Sporting-Gil Vicente, 4-1 (crónica)

David Marques , Estádio José Alvalade, Lisboa
1 mai, 22:47

Leão continua campeão, sai de bolsos cheios e arranja confusão para o clássico

Imune à pressão do momento, o Sporting salvou o primeiro match point do campeonato com uma goleada ao surpreendente Gil Vicente, que tinha vencido na Luz e em Braga e empatado, com cenário adverso desde o minuto 2, no Dragão.

Não deu mesmo galo.

Também porque este Gil talvez atravesse uma crise de confiança – não vence há mais de mês e meio – mas essencialmente porque o Sporting deu uma cabal prova de resistência ao stress, aliando a isso uma das exibições mais categóricas da temporada.

A equipa minhota, que se apresentou sem o treinador Ricardo Soares no banco de suplentes (por castigo), apresentou-se na casa do ainda campeão a tentar defender o mais subido possível, de olho nas transições e a procurar tapar os caminhos pelo corredor central.

Só que o mais subido possível nunca foi muito e a largura dada pelos laterais/alas é uma das maiores virtudes desta equipa de Ruben Amorim e cedo o leão percebeu que era junto de Nuno Santos e, sobretudo, de Pedro Porro que sobrava espaço.

Foi por lá, por exemplo, que começou a ser construído o 1-0 do Sporting, quando Nuno Santos foi carregado na grande-área e abriu caminho para o golo inaugural de Sarabia na conversão de uma grande penalidade.

A partir daí, o leão, que entrou novamente num jogo sem uma referência fixa no ataque, ficou ainda mais confortável no jogo. Antes do 2-0, de Edwards aos 37 minutos, já os leões justificavam esse conforto materializado no resultado, com Porro e Sarabia em evidência e os gilistas a serem apanhados em contrapé porque procuraram ser aquilo que têm sido sempre em 2021/22: uma equipa altamente personalizada a sair com bola.

Ainda assim, o Gil foi conseguindo chegar esporadicamente à baliza de Adán, algumas vezes aproveitando alguma precipitação do Sporting no início da construção pelos centrais e foi premiado em cima do intervalo quando Navarro, a passe de Pedrinho, atirou para o 2-1 validado pelo VAR.

O jogo poderia ter-se tornado perigoso a partir desse momento, mas o Sporting regressou dos balneários com a mesma convicção da primeira parte e o 3-1 chegou com sorte à mistura, mas com naturalidade. Nuno Santos, o melhor dos leões nesta noite, apareceu no ataque, desequilibrou e cruzou para o desvio infeliz de Lucas para a própria baliza.

O encontro, sublinhe-se, nunca esteve em risco de lhe fugir das mãos, mas a partir desse momento o Sporting levou o jogo (ainda mais) para onde quis.

Em ataque organizado ou em transições rápidas, acumulou ocasiões de golo com os mesmos intérpretes em campo e com os que Amorim foi lançando avulso.

Andrew, por exemplo, ainda sofreria o quarto golo (de Pote, de penálti) e não deixou de ser um dos melhores em campo, o que diz muito da qualidade de jogo apresentada pelos leões neste domingo, que pode ser o último enquanto campeões.

Até lá, o Sporting mantém acesa a luz da esperança e cumprem-se dois desejos partilhados por Ruben Amorim: apimentar o clássico entre Benfica e FC Porto e garantir já a entrada direta na Liga dos Campeões. E de muitos milhões.

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