A mesma tecnologia semiautomática de fora de jogo, o mesmo árbitro (o polaco Szymon Marciniak esteve no Argentina-França e no Atlético-Real Madrid), a mesma irregularidade e uma decisão diferente do VAR
Agora já não há dúvidas que Julian Alvarez tocou duas vezes na bola, mas antes de surgir as imagens da TNT Sports, só o VAR conseguia ter a certeza de que houve de facto uma irregularidade, e que o penálti do jogador do At. Madrid tinha de ser anulado.
Ora segundo a especialista em arbitragem Christina Unkel explicou à CBS Sports, não é surpreendente que isso aconteça, porque o VAR, em jogos da Liga dos Campeões, tem acesso à tecnologia semiautomática de fora de jogo, ainda que o mecanismo seja menos completo do que aconteceu, por exemplo, no Mundial 2022.
É que, ao contrário do que aconteceu no Qatar, a tecnologia semiautomática de fora de jogo não tem na Champions o chip incorporado dentro da bola, para dar um sinal ao VAR de quando há de facto toque na bola.
«Não há chip dentro da bola, mas há 26 diferentes câmaras da tecnologia semiautomática de fora de jogo, mais uma câmara incorporada na bola, o que dá ao VAR uma nova camada de informação precisa e exata de quando há um toque na bola», garantiu Christina Unkel.
Foi esta tecnologia semiautomática de fora de jogo, mesmo sem chip na bola, que permitiu ao VAR avisar o árbitro da irregularidade no penálti batido por Julian Alvarez, e bem.
O que de facto é surpreendente é que a mesma tecnologia semiautomática, mas ainda mais completa, porque tinha o tal chip dentro da bola, não tenha tido a mesma eficácia para anular o penálti de Messi na final do Mundial 2022.
No jogo decisivo frente à França no Qatar - curiosamente arbitrado, tal como o Atlético Madrid-Real Madrid, pelo polaco Szymon Marciniak - a Argentina inaugurou o marcador num penálti convertido por Messi, em que de facto há também dois toques na bola: o capitão bate com o pé esquerdo, a bola desvia no pé direito e engana Lloris.
Ora o Maisfutebol procurou a resposta junto de especialistas em arbitragem, tendo sido referido que não há uma explicação óbvia para esta diferença de eficácia da tecnologia.
Só há, aliás, duas justificações possíveis.
A primeira é incompetência dos árbitros, que não aproveitaram a presença de um sensor capaz de captar um toque com uma precisão de 500 vezes por segundo.
A segunda justificação possível é que, como a tecnologia semiautomática era uma novidade no Qatar, o VAR pode ter-se concentrado em utilizá-la apenas para foras de jogo e esquecido que também servia para ver duplos toques na bola.
O penálti de Lionel Messi no Mundial:
O penálti de Julian Alvarez: