves, presidente do AED Cluster Portugal, em comunicado.

Este documento, assinado à margem do evento AED Days 2025, em Lisboa, abre as portas para a parceria de empresas portuguesas em várias áreas. Segundo um comunicado enviado à imprensa, a Lockheed Martin vai procurar parceiros em território nacional para as aéreas da produção de componentes, investigação e desenvolvimento, bem como a manutenção e a formação. 

"A Lockheed Martin está empenhada na construção de parcerias fortes com a indústria nos países que operam ou estão a considerar a aquisição do F-35. Este memorando de entendimento com o AED Cluster Portugal representa um passo importante para aprofundar a forma como as empresas portuguesas podem beneficiar das oportunidades económicas de todo o portfólio da Lockheed Martin", garante J.R. Macdonald, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócio do F-35. 

Em Portugal, tudo parecia encaminhado para a aquisição dos caças furtivos norte-americanos F-35. A Força Aérea tinha estudado as possibilidades, analisou as várias alternativas e concluiu pela compra de 27 aeronaves, num negócio avaliado em 5,5 mil milhões, que seria pago ao longo de 20 anos. A fabricante das aeronaves, a Lockheed Martin, veio a Portugal várias vezes, realizando vários workshops para alinhar as capacidades operacionais das aeronaves de quinta geração com as necessidades de Portugal.

Só que a eleição de Donald Trump e as políticas que se seguiram alteraram tudo. O ministro da Defesa referiu que o "mundo já mudou" e Portugal não pode ficar alheado da envolvente geopolítica, uma vez que o seu aliado mais importante já não oferece a "previsibilidade" de outros tempos. Nuno Melo admitiu mesmo que "o nosso aliado" pode vir a trazer limitações "na utilização, na manutenção, nos componentes" e em tudo aquilo que tem que ver com a garantia de que os F-35 se mantenham operacionais em qualquer tipo de cenário. 

"A recente posição dos Estados Unidos, no contexto da NATO e no plano geostratégico internacional, tem de nos fazer pensar as melhores opções, porque a previsibilidade dos nossos aliados é um bem maior a ter em conta", afirmou o ministro ao jornal Público, acrescentando que há "várias opções que têm de ser consideradas", particularmente "no contexto de produção europeia". 

Esta informação levou os líderes de empresas rivais a vir a público manifestar o seu interesse em fornecer as suas aeronaves à Força Aérea portuguesa. O presidente da sueca Saab admitiu estar pronto para fazer uma oferta ao Estado português para a venda do caça Gripen. Poucos dias depois, foi a vez do presidente da fabricante francesa Dassault, que mostrou disponibilidade para fazer uma oferta para a venda dos caças Rafale.

Durante a entrevista, o ministro português da Defesa insistiu que o potencial retorno económico para a indústria portuguesa, particularmente o cluster aeronáutico português, será um forte critério a ter em conta, algo que a Lockheed Martin demonstra estar pronta para fazer com a assinatura deste memorando.

Atualmente, dos 1.200 caças F-35, cerca de 700 foram adquiridos por vários países europeus. Portugal é uma das poucas nações europeias que ainda não tomou uma decisão acerca da aquisição da sua próxima geração de aeronaves, numa altura em que a atual frota de 28 F-16 corre o risco de ficar obsoleta. Em declarações à CNN Portugal, no ano passado, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA) revelou que Portugal queria comprar 27 F-35, com um custo de 5,5 mil milhões de euros, pagos ao longo de um período de 20 anos.

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