Governo dos Açores não se opõe aos apoios para a recolha de lixo marinho, mas entende ser "necessário articular algumas matérias"

Agência Lusa , CF
28 jul, 22:53
Poluição na costa do Algarve (Foto: T. Mossholder/Unsplash)

O apoio dado à iniciativa do PAN contrasta com as declarações dos investigadores marinhos dos Açores, que tinham argumentado que esta iniciativa não se justificava: "os pescadores açorianos fazem a recolha do lixo de forma voluntária"

O secretário regional do Mar e das Pescas dos Açores, Manuel São João, disse esta quinta-feira que o Governo Regional não se opõe à criação de incentivos financeiros para que os pescadores recolham lixo marinho no arquipélago.

“Não nos opomos a esta medida aqui proposta pelo PAN, mas entendemos que é necessário articular algumas matérias, nomeadamente no que se refere à classificação dos portos da região e à sua gestão”, explicou o governante, ouvido quinta-feira pela Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do parlamento dos Açores.

Em causa está uma proposta apresentada pelo único deputado do PAN na Assembleia Legislativa dos Açores, Pedro Neves, que defende que os pescadores açorianos devem receber um “prémio monetário”, a definir pelo Governo, por cada quilo de lixo marinho recolhido no mar dos Açores e entregue nos portos da região.

O objetivo da medida, segundo explicou o proponente, é tentar reduzir o impacto ambiental dos resíduos nos ecossistemas marinhos, sobretudo os plásticos e as redes de pesca perdidas, que no seu entender, constituem um perigo, não apenas para os animais, como para a própria saúde humana.

“Temos assistido ao crescendo da poluição marinha e da concentração de micro e macro plásticos nos oceanos, que provocam um significativo impacto nos ecossistemas e biodiversidade marinha, originando zonas mortas nos oceanos e diversas lesões e mortes de animais marinhos”, pode ler-se na proposta que o partido entregou no parlamento, em junho.

O apoio que o Governo dos Açores dá agora à iniciativa do PAN contrasta, no entanto, com a discordância que os investigadores marinhos dos Açores manifestaram sobre esta mesma proposta, e que ficou patente na audição realizada esta quinta-feira, por Gui Menezes, diretor do instituto Okeanos, da Universidade dos Açores.

“Os pescadores açorianos estão hoje muito mais despertos para o problema do lixo marinho nos Açores e muitos deles fazem a recolha do lixo de forma voluntária”, explicou o investigador açoriano, que considera que este apoio agora previsto pelo parlamento, “não se justifica”.

Gui Menezes, ouvido pelos deputados, entende que a criação de um apoio financeiro para a recolha de lixo marinho pode colocar em causa o trabalho voluntário que muitas associações sem fins lucrativos habitualmente efetuam, de recolha de lixo nas zonas costeiras das ilhas, de forma gratuita.

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