Treinador do FC Porto, destacou a paciência que os dragões tiveram para conseguir levar de vencida o V. Guimarães
Francesco Farioli, treinador do FC Porto, em declarações na Flash Interview da Sport TV após a vitória por 1-0 sobre o V. Guimarães, na 18.ª jornada da Liga.
Paciência foi a chave do encontro
«Ter paciência, porque no fim há jogos que exigem isso. Tivemos capacidade para sofrer, criámos um bom número de oportunidades, dois penáltis, uma bola ao poste e mais algumas boas jogadas. Eles também tiveram a sua oportunidade, o Diogo fez duas grandes defesas. Mas, mais uma vez, acho que temos de estar muito felizes. Fizemos 30 pontos em dez jogos fora, por isso penso que, novamente, temos de dizer um grande obrigado pelo que estes jogadores estão a fazer. E também sentir orgulho, porque aqui ninguém é um super-herói. Somos uma equipa de trabalhadores, temos muito orgulho em representar as pessoas da classe trabalhadora. E penso que esta noite foi muito sobre isso, e fizemo-lo com a energia certa também hoje frente a um adversário muito forte.»
Falta de agressividade
«Foi um dos pontos que nos tomou algum tempo, porque penso que na primeira parte sofremos um pouco. Tratou-se mais da capacidade de virar aqueles cinco por cento dos duelos e cinco por cento das segundas bolas a nosso favor, porque no fim, com bola, tivemos grandes momentos. Tivemos alguma dificuldade nos primeiros 15, 20 minutos para chegar e pressionar da forma que queremos, mas depois, ao longo do jogo, foi muito melhor. Mas, como diz, a energia que o Vitória colocou no início do jogo foi impressionante. É uma equipa, naturalmente, muito bem organizada e também com perfis físicos incríveis: muito fortes e muito poderosos, fortes no jogo aéreo e no espaço aberto. Por isso sofremos, mas pelo menos lutámos, mantivemos o resultado em 0–0 e, na segunda parte, penso que melhorámos um pouco e isso deu-nos o resultado.»
14.º jogo sem sofrer
«Sim, significa muito, se não estou errado é a 14.ª clean sheet, o Diogo Costa ajudou-nos muito, bem como os jogadores que defenderam com muita energia quando era para cortar a bola, bloquear os remates. E quero destacar o Alan Varela. Ele veio ao banco pedir a bola para marcar o penálti, uma grande personalidade, e fico mesmo muito feliz por ele, porque merecia.»
William Gomes também queria marcar o penálti
«Digamos que, na hierarquia, o marcador de penáltis era o William, mas o Alan veio ao banco com a confiança e o sentimento de que precisávamos. É um jogador que para nós é muito importante. Nunca dá um passo em frente quando não é o momento certo. Hoje penso que foi um bom gesto da parte dele pedir a bola, porque era uma bola muito pesada, difícil de colocar sobre os ombros de um jogador de 19 anos. Acho que ele assumiu a responsabilidade. O William esteve absolutamente de acordo com a ideia de lhe ceder o penálti. É um gesto de uma equipa que trabalha pelo que é melhor, que dá prioridade a quem precisa. Penso que ele foi o primeiro a chegar para celebrar com o Alan, e isso é fantástico.»
Samu falhou um penálti
«Os erros fazem parte do futebol, é preciso deixá-los no passado. Eu fiquei um pouco louco durante os dois minutos a seguir ao penálti, porque para ele foi difícil e é normal. Ele é um homem grande, mas é um jogador de 21, 22 anos, por isso é normal com a responsabilidade que tem. Ele sente isso e quer assumir essa responsabilidade. Sentiu o peso do erro, mas depois do penálti teve uma progressão muito boa. Penso que na segunda parte deu um passo em frente e jogou muito melhor do que na primeira. E depois, mais uma vez, não podemos estar no topo todos os dias. Já disse antes: aqui não há super-heróis. É apenas um grupo de pessoas que gosta de trabalhar e de empurrar na mesma direção. No final do jogo veio ter comigo para pedir desculpa e eu disse-lhe que não havia razão para pedir desculpa. Ainda por cima com um resultado importante e uma grande vitória.»