O homem que faz o campo esperar

17 jun, 10:30
Messi (imahem AP)
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ENSAIO || Lionel Messi estreou-se no Mundial de 2026 com um hat-trick à Argélia. Dito assim, parece que este texto devia começar nesse jogo, nos três golos, na idade impossível, no corpo que já devia ter pedido licença ao tempo e ainda aparece, de repente, para o desmentir. Não começa. Desse jogo muito se escreverá, e talvez se escreva bem, talvez se escreva depressa demais, talvez se escreva enquanto a história ainda está a suar. Este texto vem de antes e fica para depois. É outra coisa. Um texto da minha devoção

O futebol, às vezes, fica quieto.

Ou parece ficar.

Não quieto como ficam as bancadas antes de um penálti, esse silêncio elétrico, obediente, quase supersticioso, em que toda a gente sabe que alguma coisa vai acontecer e, ao mesmo tempo, ninguém sabe nada. Quieto de outra maneira. Quieto por suspensão. Como se o jogo, feito para correr, bater, ocupar, empurrar, pressionar e voltar a pressionar, aceitasse durante um segundo a ordem inversa: parar para perceber o que um homem pequeno vai fazer com uma bola.

E então o campo espera.

Quem gosta de futebol tem os seus momentos Messi. Não são necessariamente os golos mais importantes, nem os que aparecem primeiro nas compilações, nem os que vêm acompanhados por narrações argentinas a rebentar contra a garganta, embora também possam ser esses, porque há coisas que pedem excesso, e a Argentina, tantas vezes, foi o excesso à espera de um pé esquerdo. Mas às vezes é apenas um passe. Uma receção. Uma pausa de meio corpo. Um toque que não parece toque, porque a bola não muda de dono, muda de destino. Às vezes é só o modo como ele caminha antes de fazer tudo. A cabeça baixa. O corpo quase ausente. Aquele andar de homem que não está a fugir a ninguém e, por isso mesmo, parece sempre chegar antes dos outros.

Há um desses momentos, entre tantos, que serve para começar.

Camp Nou, 30 de maio de 2015, final da Taça do Rei, Barcelona contra o Athletic. Messi recebe na direita, demasiado perto da linha lateral para haver grande coisa a inventar. O jogo, visto de cima, diria que ele tem poucas hipóteses. A linha tira-lhe metade do campo. Os defesas aproximam-se. Há corpos bascos, pernas, ombros, a geometria habitual do futebol quando uma equipa quer dizer a um génio que ali não passa, que não pode passar, que desta vez talvez seja melhor devolver atrás, respirar, recomeçar, aceitar o mundo como ele é. Ele recebe e, durante uma fração de tempo, quase parece obedecer.

Quase.

A bola fica colada ao pé esquerdo. O corpo inclina-se para fora. O primeiro adversário acompanha. Depois acontece a primeira mentira. Não é uma finta espalhafatosa, não é um número de circo, não é essa alegria barulhenta que obriga o público a levantar-se antes de perceber. É uma deslocação mínima da anca, um engano pequeno, quase doméstico. O defesa compra. O segundo vem tarde. O terceiro já vem a correr contra uma ideia que deixou de existir.

Messi entra por dentro.

Tenho a memória desse golo, ou talvez a memória já venha contaminada por demasiadas repetições, como uma imagem que foi vista tantas vezes que deixou de pertencer ao primeiro dia. Mas lembro-me da sensação, que é o que fica quando a repetição já não explica nada: ele estava cercado, e mesmo assim parecia ser o único homem em campo que não estava preocupado com a saída.

Não corre como os outros correm. Os sprinters parecem atacar o espaço. Messi parece encurtá-lo. A cada toque, o relvado perde metros. A bola não lhe foge, mas também não se submete, vai sempre à frente o suficiente para parecer livre e sempre perto o suficiente para ser recuperada. Isto talvez seja o centro do assombro, ou uma parte dele, porque com Messi há sempre uma parte que fica de fora. A bola parece ter vontade própria, mas a vontade própria da bola é a vontade dele.

