Sporting-Gil Vicente, 3-1 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio de Alvalade
30 set, 21:02

Reabilitação sob a batuta de Morita

O Sporting regressou esta noite às vitórias, no regresso da Liga, com Ruben Amorim a reconstruir a equipa, com mexidas atrás e à frente, diante de um Gil Vicente que se apresentou demasiado subido e acabou por contribuir para a reabilitação das feridas que os leões ainda traziam do Bessa. Com uma forte dinâmica na frente, os leões desmontaram facilmente a estratégia ousada que Ivo Vieira procurou apresentar em Alvalade. Morita estreou-se a marcar, fez uma grande assistência, enquanto Rochinha matou o jogo também com o seu primeiro golo de leão ao peito.

Ruben Amorim teve de revolucionar a equipa, começando por obras forçadas no centro da defesa, montando um trio inédito de três «canhotos»,  com o estreante José Marà ao centro, ladeado por Gonçalo Inácio e Matheus Reis. As obras estenderam-se, depois, ao ataque. O treinador manteve Morita no meio-campo e Pote no ataque, mas abdicou de Edwards, para devolver a titularidade a Paulinho.

O Gil Vicente, por seu lado, apresentou-se em Alvalade com um esquema idêntico aos dos leões, também com três centrais, procurando incomodar os leões com um bloco subido quase até à linha do meio-campo. Os leões sentiram algumas dificuldades na zona de construção, mas rapidamente começaram a abrir brechas na muralha de Barcelos, com Ricardo Esgaio e, sobretudo, Nuno Santos, a escaparem pelas alas. Morita, Pote, Paulinho e Trincão também passavam facilmente a linha montada por Ivo Vieira e o Sporting começou a chegar, muitas vezes, em vantagem numérica à área de Andrew.

Ugarte, com um grande passe, abriu a porta a nuno Santos que, da esquerda, cruzou para a entrada de Paulinho que festejou com intensidade o seu primeiro golo esta época na Liga, mas o lance acabou por ser anulado, uma vez que o avançado estava adiantado. Estava dado o sinal, num momento em que o bloco do Gil Vicente estava transformado num verdadeiro passador. Os leões entravam por todos os lados e, se o golo de Paulinho não valeu, três minutos depois marcou Morita, corrigindo, na pequena área, um remate tenso de Nuno Santos que ia passar ao lado.

Estava encontrado o caminho e Trincão teve nova oportunidade, depois de um raid de Matheus Reis, mais uma vez pela esquerda, onde Danilo Veiga não tinha pernas suficientes para estanca tantas fugas. Num pontapé em profundidade, foi a vez de Morita escapar para, depois, de calcanhar, lançar uma passadeira para Pote assinar o segundo da noite. O Gil Vicente ainda esboçou uma resposta, com Fran Navarro a surgir em boa posição, mas a permitir a defesa de Adán que saiu ao seu encontro. Logo a seguir o espanhol voltou a surgir em boa posição, mas atirou ao lado.

Um parenteses numa primeira parte totalmente controlada pela equipa de Ruben Amorim que podia até ter chegado ao intervalo com uma vantagem mais dilatada, com novas oportunidades flagrantes de Trincão e Esgaio. Ivo Vieira procurou surpreender o leão com uma estratégia ousada, mas agora estava obrigado a corrigir a mão para não regressar a casa com um resultado mais pesado.

Ivo Vieira corrige, Rochinha mata o jogo

De facto, o treinador do Gil Vicente mexeu, abdicando de um central, mas para reconstruir a defesa com uma linha de quatro, bem mais recuada do que de cinco que tinha jogado a primeira parte. Com os visitantes a recuarem em bloco, os leões aceitaram o convite para subir, instalando-se, desde logo, no meio-campo contrário. Os leões continuavam a chegar com facilidade à área de Andrew diante de um adversário que procurava ainda adaptar-se ao novo figurino que, pouco depois, sofreu nova alteração com o regresso de Boselli ao ataque.

O jogo passou depois por uma fase confusa, com muitas mudanças a partir dos bancos, muitas discussões em campo e mais um golo anulado ado Sporting, desta vez a Trincão que marcou a passe de Paulinho. A verdade é que o Gil Vicente acabou por equilibrar-se e criou nova oportunidade, com um remate de Murilo para defesa de Adán. Os leões procuravam explorar as transições rápidas, permitindo ao adversário subir, para depois atacar as suas costas, já com Edwards em campo. A verdade é que o jogo, nesta altura, estava aberto e um eventual golo do Gil iria, com certeza, abanar os alicerces da equipa de Amorim.

A estocada final chegou a aos 80 minutos, num passe longo de Esgaio que permitiu a Rochinha pensar, contruir e marcar o terceiro do Sporting. O médio contratado ao Vitória veio de fora para dentro, desembaraçou-se de Lucas, enganou Andrew com uma primeira simulação e depois atirou a contar. O jogo estava sentenciado. Nuno Santos ainda teve duas oportunidades, Boselli também fez tremer a barra de Adán e Navarro, já em período de compensação, chegou mesmo a reduzir a diferença, mas a vitória do SPorting já não estava em risco.

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