Os casos e as polémicas que adivinhavam há muito o destino de Liz Truss

20 out, 17:54
Liz Truss (AP Photo)

Foi o mandato mais curto da história do Reino Unido e, provavelmente, o mais contestado. Uma sucessão de polémicas que acabou com a demissão da primeira-ministra britânica ao fim de 45 dias no poder

Liz Truss sai sem honra nem glória, após 45 dias no poder, naquele que foi o mandato mais curto da história do Reino Unido. Ainda assim, foram 45 dias povoados de polémicas, que lhe desgastaram a imagem. 

O contexto em que assumiu o cargo já não lhe era propriamente favorável, mas um orçamento que acabou revogado, as constantes demissões ou ameaças de demissão e as críticas externas ditaram um desfecho que muitos já adivinhavam há vários dias. 

Demissões e ameaças 

A ministra do Interior do Reino Unido, Suella Braverman, demitiu-se esta quarta-feira do cargo. De acordo com o The Guardian, que citou fontes próximas do executivo, a saída de Braverman, de 42 anos, foi resultado de uma decisão do novo ministro das Finanças, Jeremy Hunt.

A ministra esteve no cargo apenas 43 dias. Demitiu-se, alegadamente, depois da polémica que se instalou por ter enviado um documento oficial sobre política migratória a partir de um email pessoal. A quebra de segurança foi a gota de água, mas a carta de demissão tornou público várias críticas de Suella Braverman ao rumo que o governo de Liz Truss estava a tomar. 

Mas Suella Braverman não era a única voz dissonante. Esta quarta-feira, o jornal Mail on Sunday, dava conta que pelo menos 54 deputados conservadores tinham escrito uma carta ao líder do Comité 1922 a retirar a confiança à primeira-ministra. Ou seja, 15% dos deputados do partido não confiavam, politicamente falando, em Liz Truss. Uma percentagem suficiente para avançar com uma moção de censura ao governo, de que Liz Truss estava, para já livre, por estar no primeiro ano de governação. Contudo, os deputados ameaçaram mesmo mudar essa lei se o descontentamento continuasse e chegasse a 50% dos parlamentares. 

Plano orçamental cancelado

O plano orçamental apresentado pelo primeiro ministro das Finanças de Liz Truss, Kwasi Kwarteng, prometia salvar a economia do Reino Unido. Mas, mal chegou ao cargo, o novo ministro das Finanças, Jeremy Hunt, admitiu que o plano apresentado pelo antecessor continha "erros" que seriam supostamente corrigidos numa nova versão que iria anunciar a 31 de outubro. 

Ministro das Finanças demitido

Kwasi Kwarteng esteve apenas 38 dias no cargo. Foi demitido pela primeira-ministra britânica, Liz Truss.

Kwasi Kwarteng partilhou nas redes sociais uma carta endereçada à primeira-ministra britânica, confirmando a saída do cargo. Na missiva, Kwarteng diz que aceitou o cargo sabendo que a situação enfrentada por Truss era "incrivelmente difícil" devido ao aumento global das taxas de juro e dos preços da energia.

Um rival para novo ministro das Finanças

Jeremy Hunt foi nomeado ministro das Finanças, apesar das conhecidas rivalidades com a primeira-ministra e até das fortes críticas que não hesitava em tecer-lhe.

A ideia de Truss seria, com Hunt ao seu lado, conseguir convencer investidores e o povo de que o seu plano fiscal e o seu orçamento poderiam resultar. 

Virou-se o feitiço contra o feiticeiro, porque Hunt revogou e criticou duramente o plano, assim que assumiu o cargo. 

Insultos

Antes de enfrentar o Parlamento, a primeira-ministra britânica viu um dos seus principais conselheiros, Jason Stein, ser suspenso por, supostamente, ter insultado o deputado Sajid Javid. Uma investigação dá conta de briefings insultuosos sobre Javid, a quem terá mesmo chamado "m****".

Um Parlamento contra ela

O debate no Parlamento, esta quarta-feira, foi tudo menos acolhedor para a primeira-ministra agora demissionária. Truss ouviu Keir Starmer, líder da oposição questionar: "Qual é o sentido de uma primeira-ministra cujas promessas nem duram uma semana?" ou "Porque é que ela ainda está aqui?".

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