Viktor Gyökeres ou Conrad Harder? Tanto faz
Diz o artigo 7.º da Lei n.º 58/2017 que «é proibida a clonagem reprodutiva tendo como objetivo criar seres humanos geneticamente idênticos a outros». Desde a bancada de imprensa do Estádio de Alvalade ficamos na dúvida – será que o Sporting cometeu alguma ilegalidade? A assertividade, força física, capacidade de finalização e aspeto nórdico de Conrad Harder e Viktor Gyökeres deixam dúvidas se não estamos perante algum fenómeno de clonagem. Talvez, para enganar, um seja esquerdino e o outro destro.
Para Ruben Amorim, isso não será um problema, com certeza. O treinador leonino ganhou a aposta em colocar os dois avançados em campo, ora sozinhos, ora com Trincão a aparecer do lado direito, mas sempre a pôr em sentido a defensiva contrária. Ambos marcaram – primeiro, o estreante no onze inicial, aos nove minutos, e depois o suspeito do costume, por duas vezes. O Sporting venceu o AVS por 3-0, de forma incontestável.
Com várias baixas na equipa, Amorim chamou três jovens sem quaisquer minutos oficiais na equipa principal – João Simões, Bruno Ramos e Miguel. Harder ocupou o lugar de Pote, Quenda, Debast, Diomande e Matheus Reis formaram a linha defensiva, com Hjulmand e Bragança à sua frente, no miolo. Muita mobilidade, com Quenda a subir mais do que Reis, num alinhamento algo assimétrico. Mais à frente, Quenda ficou mesmo liberto do trabalho defensivo, com Amorim a assumir os três defesas.
Face a um AVS muito expectante na defesa, sem incomodar Franco Israel, o Sporting carregava no ataque com muita mobilidade. Trincão foi dos primeiros a ameaçar a baliza defendida por Ochoa, uma das novidades do nosso campeonato, e o mexicano ia respondendo bem aos remates. Face a Gyökeres, fez uma mancha decisiva. Mas o castelo avense ruiu cedo, aos 15 minutos.
Grande combinação entre Hjulmand e Gyökeres, à entrada da área, e o capitão lança Harder no lado esquerdo da grande área. Ao jeito do seu pé esquerdo, rematou rasteiro para dentro da baliza, beneficiando de um desvio no pé de Fernando Fonseca. O mesmo lateral que desviou um cabeceamento de Harder com a mão, mas de costas. O árbitro entendeu que não havia lugar a infração e deixou seguir, após revisão no monitor do VAR, aos 32 minutos.
Depois de Harder festejar à CR7, Gyökeres não quis ficar atrás e fazer a sua célebre máscara. Os papéis interveram-se face ao primeiro golo, mas o resultado foi o mesmo – Hjulmand recuperou, Harder passou e Gyökeres fez o que melhor sabe, descaído para a esquerda. Marcou. Isto, aproveitando a a passividade da defesa do AVS, que já estava a pensar no intervalo. Foi a última jogada da primeira parte, com Ricardo Baixinho a mandar as equipas para os balneários. Vítor Campelos agradecia.
Mesmo com algumas alterações por parte do treinador visitante, a história do jogo não mudou. O domínio sportinguista prolongou-se e Franco Israel era um espetador. Depois de primeiros vinte minutos mais calmos, Amorim decidiu tirar Conrad Harder de campo, sob aplausos dos adeptos. Marcou, assistiu, recuperou bolas e ‘ganhou’ o apoio das bancadas.
Já com Maxi Araújo no lado esquerdo do trio ofensivo (ainda tirou tinta ao poste com um belo remate), o Sporting chegou ao 3-0 aos 70 minutos, para o bis de Viktor Gyökeres. Num contra-ataque rápido, Trincão progrediu com a bola, atirou-a para o flanco contrário e Gyökeres arranjou espaço à entrada da área para rematar colocado no poste mais distante. Dez golos em seis jogos na Liga, um registo impressionante.
Ainda jogaram Iván Fresneda, Geny Catamo, Morita e um muito aplaudido Ricardo Esgaio. O Sporting continua o ‘passeio’ na Liga, liderando sempre com vitórias. Já o AVS, contra um adversário muito superior, volta para casa com os mesmos sete pontos, no meio da tabela.