Há um quarto adversário. Depois um quinto. Há uma área a fechar-se. Há a solução evidente — cruzar, esperar, devolver atrás, recomeçar a jogada como fazem as pessoas sensatas, as equipas sensatas, os jogadores que conhecem a proporção exata dos riscos. Messi escolhe a solução que só existe quando já foi executada. Remata ao primeiro poste. A bola passa por onde não havia passagem, como se a baliza, também ela, tivesse sido persuadida. Durante um instante, o estádio não celebra. Primeiro tenta compreender.

Depois explode.

O que aconteceu ali não foi apenas um golo. Os golos são coisas demasiado contabilizáveis para explicarem Messi. Aquilo foi a demonstração breve de uma impossibilidade. Um homem cercado por outros homens encontrou uma saída que o campo, até então, não tinha desenhado.

Sobre Lionel Andrés Messi, jornalisticamente, há pouco de novo a dizer. Nasceu em Rosario, foi criança pequena num país imenso, atravessou o Atlântico, cresceu no Barcelona, tornou-se recorde, tristeza, seleção, frustração, redenção, Paris e Miami, Argentina outra vez, agora que escrevo. Ganhou quase tudo, perdeu coisas suficientes para a felicidade nunca parecer simples, carregou um país que durante anos o amou com a violência especial com que se ama alguém de quem se espera uma salvação. Chamaram-lhe herdeiro, chamaram-lhe desertor, chamaram-lhe génio, frio, chamaram-lhe Deus, chamaram-lhe menos do que Maradona, mais do que Maradona, ou diferente de Maradona, e tudo isso é verdade e não é verdade, porque as comparações servem sobretudo para ocupar o tempo antes de a bola lhe chegar ao pé.

Este texto não é uma biografia. Não tenho essa pretensão. Também não é um ajuste de contas entre Barcelona e Argentina, entre o antigo futebol europeu e o novo futebol americano, entre a criança de Rosario e o homem de barba que agora joga de rosa, uma camisola improvável, longe do Camp Nou, longe da Argentina, longe de quase tudo o que o explicou. É outra coisa, mais simples e, por isso, mais difícil. Uma tentativa de perceber o que sentimos quando o vemos jogar. Ou, melhor, uma tentativa de perceber por que razão, vendo-o jogar, tantas vezes deixamos de querer perceber.

A beleza não é o objetivo do futebol. O futebol quer golos, pontos, títulos, dinheiro, audiências, contratos, lesões evitadas, pressão alta, transições rápidas, mapas de calor, intensidade, os duelos ganhos, metros percorridos, expected goals, jogadores a morder a relva como se a relva tivesse culpa. Não tem. O futebol moderno quer explicações. Quer transformar o caos numa tabela. Quer que tudo tenha nome, zona, métricas, probabilidades, analistas a fazer o clipping para a reunião técnica. E, ainda assim, por acidente ou por milagre laico, o futebol produz beleza. Não sempre. Nem sequer muitas vezes. Mas produz. E a beleza que Messi produz não é a beleza atlética do salto, da força, da violência limpa de um corpo que domina outro corpo. É outra. Mais baixa, talvez. Mais rente ao chão, sim. A beleza de alguém que parece ter feito as pazes com a gravidade — é isso.

No futebol moderno fala-se pouco de beleza sem pedir desculpa. Fala-se de eficácia. De agressividade. De mentalidade competitiva. De carácter. De monstros e de máquinas e de guerreiros. O vocabulário é quase sempre bélico ou industrial, talvez porque seja mais confortável dizer que um extremo ataca a profundidade do que admitir que houve, naquele passe entre dois centrais, uma forma de ternura. Messi tornou isto um problema. Nunca pareceu guerreiro. Nunca pareceu máquina. Mesmo quando destruiu equipas inteiras, fê-lo com a aparência enganadora de quem não se zangou com ninguém.

