Rui Tavares despede-se da liderança do Livre: "O partido está a reinventar-se"
Rui Tavares despede-se da liderança do Livre: "O partido está a reinventar-se"
Rui Tavares abandona liderança do Livre e garante que esta é a "evolução natural do partido"
"É preciso rodar os pontas de lança", diz, no arranque do congresso do partido.
"Toda a gente pode ficar orgulhoso com o que conquistou, mas a palavra de ordem é que ninguém fique satisfeito com o que já tem. Queremos mais porque queremos ajudar mais o país", disse Rui Tavares à entrada para o congresso do Livre. "É preciso rodar os pontas de lança", diz, no dia em que deixa de ser porta-voz do partido.O historiador afirma que "o Livre está sempre a repensar-se e a reinventar-se", mas que vai continuar a indignar-se e a lutar pela comunidadade "de maneira positiva e construtiva" e sem cair numa política "agressiva, egoísta e mal-criada que a gente ouve todos os dias".
Os trabalhos do 17.º Congresso do Livre arrancaram com um minuto de silêncio pelas vítimas do acidente de terça-feira com um autocarro no terminal de Agualva-Cacém, em Sintra, que provocou dois mortos e vários feridos.
A reunião magna do partido, que se iniciou com 45 minutos de atraso face ao programa, decorre no Hockey Club de Sintra, em Lisboa, onde cerca de 500 congressistas (presenciais e online) vão eleger os órgãos nacionais para os próximos dois anos.
O lema do congresso é “Uma liberdade maior”, frase espalhada pelo pavilhão, decorado em tons de verde e vermelho, com várias papoilas, símbolo do partido. À entrada do pavilhão, os congressistas são recebidos com a frase “A umbrosa Sintra, a formosa Sintra, quem não te ama?”, de Maria Gabriela Llansol, inspiração literária do congresso.
Estão também disponíveis vários brindes para os congressistas, como marcadores, pins com papoilas, panfletos alusivos à semana laboral de quatro dias - uma das bandeiras do partido - ou leques de papel.
A deputada Patrícia Gonçalves também anunciou que neste congresso está disponível uma “equipa de cuidados”, com dirigentes responsáveis por apoiar quem precisar de ajuda emocional, ou estiver numa "situação de vulnerabilidade".
Ao Grupo de Contacto (direção) candidatam-se três listas.
A lista A é encabeçada por Isabel Mendes Lopes – atual porta-voz do partido e líder parlamentar – e tem como número dois Jorge Pinto, deputado que foi candidato às eleições presidenciais de janeiro. Ambos se propõem a ocupar o cargo de porta-voz, em dupla.
Em terceiro lugar nesta lista surge Rui Tavares, que está de saída do cargo de porta-voz e se propõe a ficar na direção com o “pelouro da estratégia, comunicação e formação”.
Apesar de Rui Tavares não sair da direção, e sendo expectável que continue no núcleo duro, esta reunião magna deverá marcar um novo ciclo.
À direção candidatam-se mais duas listas, a S, encabeçada pelo dirigente Rodrigo Brito, e a V, com Tiago Mota a número 1. Estes dois dirigentes já integram a direção de forma minoritária, uma vez que a eleição é feita através do método de Hondt, contando com membros de todas as listas candidatas.
As duas convergem nas acusações de uma excessiva centralização nas figuras dos porta-vozes e do grupo parlamentar, apelando a uma maior democracia interna e ligação com as bases.
Este fim de semana, os membros e apoiantes do Livre vão também eleger a Assembleia, órgão máximo entre congressos, composta por 50 membros, e o Conselho de Jurisdição.
