Quando a nova primeira-ministra do Reino Unido disse que a monarquia era "vergonhosa"

9 set, 11:34
Rainha Isabel II recebe Liz Truss (Associated Press)

Um excerto de uma entrevista de Liz Truss com 18 anos regressou às redes sociais, numa altura em que a atual primeira-ministra britânica, que ainda foi convidada a formar governo por Isabel II, lançava duras críticas aos que nasciam para governar

O vídeo é de 1994 e regressou nos últimos dias às redes sociais, por ocasião da nomeação de Liz Truss como primeira-ministra do Reino Unido, apenas dois dias antes da morte da rainha Isabel II. Na altura uma estudante de 18 anos, Truss falava à estação britânica ITV sobre a monarquia, dizendo-se contra a ideia que "as pessoas podem nascer para governar".

 

Na terça-feira, o último ato público da rainha, antes de morrer, foi precisamente receber o primeiro-ministro britânico cessante, Boris Johnson, e depois Liz Truss, convidando-a formalmente a formar governo. As imagens geraram curiosidade, sobretudo porque Isabel II, de férias no Castelo de Balmoral, na Escócia, não era vista há várias semanas e, a conselho médico, decidiu evitar a viagem para Londres e indigitar Truss na Escócia, onde se encontrava. Uma quebra na habitual tradição de receber os novos primeiros-ministros em Buckingham ou Windsor.

Em comunicado, o Palácio de Buckingham informou que Liz Truss aceitara a oferta da rainha para formar governo e que as duas tinham apertado as mãos depois da indigitação. Na sequência dessas imagens, a internet decidiu recuperar um pequeno excerto de uma entrevista que Liz Truss deu à ITV quando ainda frequentava o ensino secundário na Roundhay School, em Leeds.

"Eu não sou contra qualquer um [dos membros da família real] pessoalmente, sou contra a ideia de que as pessoas podem nascer para governar. Que as pessoas, por causa da família onde nascem, podem tornar-se o chefe de Estado do nosso país. Acho que isso é vergonhoso", disse a futura primeira-ministra do Reino Unido, então com 18 anos.

A reação dos internautas à posição antimonárquica de Truss não tem sido unânime: se há quem ache normal uma mudança de opinião da adolescência para a idade adulta, outros apontam que aquele foi um "momento raro de lucidez" de Truss.

A própria ITV, que também partilhou o clip de vídeo, foi alvo de críticas: "Consigo lembrar-me de quando a ITV News era um canal decente, olhem para eles agora", apontou um utilizador do Twitter, em resposta ao vídeo partilhado pela estação. 

"Imaginem mudar de ideias sobre alguma coisa, desde quando tinhas 19 anos e quando tens 47. Aposto que nunca ninguém fez isso", escreveu um internauta no Twitter, respondendo à partilha. 

 

Mas também há quem pergunte "Oh Liz, o que aconteceu?", ou quem comente: "Um vídeo de um humano antes da radicalização". 

 

Num outro tweet, alguém escreve que a razão pela qual esta situação é "engraçada/interessante" é porque se trata de "uma trajetória comum" para a "classe média" britânica. "Arranjam convicções de esquerda na universidade e talvez as ostentem com orgulho, mas assim que têm o próprio dinheiro convenientemente esquecem-se de ter uma bússola moral".

 

Na altura em que a entrevista com a ITV foi gravada, Truss disse que os pais eram de esquerda e ela própria era membro do Partido Liberal Democrata. A agora primeira-ministra falava precisamente durante um evento do partido em Brighton, no qual discursou em palco a favor de uma moção para abolição da monarquia. "Nós, liberais-democratas, acreditamos em oportunidades para todos, acreditamos na justiça e no bom-senso", disse então, citada pela ITV.

Quando ingressou no Partido Conservador, Truss disse aos jornalistas que tinha percebido "quase imediatamente" que a posição antimonárquia  era um erro. Truss foi eleita no início primeira-ministra do Reino Unido, depois de ter vencido Rishi Sunak na corrida à liderança do Partido Conservador britânico, após a resignação de Boris Johnson.

Horas depois do anúncio da morte da rainha, a recém-empossada primeira-ministra britânica salientou, num discurso à nação, que o país "cresceu e floresceu" durante o reinado de Isabel II e que a monarca era o "espírito do Reino Unido".

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