Sporting-Casa Pia, 3-1 (crónica)

David Marques , Estádio José Alvalade, Lisboa
22 out, 22:47

A chama do leão

«A chama.»

«A chama.»

«A chama.»

Para que não restassem dúvidas, Ruben Amorim lançou o mote várias vezes na antevisão ao jogo com o Casa Pia.

O Sporting tinha de recuperar a chama perdida nos últimos jogos, sobretudo na chocante eliminação da Taça de Portugal aos pés do Varzim.

E diante do sensacional Casa Pia (mais pelo que tem feito neste arranque de Liga do que propriamente pelo que fez em Alvalade), não faltou chama ao leão, que em menos de uma dezena de minutos – ao nível do melhor que fez em 2022/23 – conseguiu virar um resultado negativo e construir, nesse período, uma vitória incontestável, talvez por números (3-1) que até tenham sido escassos.

O Sporting desceu para o intervalo a perder por 1-0, mas até nem se pode dizer que os 45 minutos iniciais tenham sido negativos para a equipa da casa. Foram, sim, desinspirados. De enorme desperdício.

O conjunto de Amorim obrigou os casapianos a defenderem muitas vezes com muitas unidades na grande-área, mas o desacerto no último terço e a enorme inspiração de Ricardo Batista aumentaram perigosamente os índices de ansiedade dos anfitriões.

A equipa de Filipe Martins, que tem feito da tremenda organização defensiva a base do seu sucesso neste regresso histórico ao principal escalão, foi espreitando as transições. Numa delas, Clayton atirou ao poste; noutra, o mesmo Clayton atirou para o 1-0 dos visitantes na reta final da primeira parte, quando o avançado fugiu a Marsà, limitado fisicamente e incapaz de acompanhar a velocidade do adversário.

O golo do Casa Pia era mais um prémio pela resiliência dos visitantes do que a materialização do que se via em campo.

Depois de uma primeira parte com mais de uma mão-cheia de ocasiões de golo, 12 remates (dez na primeira meia-hora!), o Sporting regressou para a segunda parte com o estreante Chico Lamba (rendeu Marsà) e pouco depois Paulinho saltou para o jogo.

Pote voltou a desperdiçar, Trincão acertou num poste e a história da primeira parte parecia repetir-se até naquele voo fantástico com que Ricardo Batista aos 57 minutos impediu um grande golo de Porro.

Mas aí já estava em campo o denominador comum da noite: Paulinho, lesto a aparecer para a recarga.

O leão não estava adormecido. Estava, sim, a mastigar a presa, mas a deitar fora o alimento. A partir daí, aprendeu a fazê-lo talvez como nunca antes nesta época. Nuno Santos atirou para o 2-1 quando ainda se comemorava o 1-1 e aos 65 minutos Pote aplicou a sentença final no jogo, na cobrança de um penálti.

Depois disso, o jogo caminhou pausadamente até ao apito final, com os leões a gerirem de forma inteligente o ritmo, Amorim a estrear mais um menino – Mateus Fernandes – e Alvalade a serenar numa noite chuvosa e de tempestade também na bancada sul, onde houve carga policial na primeira parte.

Pode faltar muito a este Sporting e uma vitória não põe termo a uma crise evidente, talvez mais até de confiança do que de capacidade para jogar bom futebol.

Mas não faltou chama.

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