Sporting-Estoril, 3-1 (crónica)

Ricardo Gouveia , Estádio de Alvalade
3 mar 2025, 22:20
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Andamento allegro moderato Felicíssimo

Não foi propriamente «uma música bonita», não se ouviram violinos esta noite em Alvalade, mas houve uma orquestra suficientemente afinada para quebrar a série fantástica do Estoril que, com uma sequência de oito jogos sem derrotas, ainda não tinha perdido em 2025. Um leão a jogar claramente no erro do confiante adversário para conquistar uma preciosa vitória que lhe permite, para já, voltar a destacar-se do Benfica no topo da classificação.

Um leão claramente adaptado à dura realidade que enfrenta, com nove jogadores no estaleiro, a tirar proveito do muito espaço que o Estoril deixou nas suas costas, para chegar ao intervalo a vencer por 2-0. O Estoril ainda fez tremer o leão na parte final do jogo, mas Gyökeres bisou e matou o jogo. O Sporting voltou a ser feliz, ou melhor, felicíssimo.

Confira o FILME DO JOGO

Eduardo Felicíssimo sucedeu esta noite a João Simões e Alexandre Brito, ambos lesionados, como solução de recurso para o meio-campo, jogando ao lado de Zeno Debast, mas a verdade é que o jovem médio de 18 anos passou boa parte do tempo a ver a bola a passar-lhe por cima. É que o Sporting abdicou praticamente do meio-campo, para apostar quase sempre num jogo direto para o ataque, numa aposta de Rui Borges que acabou por revelar-se muito eficaz.

O Estoril até entrou muito bem no jogo em Alvalade, com uma boa circulação de bola, a obrigar o Sporting a recuar em toda a linha, mas foi o Sporting que chegou ao golo, logo aos cinco minutos, num lance de bola parada. Livre marcado por Zeno Debast, sobre a direita, com a bola a descrever um arco para a entrada de rompante de Gonçalo Inácio que, minutos antes, tinha recebido uma camisola especial, das mãos de Frederico Varandas, a assinalar os 200 jogos de leão ao peito.

O Sporting entrava, assim, no jogo a ganhar e podia mesmo ter resolvido este jogo antes da meia-hora, tantas foram as oportunidades flagrantes que teve nos minutos seguintes, quase sempre em transições rápidas. O Estoril trocava muito bem a bola, chegava facilmente à área de Rui Silva, mas depois perdia invariavelmente a bola no último terço e sujeitava-se à resposta rápida do Sporting, com pontapés longos de Rui Silva ou Diomande a solicitarem as investidas de Trincão e Gyokeres.

Trincão voltou a levantar as bancadas, na sequência de uma grande combinação entre Debast e Fresneda, enquanto Viktor Gyokeres teve duas oportunidades claras depois de ter escapado nas costas dos canarinhos. O Estoril também ia criando perigo, em lances de ataque trabalhado, mas logo a seguir os leões respondiam em velocidade extrema. À terceira oportunidade, o goleador sueco não perdoou, voltou a invadir a área, contornou dois adversários e atirou para o fundo das redes. Alvalade quase veio abaixo. O sueco tinha acabado de marcar à única equipa da Liga que não tinha sofrido um golo seu.

O Estoril chegou ao intervalo com mais posse de bola, mas o Sporting já tinha acumulado oportunidades suficientes para matar o jogo.

Susto e explosão com o «bis» de Gyökeres

A segunda parte foi bem diferente, com o Sporting com um bloco mais coeso e, agora, determinado em manter a posse de bola, diante de um Estoril que tinha dificuldades em conseguir profundidade e que continuava a sofrer constantes calafrios com as mudanças de velocidade dos leões.

A primeira verdadeira oportunidade voltou a surgir numa bola parada, neste caso, num pontapé de canto de Geovany Quenda, com Robles a afastar com os punhos e Debast a encher o pé, com a bola a sofrer um desvio e a ir ao poste.

A verdade é que, nesta altura, o Sporting tinha o jogo controlado, ao ponto de Rui Borges ter sentido confiança para juntar Conrad Harder a Viktor Gyökeres e para lançar mais dois jovens para a contenda, Henrique Arreiol e José Silva, com Eduardo Felicíssimo, um dos substituídos, a sair sob uma estrondosa salva de palmas.

Ainda era cedo, faltavam quase quinze minutos para o final e o Estoril ainda fez tremer Alvalade quando, aos 86 minutos, Gonçalo Costa, acabado de entrar no jogo, servido por Orellana, reduziu a diferença para 1-2. O jovem avançado, formado em Alcochete, não festejou e Alvalade perdeu o pio por instantes.

O leão, que vinha de três empates consecutivos na Liga, voltava a acabar um jogo a tremer, mas, desta vez, segurou o jogo, com Gyokeres a assinar mais uma arrancada, lançado por Harder e a passar por toda a gente, incluindo Robles, antes de rematar já caído no chão. João Carvalho ainda evitou o golo, com um corte com o braço e o sueco acabou mesmo por bisar no jogo desde a marca dos onze metros.

O Sporting respirava de alívio e garantia três preciosos pontos que lhe permitem voltar a destacar-se do Benfica no topo da classificação.

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