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Gonçalo Feio: «Hoje queríamos viver um dia à Tondela e não deu»

16 mai, 21:36
Arouca-Tondela (FOTOS: Lusa/PAULO NOVAIS)
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Treinador do Tondela, naturalmente cabisbaixo, não confirmou a continuidade no comando técnico

Declarações de Gonçalo Feio, treinador do Tondela, na sala de imprensa do Estádio Municipal de Arouca, após a derrota (3-1), na 34.ª jornada da Liga e respetiva descida de divisão.

O que faltou para ter um desfecho positivo?

«Faltou marcar o 1-2 na ocasião que tivemos depois de fazer o 1-1. Faltou não sofrer o 1-2 numa bola parada defensiva. Apesar de, neste momento de sermos uma equipa muito competitiva e do crescimento, a atitude que os jogadores têm imposto e puseram hoje também é inegável, mas o futebol joga-se contra um adversário e o Arouca fez 28 pontos nesta segunda ronda e não é por acaso, porque são uma equipa muito forte.»

«Acho que começámos o jogo, bem, um jogo equilibrado, mas que fomos muito competentes na pressão. A partir daí ganhámos bolas que podiam ter acabado num 0-1 para nós, não conseguimos converter. Depois, numa jogada de ataque organizado, que devíamos ter coberto melhor e também depois de uma segunda bola na entrada na área que devíamos lá estar e não estávamos, acaba por acontecer o 1-0.»

«Nós tivemos que sempre ir atrás do resultado, isso condicionou um bocadinho, porque acho que jogar contra o Arouca em espaços abertos, o Arouca é muito forte, muita qualidade de ligação, de terceiro homem, muito difícil. Mas acho que fomos conseguindo fechar o jogo cada vez mais no meio-campo deles, especialmente a começar a segunda parte.»

«Chegamos ao 1-1 que acontece de forma natural, para o tempo que estávamos a passar perto da baliza deles, e depois de termos o momento de jogo numa transição, numa segunda bola, em que podíamos ter feito o 2-1. Entretanto, porque sabia o que se estava a passar noutros campos, sabia que tinha que ir pelo resultado e aconteceu o 2-1 num lance de bola para a defensiva.»

«E a partir daí tentámos, nem foi o plano B, foi o plano C, um plano de futebol muito mais direto. Pusemos o melhor cabeceador que temos na equipa de longe, o João Afonso, lá em cima. Pusemos uma equipa mais física para ter bolas paradas, diagonais, cruzamentos para a área e uma abordagem defensiva que tinha que passar pelo homem a homem todo o campo. Não conseguimos ter tanta bola como queríamos na parte final, sabendo que tínhamos que marcar dois golos, porque o Arouca foi muito competente nessa fase a quebrar o nosso um contra um e não fomos capazes de ter o ascendente que queríamos ter nessa última fase para chegar a um 3-2 para depois ir pelo 3-3, sabendo que tínhamos que marcar 2 golos.»

O estado de espírito e esta reta final de campeonato

«Dói, tenho um balneário de gente a chorar, mas é o que eu lhes disse lá dentro, é um momento muito difícil, o mais difícil para a maioria de nós. E é o momento que temos que entender o porquê que as coisas aconteceram e o porquê que fomos capazes de estar até a última jornada vivos.»

«Foi uma equipa que disse não a desistir, com uma grande resiliência e com uma grande capacidade de reação ao momento muito difícil em que estávamos. Lutámos até ao fim, hoje também, não chegou. Eu acredito que o futebol, às vezes, é injusto, mas muitas vezes é justo no longo prazo. E na união, o crescimento, a ética de trabalho e o crescimento de um grupo.»

«Já dei lá dentro o agradecimento ao grupo, fica por dar o agradecimento a todas as pessoas que vieram de Tondela e que acreditaram também até ao fim. Hoje queríamos viver com eles um dia à Tondela e não deu.»

As semanas em que esteve no clube

«Acho que o crescimento da equipa é visível, não é só futebolístico, o crescimento individual dos jogadores, dos índices de confiança. Os jogadores que começaram a mostrar aquilo que podem fazer, o crescimento em termos de equipa, de atitude, de união, de abordagem aos jogos, de controlo emocional, o crescimento em diferentes fases de jogo. E quando falo de crescimento, falo do ponto em que começámos, no meu primeiro jogo, e no ponto em que acabámos. Somos, neste momento, uma equipa competitiva que é capaz de ganhar jogos consecutivos nesta liga, que é uma liga muito difícil e muito exigente».

Continuidade no comando técnico da equipa

«O comprometimento e a energia foi tão focada no aqui e agora. Nenhum de nós pensou no futuro, o presente era salvar o Tondela, era cumprir a missão que viemos para cumprir e que, com muita dor e mágoa e frustração, tenho de dizer que não fui capaz.»

«Vamos ver nos próximos dias o que é que vai acontecer. Não houve conversas sobre o que pode acontecer, por isso não posso falar muito mais disso. Mas o futuro para o Tondela, o que tenho de claro na minha cabeça, é que é um clube e uma equipa que tem de trabalhar e tem que ter o objetivo de voltar, como já fez inúmeras vezes e tem a capacidade de volta, como já fez inúmeras vezes, à Primeira Liga.»

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