Foi essa a primeira confusão. Durante anos, como era baixo, como era tímido, como não fazia do corpo uma ameaça teatral, tentou-se descrever Messi com palavras que vinham da infância: mágico, menino, duende, pulga. Havia carinho nisso, mas havia também uma insuficiência. Messi nunca foi um truque. Um truque acaba quando se explica. Messi, quanto mais se explica, mais estranho fica.

Vê-lo na televisão ajuda pouco.

A televisão aproxima-nos do rosto, do suor, da barba, da meia baixada, da tatuagem na perna, da relva presa à bota, mas rouba-nos uma parte essencial da revelação: o espaço. Na televisão, o campo é uma superfície domesticada. As câmaras mandam na distância, comprimem, disfarçam, escolhem a bola como centro moral do mundo. Quem vê de casa acompanha o que acontece. Quem vê no estádio, se tiver sorte, percebe antes o que vai acontecer. E é nessa diferença, nesse segundo anterior ao lance, quando o público ainda segue a bola e ele já segue uma ausência, que Messi deixa de ser apenas o homem que tem a bola para passar a ser o homem que já tinha o campo.

Ao vivo, uma das coisas mais espantosas em Messi é aquilo que ele faz sem bola. Não se trata de correr muito. Pelo contrário. Há muitos minutos em que parece estar a poupar-se ao jogo, e talvez esteja, porque os génios também envelhecem, também respiram, também fazem contas ao corpo. Caminha. Observa. Afasta-se da zona onde o futebol se tornou barulho. Encosta-se a um intervalo entre linhas. Olha para um central, depois para o médio, depois para o lateral que ainda não sabe que, daqui a segundos, será tarde demais. A cabeça roda. O corpo espera. Há jogadores que entram no jogo pela velocidade. Messi entra pelo reconhecimento.

E depois para.

E esse parar não é descanso. É uma pergunta.

A idade, em vez de o diminuir, tornou-o mais legível. O Messi adolescente fazia coisas que pareciam escapar da física: arranques curtos, mudanças de direção, explosões de tornozelo, a bola presa a ele como se houvesse um fio invisível entre o peito do pé e o couro. O Messi adulto, e depois o Messi tardio, este que vemos hoje, já não precisa de ganhar sempre a corrida inteira. Ganha o primeiro metro mental. Às vezes nem isso: ganha o instante anterior ao primeiro metro. O corpo perdeu alguma exuberância. O jogo, em troca, ficou mais claro. Como certos músicos que, ao envelhecer, deixam de tocar todas as notas porque já sabem quais chegam.

A técnica, em Messi, parece pensamento.

Dito assim, parece uma frase de algibeira. Não é bem isso. Ou não é só isso. O futebol é demasiado rápido para permitir grandes raciocínios durante a ação. Uma bola recebe pressão, um adversário salta, outro cobre, uma linha fecha, uma opção nasce e morre no mesmo segundo. A maior parte das decisões não passa por palavras. O corpo decide antes de a frase se formar. Em Messi, porém, o corpo parece decidir com gramática. O primeiro toque já contém o segundo. O segundo já desmente o defesa. O terceiro não é continuação, é consequência.

A sua perna esquerda não é apenas dominante. É uma espécie de instrumento de medição. Mede a relva, o peso exato da bola, a ansiedade do adversário, o ângulo morto do guarda-redes, a pequena desordem numa linha defensiva que, vista de longe, parece perfeita e, vista por ele, já tem uma fissura. Há jogadores que batem na bola com o pé. Messi parece escrever com ele, mas numa língua curta, quase sem adjetivos, e talvez por isso tão difícil de traduzir. Um toque para atrair. Outro para esconder. Outro para soltar. A simplicidade, muitas vezes, é a parte mais insolente e bela. 

