Tondela-V. Guimarães, 0-1 (crónica)

Estádio João Cardoso, Tondela
8 nov, 20:32

Deuses salvam o Vitória

Texto: Arménio Pereira

Um golo de penálti de Oumar Camara, já em tempo de compensação (90+2m), assinalado com recurso ao VAR, permitiu ao Vitória sair de Tondela com os três pontos e respirar melhor após duas derrotas consecutivas.

As duas equipas encontraram-se no Estádio João Cardoso em Tondela pressionadas pelas posições que ocupavam na classificação após outros resultados da jornada e por não terem somado triunfos nas anteriores jornadas. E era também um jogo em que os dois treinadores reencontravam clubes que já orientaram. Na época passada, Luís Pinto liderou o Tondela no regresso à Liga e Ivo Vieira esteve ao serviço do Vitória em 2019/2020. Telmo Arcanjo voltava também a uma casa que o lançou, aumentando ainda mais o interesse da partida entre beirões e vitorianos.

Numa jornada que assinala um terço de campeonato cumprido, as duas equipas tinham de fazer pela vida, sob perigo de se colocarem em posições ainda mais difíceis. O primeiro quarto de hora de jogo pode resumir-se de uma forma fácil: estudo mútuo. Neste período, a única jogada de perigo foi para o Tondela, com Pedro Maranhão a chegar atrasado a um cruzamento. O Tondela tinha problemas em sair limpo da primeira fase de construção, mas o Vitória também não conseguia ser esclarecedor no último terço e criar perigo para Bernardo Fontes.  

A tendência foi esta até à meia hora de jogo. Ambas as equipas não conseguiam ligar o jogo e isso não favorecia a organização ofensiva de cada uma. Mesmo assim, quem conseguiu sair desta maior dificuldade foi a equipa da casa. Num lance acutilante dentro da área surgiu a melhor oportunidade de golo até então com Maranhão atirar ao poste (35m) após passe e boa rotação de Hugo Félix. O mesmo Hugo Félix podia ter colocado a sua equipa em vantagem com um remate rasteiro fora da área (41m) que obrigou Juan Castillo a grande defesa. A bola ainda a bateu no poste esquerdo da baliza.

Quando as equipas regressaram do intervalo, o Vitória apareceu com as linhas mais subidas. Não suficientemente melhor, mas dava sinais de que a conversa de Luís Pinto no balneário tinha sido dura. O Tondela, nos primeiros minutos da segunda parte, tentou o contra-ataque, mas cruzar era contraproducente sem ponta de lança fixo.

Depois, o primeiro sinal do banco. Ivo Vieira trocou o capitão de equipa Hélder Tavares pelo jovem avançado brasileiro Yarlen. Para além do cansaço natural de Hélder Tavares, o treinador do Tondela procurava girar a bola mais rápida na procura da baliza contrária.  E a aposta também foi conseguida com os contra-ataques a fazerem mossa junto da baliza do Vitória. Na melhor jogada de ataque da equipa da casa, Pedro Maranhão desmarcou Yarlen na direita e este cruzou rasteiro para Ivan Cavaleiro atirar à barra.

E o Vitória podia agradecer aos deuses. Nos últimos dez minutos, os dois treinadores jogaram as cartadas finais, com Tiago Manso e Yefrei Rodríguez para os lugares de Bebeto e Pedro Maranhão. O Vitória passava por dificuldades e o melhor que conseguiu foi assustar num cabeceamento de Lebedenko (81m). Com o Tondela por cima do adversário, parecia que estava destinado a que esta não fosse a noite da equipa que, talvez, pelas maiores ocasiões de perigo, podia ter ganho.

Em cima do minuto 90, o árbitro, inicialmente, assinalou simulação de Saviolo e mostrou-lhe o cartão amarelo, mas com recurso ao VAR anulou o cartão e marcou penálti para o Vitória, por falta de Tiago Manso. Na conversão do castigo máximo, Oumar Camara deu os três pontos à equipa de Luís Pinto, num jogo que teve 2.718 adeptos nas bancadas, quase 800 do Vitória (775).

O golo de Oumar Camara:

Figura: Beni

Presença fortíssima do angolano no meio-campo vimaranense, com velocidade, potência a defender e a atacar, conquistando os lances individuais. Os jogadores do Tondela tiveram sempre dificuldade em lidar com o médio do Vitória, que promete ser uma das surpresas deste campeonato. Evitou males maiores para a sua equipa.

Momento: penálti e golo do Vitória (90+2m)

O penálti assinalado pelo árbitro André Narciso a favor do Vitória, alertado pelo VAR, Ricardo Moreira. O lance decidiria o resultado, com Oumar Camara, depois de assinalada a falta de Tiago Manso sobre Noah Saviolo, a fazer o único golo do encontro.

Positivo: a presença, o papel e o jogo de Hugo Félix

Muita gente pode ter questionado, quando conheceu a constituição das equipas, o porquê de Hugo Félix como jogador mais adiantado da equipa de Ivo Vieira. O que é certo é que o treinador madeirense acertou em cheio. A ideia era simples: surgir em ataque móvel, com o avançado a ser o vértice mais adiantado ao lado de Ivan Cavaleiro e Pedro Maranhão. Hugo Félix foi dos jogadores mais em foco da primeira parte e só não marcou em cima do intervalo porque Castillo fez uma grande defesa e o poste ajudou.

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