Congresso do Livre: dirigente pede revisão do regulamento das primárias

Agência Lusa , MJC
11 mai, 12:53
Congresso do LIvre em Almada (Lusa/António Cotrim)

Patrícia Gonlaves, presidente da assembleia, defendeu que é "preciso ter humildade" para reconhecer erros e "prosseguir de cabeça erguida"

O 14.º Congresso do Livre arrancou hoje, em Almada, com a presidente da Assembleia cessante a reconhecer a necessidade de melhorar as primárias mas a atirar à falta de coragem de outros partidos.

A reunião magna, que decorre até domingo no pavilhão municipal de Costa de Caparica, em Almada, no distrito de Setúbal, começou com cerca de quarenta minutos de atraso e a primeira intervenção coube à presidente da Assembleia cessante, órgão máximo entre partidos. Patrícia Gonçalves abordou um dos temas quentes desta reunião magna, o processo de primárias, depois da eleição do cabeça de lista às eleições europeias, Francisco Paupério, ter gerado polémica e algumas discórdias internas.

"O regulamento das primárias que tanto tem dado que falar tem que ser revisto", admitiu Patrícia Gonçalves. Contudo, a dirigente salientou que o Livre "escolheu fazer política de forma diferente", sendo o único partido no país que utiliza este método para escolher os candidatos a eleições, e defendeu que é "preciso ter humildade" para reconhecer erros e "prosseguir de cabeça erguida".

"Não há nenhum partido em Portugal com processos mais democráticos do que o Livre. (…) Lembrem-se dos outros que não têm a coragem da abertura que nós temos, não o querem fazer e não o vão fazer", atirou. A dirigente apelou à união interna, salientando que o Livre "será sempre tão forte quanto mais fortes forem os seus órgãos". "Ajudemos o partido a crescer e a consolidar-se. Trabalhemos uns com os outros e não uns contra os outros. Tenhamos muito cuidado com a forma como nos tratamos. Discordemos de forma franca e de boa-fé", apelou.

Logo de seguida, o dirigente Ricardo Sá Fernandes, do Conselho de Jurisdição cessante deu conta que nos últimos dois anos foram registados 10 participações disciplinares sendo que nenhuma deu lugar a sanção. "A maior parte por abuso de linguagem que pode pôr em causa o princípio da urbanidade", alertou.

Sá Fernandes, que após três mandatos deixa o Conselho de Jurisdição, deixou um agradecimento e pedidos de “bom senso” e “urbanidade” aos membros e apoiantes presentes. Logo de seguida, foi proposto um voto de louvor ao trabalho do dirigente Sá Fernandes, momento aplaudido de pé pelos congressistas presentes.

O palco da 14.ª reunião magna está iluminado com as cores do Livre, verde, vermelho, roxo e amarelo, juntamente com as clássicas papoilas, e pela sala estão espalhadas algumas bandeiras do partido, num espaço significativamente maior comparado a outras reuniões magnas. Junto ao púlpito lê-se uma frase de um dos poemas de Ruy Belo: "Chegava o mês de maio, era tudo florido, e tudo era possível, era só querer".

No primeiro dia da reunião magna, que terminou na madrugada de sexta-feira num formato exclusivamente 'online', os congressistas divergiram sobre o número de pessoas nas quais cada militante pode votar para integrar a Assembleia, órgão máximo entre congressos. Este órgão tem candidaturas uninominais e é composto por 50 membros. Segundo o regimento aprovado - e que ao final de quatro horas não sofreu alterações - cada congressista pode votar em 36 nomes, sendo eleitos os 25 homens mais votados e 25 mulheres mais votadas.

Houve membros, entre eles o deputado Jorge Pinto e o chefe de gabinete do partido na Assembleia da República, Tomás Cardoso Pereira, que defenderam que cada congressista deveria poder votar em mais nomes, passando para 50, argumentando que isso daria a hipótese de cada votante escolher pessoas novas além das que já conhece, uma vez que o partido cresceu e tem mais militantes.

Por outro lado, outros congressistas contrapuseram que este número deveria diminuir, sustentando que tal possibilitaria a presença de várias correntes do partido neste órgão, alegando que estava em curso uma tentativa de condicionamento da pluralidade interna. "Não transformem o Livre num partido monolítico", apelou a dirigente Inês Cisneiros.

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