Adão e Silva desvaloriza críticas ao Acordo Ortográfico. “O Português que falamos hoje tem muito pouco a ver" com a língua de Camões

Agência Lusa
5 mai, 18:49
Pedro Adão e Silva (Lusa/José Sena Goulão)

Relembrou, no entanto, que esta matéria "não depende do ministro da Cultura"

O ministro da Cultura português disse esta quinta-feira, em Luanda, que “não se coloca neste momento em Portugal” a revisão do Acordo Ortográfico, apesar das críticas, e enalteceu a riqueza do português em Angola.

“Esta questão [revisão do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em Portugal] não está em cima da mesa neste momento. Todos os acordos ortográficos ao longo da história foram sempre alvo de críticas”, afirmou o ministro Pedro Adão e Silva.

Em declarações à Lusa, em Luanda, à margem da cerimónia solene de comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, o governante português referiu ainda que a esta “é uma matéria que não depende do ministro da Cultura”.

As celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa decorreram na sede do Ministério das Relações Exteriores angolano, em Luanda, “Capital da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) 2022”.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, assinado pelos países da CPLP visando uma ortografia unificada do português, não foi ratificado por Angola até agora.

“A avaliação que faço do Acordo Ortográfico é positiva, mas nós devemos saber articular aquilo que é a norma, a existência de normas gramaticais, ortográficas, é um fator de inclusão, é um fator que permite combater as desigualdades, trazer aqueles que estão fora para dentro”, referiu Pedro Adão e Silva.

“Mas temos sempre uma língua viva, dizemos que é a língua de Luís de Camões. O português que falamos hoje tem muito pouco a ver com o que falado por Luís de Camões, a ortografia d' 'Os Lusíadas' tem aspetos que não são os que nós hoje consideramos a norma”, sustentou.

Para o governante português, “é necessário saber combinar a esse respeito a importância da norma com abertura para perceber que as línguas são, por definição, dinâmicas, estão sempre a mudar e a mudança vem precisamente da forma como os mais jovens se apropriam dela”.

Sobre o posicionamento de Angola, que não ratificou o acordo, o ministro da Cultura português disse respeitar a opção do país africano, observando que não é isso que impede a partilha de uma comunidade construída em torno da língua.

E “é também verdade que o português em Angola tem uma riqueza, uma diversidade e uma variedade e até uma espécie de modernidade que é muito positiva para o português”.

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