Pense-se num passe vertical de Messi. A televisão mostra-nos a bola a atravessar duas linhas e o avançado a aparecer isolado. O estádio permite ver o crime desde o início. Messi recebe, mas não olha logo para onde vai passar. Se olhasse, denunciava-se. Primeiro chama alguém. Um médio aproxima-se. Um central hesita. O lateral fecha por dentro meio passo. Esse meio passo é tudo. A linha que não existia abre-se pelo tempo exacto em que uma linha pode existir. Messi coloca a bola ali. Não com força, não com aparato. Coloca. E, de repente, a equipa adversária percebe que não estava organizada, estava apenas inteira à espera de ser dividida.

Talvez esteja aí o mais fundo. Messi não vê buracos. Cria-os. Ou, mais precisamente, leva os outros a criá-los por ele. O futebol, que para quase todos é ocupação de espaço, nele torna-se manipulação da esperança alheia. O defesa acredita que ainda chega. O médio acredita que fechou a linha. O guarda-redes acredita que a bola vai ao outro canto. Messi trabalha nesse intervalo entre a crença e o desmentido.

No Qatar, a 26 de novembro de 2022, contra o México, havia uma angústia diferente. A Argentina não estava só a jogar mal, estava a perder a narrativa que tinha trazido de casa. Havia no ar aquela coisa insuportável que acontece às equipas demasiado carregadas de destino: cada passe falhado parece uma sentença, cada minuto transforma-se numa pergunta sobre o passado inteiro. Messi apareceu à entrada da área, recebeu de Di María e bateu rasteiro, de longe, para o canto. Lembro-me desse remate como uma coisa quase feia antes de ser bonita, um gesto seco, sem adorno, a bola a sair baixa, o estádio ainda sem saber se podia acreditar. Tecnicamente, já tinha feito golos mais difíceis. Esteticamente, já tinha desenhado coisas mais belas. Mas há gestos que valem pelo que interrompem. Aquele remate interrompeu o medo de um país.

Depois veio o resto. A caminhada. A Holanda. A Croácia. A França. A final que parecia inventada por algum argumentista sem noção de contenção dramática. O corpo exausto a insistir. Os penáltis. As mãos no troféu. Durante anos, disseram que lhe faltava aquilo. O Mundial. A prova última. A peça que faltava para a estátua deixar de ter uma sombra. É uma forma pobre de ver Messi, mas também é compreensível. O futebol precisa de objectos. Taças, medalhas, fotografias com taças e com medalhas. A beleza precisa menos, mas nós precisamos muito.

Talvez por isso aquele Mundial tenha parecido, para tanta gente, uma vitória. Claro que foi uma vitória. Mas havia ali outra coisa, mais séria: uma absolvição. Não dele, que nunca precisou de ser absolvido por não ganhar um torneio com onze homens contra onze homens. Nossa. De quem viu e, ainda assim, pediu mais. De quem confundiu beleza com dívida. De quem exigiu que o génio tivesse comprovativo.

E, no entanto, há qualquer coisa religiosa na experiência Messi que não tem que ver com troféus. Não é religião no sentido de fé organizada, altar ou joelhos no chão. É outra coisa: a sensação rara de que um corpo humano, limitado como todos os corpos, encontrou durante uns segundos uma forma de ultrapassar a sua própria limitação sem a negar. Messi não voa. Não se torna maior. Não elimina a gravidade. Aceita-a tão bem que a usa contra os outros.

Isto distingue-o de quase todos. Cristiano Ronaldo, no seu auge, parecia uma resposta furiosa à condição humana: salto, músculo, repetição, vontade, o corpo construído como uma torre contra a decadência. Maradona parecia possessão: a bola, o povo, a raiva, Deus e o diabo no mesmo peito. Zidane parecia cerimonial. Ronaldinho, uma infância sem polícia. Messi parece outra coisa, e não sei se a frase aguenta o peso, mas talvez seja isto: uma pequena correção ao mundo. Como se dissesse, sem dizer, que a realidade estava quase certa, mas precisava de um toque de pé esquerdo.

