As esplanadas foram retiradas, os carros voltaram. Como a rua mais "verde" de Lisboa perdeu a "magia" (mas há uma boa notícia)

27 mai, 20:00
A "Rua Verde" de Lisboa está decorada com inúmeras plantas e já tem página no Instagram

As fotografias da "Rua Verde" com automóveis estacionados onde outrora havia espaços de convívio geraram grande indignação nas redes sociais. A Junta de Freguesia da Misericórdia explica o que aconteceu

Começaram a chamar-lhe "Rua Verde" quando em plena pandemia se transformou num pequeno jardim no coração de uma das zonas mais antigas de Lisboa: os carros foram proibidos, as esplanadas ocuparam a estrada, os passeios foram decorados com inúmeras plantas e o movimento de pessoas tornou-se constante. Depressa, esta rua tão estreita da cidade, ali bem perto do bairro de Santos, começou a atrair não só locais, como muitos turistas e curiosos. O fenómeno de bairro estendeu-se às redes sociais: a "Rua Verde" passou a "Green Street" e até lhe foi criada uma página no Instagram. "Uma rua mágica", diz quem lá passava. Tudo isto mudou radicalmente, no entanto, há poucos dias. Para muitos, o cenário encontrado agora é desolador.

Procurámos a explicação para uma mudança tão abrupta na rua que, na verdade, não é ‘green’ nem sequer é 'verde' mas Rua da Silva, de seu nome. A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira (PS), afirma à CNN Portugal que as esplanadas deixaram de existir porque as licenças eram temporárias: foram concedidas especialmente para o período da pandemia, numa altura em que a Direção-Geral da Saúde recomendava o distanciamento social e os convívios ao ar livre.

“Foi um projeto criado na pandemia para criar clientes fora dos estabelecimentos. Criou-se uma zona de esplanadas, com licenças que foram prorrogadas. Estas esplanadas eram provisórias e estas licenças provisórias acabaram a 31 de março. A partir de 1 de abril ou passavam a esplanadas definitivas ou eram retiradas”, refere.

As licenças são atribuídas pela junta de freguesia, mas é a Câmara Municipal que dá a autorização para o condicionamento do trânsito na rua. E sem essa autorização não é possível fechar a rua aos automóveis e permitir mesas e cadeiras na estrada.

Mas desde cedo, frisa Carla Madeira, a junta mostrou interesse em que o projeto pensado apenas para a pandemia se tornasse definitivo. “É um projeto positivo. Um projeto que era provisório, mas que tinha condições para se tornar definitivo”, sublinha. E foi isso que foi transmitido à autarquia em fevereiro e depois também em março. “Informámos a câmara e pedimos pareceres de condicionamento de trânsito”, acrescenta.

Entretanto, a responsável diz que a junta de freguesia foi “informando periodicamente” os  estabelecimentos de que tinham de retirar as esplanadas porque “não havia autorização de condicionamento de trânsito”.

Apesar disso, a rua continuou “verde” para lá de 31 de março. As esplanadas "continuaram sem autorização”, vinca Carla Madeira.

Só há poucos dias os proprietários acabaram por retirar as mesas e as cadeiras que ocupavam a estrada. As fotografias partilhadas nas redes sociais com automóveis estacionados onde outrora havia espaços de convívio geraram grande indignação.

Mas há boas notícias para quem já tem saudades de desfrutar em pleno da rua com mais plantas da cidade: a Junta de Freguesia da Misericórdia revela à CNN Portugal que recebeu esta semana o parecer da câmara para o condicionamento do trânsito, ou seja, a autorização que faltava para fechar a rua aos automóveis.

Carla Madeira adianta que a junta já está a recolher os pedidos de licenciamento para dar luz verde às esplanadas. Uma informação que é confirmada por Catarina Vieira, gerente do restaurante "A Obra". "Nós já hoje vamos ter esplanada", acrescenta. 

A Junta da Misericórdia está confiante de que “dentro de dias” a Rua da Silva volte a ser “Verde” (ou “Green”), mesmo a tempo dos Santos Populares.

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