A juíza federal Dabney Friedrich não marcou uma nova data para o julgamento
Uma juíza norte-americana adiou o julgamento do líbio acusado de preparar a bomba do atentado de Lockerbie devido à descoberta de novas provas, quase 38 anos após a tragédia que provocou 270 mortos na Escócia.
O julgamento nos Estados Unidos de Abou Agila Mohammad Massoud Kheir al-Marimi, antigo membro dos serviços secretos do ditador líbio Muammar Kadhafi, deposto e morto em 2011, devia iniciar-se na quarta-feira.
No entanto, a juíza federal Dabney Friedrich referiu a descoberta de novas provas, algumas “no estrangeiro”, e considerou justificado o adiamento solicitado pela defesa do acusado.
A magistrada não marcou uma nova data para o julgamento, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).
Uma audiência foi fixada para 01 de setembro, para fazer o ponto da situação do processo.
Detido nos Estados Unidos desde que foi extraditado pela Líbia em 2022, Massoud declarou-se não culpado das acusações de que é alvo, nomeadamente de “destruição de um avião que resultou em morte”.
O acusado arrisca prisão perpétua.
Em 21 de dezembro de 1988, um Boeing 747 da companhia norte-americana Pan Am que fazia a ligação entre Londres e Nova Iorque explodiu sobre a aldeia escocesa de Lockerbie.
No atentado, morreram os 259 passageiros e tripulantes e 11 pessoas em terra.
Trata-se do atentado mais mortífero cometido no território do Reino Unido e o segundo mais mortífero contra norte-americanos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, dado que 190 das vítimas eram cidadãos dos Estados Unidos.
Até à data, apenas uma pessoa foi condenada por este ataque: o líbio Abdelbaset Ali Mohamed al-Megrahi cumpriu uma pena de prisão perpétua em 2001 após um julgamento perante um tribunal penal escocês instalado em solo neutro, nos Países Baixos.
Libertado em 20 de agosto de 2009 pela justiça escocesa por motivos de saúde, devido a um cancro em fase terminal, Al-Megrahi teve uma receção triunfal no regresso a Tripoli.
Al-Megrahi morreu em 2012.
