Emoções para todos os gostos
O tempo urge por mais que se possa dizer que os dias em Tondela ainda são de adaptação à nova realidade.
É normal que o sejam, mas o empate desta noite (2-2) frente ao Gil Vicente, pela maneira como foi alcançado, poderá ser um balão de oxigénio para uma equipa que tenta permanecer na I Liga.
Antes, vamos apenas recuar cerca de duas semanas. Porque esta história começa aí.
A gélida noite de sábado, 21 de Março, ficou marcada não pelo empate a zeros de Tondela e AVS (num jogo paupérrimo, um suplício para quem o viu).
Terminada a partida, arrumado o assunto, pensava-se, Cristian Bacci e Gilberto Coimbra, presidente do Tondela, discutiram. À séria.
Mesmo negadas as agressões, o que se passou não terá sido bonito. As consequências não tardaram: Bacci foi demitido nessa mesma noite. Minutos antes, tinha dito, aos jornalistas, que estava pronto para lutar pela manutenção. Coisas do futebol.
Por isso, a partida de hoje, em que o Tondela recebeu o Gil Vicente, ganhava outro contorno à partida: era a primeira em casa desde a atribulada saída do ex-timoneiro.
Para o seu lugar, veio, do frio da Polónia, Gonçalo Feio. Ironia das ironias, também depois de uma saída do Radomiak com contornos de filme de terror (e a polícia ao barulho).
O primeiro teste não foi bom - 5-0 na visita ao Vitória de Guimarães é um resultado que diz tudo -, mas hoje Feio tinha oportunidade de mostrar diferente.
O Tondela entrou melhor e foi, ao longo de todo o primeiro tempo, a equipa com maior ascendente. Cedo se percebeu isso, de resto: Ouattara ainda estará para perceber como não aproveitou, logo ao minuto 1, aquele passe a desmarcar de Hugo Félix.
O golo surgiu com alguma naturalidade, por intermédio de Rony Lopes. O internacional português guiou um contra-ataque que ele próprio concluiu com um remate colocado que deixou Dani Figueira sem hipóteses de defesa.
O Tondela sabia da importância de vencer para chegar mais perto do Casa Pia e ao lugar de play-off de despromoção, mas não foi capaz de segurar a vantagem.
É facto que até o merecia, mas, na única aproximação de perigo do Gil Vicente na primeira parte, a equipa de César Peixoto chegou ao empate. Hugo Félix fez penálti, por mão na bola, e, à segunda, Murilo atirou a contar (o primeiro penálti foi mandado repetir devido ao facto de o jogador gilista ter tocado duas vezes na bola).
Eis-nos chegados a uma segunda parte em que o jogo mudou por completo. Porventura embalado pelo empate, porventura por incapacidade do Tondela, a verdade é que o Gil dominou a seu bel-prazer.
Gustavo Varela teve o golo nos pés por duas vezes, a equipa gilista andou sempre a rondar a baliza de Bernardo, enquanto o Tondela pouco ou nada ameaçou.
Talhado para golos decisivos (já assim havia acontecido contra o Sporting), pensou-se que era na cabeça de Carlos Eduardo, recém-entrado, que estava a chave do jogo.
O golo do ponta de lança do Gil Vicente, em cima do minuto 90, parecia sentenciar o jogo – e “afundar” o Tondela na luta pela manutenção.
Só que, no último sopro, a equipa beirã conquistou um penálti. A cara de Hodge não disfarçava o nervosismo.
O escocês lá correu para a bola, falhou a grande penalidade, mas, na recarga, o esférico ficou ali à mercê. Teve a calma necessária o médio: um leve toque bastou para marcar e ainda dar alento ao Tondela na luta pela manutenção.
A FIGURA: Hodge
Pouco se tinha dado por ele ao longo da segunda parte, à semelhança com o que aconteceu com a maioria dos jogadores do Tondela. No primeiro tempo, não deslumbrando, foi dando o ar de sua graça. Seria, porém, já para lá do tempo regulamentar que Hodge seria chamado ao momento-capital deste jogo. O nome do escocês ficará, para sempre, cravado na história deste encontro. Apesar de ter falhado o penálti, aos 90+8m, marcou na recarga e deu um ponto que pode ser importante na luta pela manutenção
O MOMENTO: A mão de Konan tudo mudou (90+8m)
O Gil Vicente estava a segundos de conseguir uma vitória que lhe permitia “roubar” o 5º lugar ao Famalicão. A segunda parte dos gilistas foi de grande qualidade, conseguiram a reviravolta, mas o penálti de Konan, no último lance do encontro, deitou por terra as ambições do treinador César Peixoto.
POSITIVO: Que bom espetáculo!
Quem se deu ao trabalho de guardar o final de um dia de trabalho para assistir a este Tondela-Gil Vicente não deu o tempo por mal gasto. As duas equipas, a lutar por objetivos diferentes, proporcionaram um bom espetáculo, num jogo bem disputado que contou com quatro golos e emoção até ao final.
☑ RESUMO
— VSPORTS (@vsports_pt) April 13, 2026
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