É por isso que muitos dos seus melhores momentos acabam por parecer íntimos, mesmo quando acontecem diante de uma multidão. Há nele uma ausência de proclamação. Marca e aponta pouco. Sofre e encolhe-se. Celebra como quem regressa de uma sala onde esteve sozinho. Até a alegria, em Messi, parece primeiro passar por dentro antes de chegar à cara. 

Os génios não se impõem como espetáculo de si mesmos. Acontecem, e só depois se lembram de que estamos todos a ver.

Com o tempo, o futebol tentou alcançá-lo por todos os meios. Mais dados. Mais pressão. Mais ginásio. Mais laboratórios. Mais laterais interiores. Mais centrais construtores. Mais treinadores a explicar o jogo em ecrãs tácteis como se explicassem uma cirurgia ao coração. Tudo isso tornou o futebol melhor, sim, mais complexo e mais veloz, por vezes mais sufocante. Messi atravessou essas eras todas. Foi extremo, falso nove, dez, médio, organizador, finalizador, vertigem e repouso. Adaptou-se não porque mudou de essência, mas porque a essência era maior do que a posição.

Agora, quando aparece em Miami, há uma estranheza doce. O rosa da camisola, o calor húmido, os estádios americanos a tentar aprender uma devoção que noutros lugares já vem de antes dos avós, o espetáculo à volta, os telemóveis levantados antes de ele tocar na bola. Messi tornou-se também uma atração, e há nisso alguma melancolia, como há sempre alguma melancolia quando aquilo que amamos passa a ser também uma indústria à sua volta. Mas depois a bola chega-lhe. E, por um instante, ou ruído baixa. O relvado volta a ser o que sempre foi: um espaço com homens, linhas, medo, desejo. E uma pergunta.

A pergunta é quase sempre a mesma.

Como é que ele viu aquilo?

Não há resposta suficiente. Pode falar-se do centro de gravidade, da aceleração curta, da relação entre o pé esquerdo e a bola, da orientação corporal, da visão periférica, da aprendizagem desde criança, dos milhares de horas em campos de treino, das ruas de Rosario, da escola de La Masia, de Guardiola, de Xavi e Iniesta, de Di María, de Scaloni, da genética, do acaso. Tudo isso explica alguma coisa. Nada disso explica o momento em que ele recebe entre três adversários e o estádio, antes de gritar, parece prender a respiração porque percebeu que a solução ainda não existe, mas vai existir.

Talvez seja essa a experiência. Não ver um homem fazer o impossível. O impossível, no desporto, talvez seja só uma coisa que ainda não tínhamos visto e que, depois de acontecer, nos envergonha um pouco por não a termos imaginado. A experiência é outra: ver alguém ampliar, por um segundo, a nossa ideia de possível. Não no discurso, não na moral, não na lição, mas no corpo. Um corpo baixo, gasto, humano, finito, capaz de pegar num jogo velho e encontrar nele uma coisa nova.

Depois a jogada acaba. O árbitro apita. A bola volta ao meio. Os jogadores bebem água. As bancadas voltam ao ruído. A televisão repete o lance de três ângulos e tenta dar-nos o que já passou. Nós vemos outra vez, e outra vez, e outra vez. Pausamos no toque exato. Recuamos. Aproximamos. Procuramos o segredo como quem procura a prova de um milagre.

O segredo, claro, nunca está lá.

Está no segundo em que ninguém respirou.

Está no campo, talvez.

Ou no modo como o campo, por um instante, pareceu esperar por ele.


Nota final - Este texto bebe, sem esconder a sede, do texto mais fundamental, e talvez mais monumental, que algum homem escreveu sobre desporto: aquele em que David Foster Wallace viu Roger Federer e percebeu que às vezes um corpo, só por existir no ponto exato entre o impossível e a técnica, nos devolve a fé em qualquer coisa para a qual ainda não encontrámos nome.

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