João Pedro Sousa: «No mercado de inverno não podemos falhar»

Guilherme Portela , Estádio José Alvalade, Lisboa
13 dez 2025, 23:52

Treinador do AVS lamentou a forma como a equipa desmoronou com três golos em cinco minutos do Sporting

Declarações de João Pedro Sousa, treinador do AVS, em conferência de imprensa após a derrota por 6-0 frente ao Sporting, numa partida a contar para a 14.ª jornada:

Futuro que se avizinha

«Difícil, difícil. Mas temos de seguir em frente, perceber que erros cometemos. O que podemos melhorar e tentar evoluir para, no mínimo, dar outra imagem ao clube e competir de outra forma. Portanto, também tem a ver com o mercado que se aproxima e devemos realizar algumas movimentações.»

«Parece que caímos num poço»

«Relativamente ao aspecto mental. Claro que sim, claro que é difícil. Agora, não pode ser a justificação para tudo.
Fica complicado, eu percebo. Os jogadores estão aqui para a profissão, é muito difícil. Também houve jogos em que percebemos que perdemos e o impacto foi grande, com situações até bizarras. Golos nos últimos segundos das partidas. Tudo isto, no contexto em que estamos e no momento em que atravessamos, torna-se complicado gerir durante a semana. Mas as nossas semanas, até, têm sido boas a esse nível. Ou seja, os jogadores trabalham e acredito que podemos dar a volta à situação. Mas depois, na competição, percebemos que acusam sempre. Como por exemplo, o primeiro e o terceiro golos de hoje, no espaço de cinco minutos e três remates à baliza, a equipa parece que caiu para um poço. Mas como disse, não pode ser a justificação para tudo. Somos profissionais, quer o treinador, quer os jogadores. E pagam-nos para competir e deixar uma imagem diferente do clube.»

Reforçar no mercado é fundamental

«[De zero a 10 quão importante é reforçar?] 10 ou 15! É uma pergunta fundamental. A administração sabe disso desde o dia em que cheguei. E as pessoas também reconhecem isso. Portanto, não se trata só da qualidade dos jogadores. Poderá ter influência, mas o plantel, conseguir um plantel equilibrado, talvez construído para um sistema que ninguém ainda conseguiu perceber bem qual é, que tipo de sistema é que se pretendia com a construção do plantel. E que tipo de objetivos é que se iriam disputar com o perfil dos jogadores que constituímos. Mesmo assim, percebendo a dificuldade que é o mercado de janeiro, mesmo com as limitações que temos no número de contratações, vai ser muito complicado porque os jogadores precisam de se adaptar, os jogadores precisam de tempo para trabalhar e começar a competir. Portanto, é um trabalho muito complicado para todos, muito difícil. Relativamente ao aspecto mental e tático, a minha forma de trabalhar e a minha abordagem à equipa técnica são sempre integradas. Hoje, olhando para o jogo, percebemos que o aspecto mental tem um impacto no desempenho. Tentamos fazer um equilíbrio e trabalhar cada ponto, cada aspecto, e perceber a importância de cada um deles. É isso que temos feito já há várias semanas.»

Dificuldades na organização defensiva

«Hoje, enfrentámos uma equipa que, pela sua qualidade, percebemos o padrão dos seus movimentos e a forma como tentam desmontar a organização defensiva dos adversários. Há dois, ou três pontos que serão fundamentais. Primeiro, o desequilíbrio nos corredores, com dinâmicas ligeiramente diferentes à direita e à esquerda, mas com dinâmicas muito fortes, com movimentos de ruptura, o ataque à linha defensiva. Portanto, esse é um ponto. O segundo, a forma como exploram o espaço que os adversários deixam nas costas da linha defensiva, como se fosse um primeiro golo, digno de forma para dentro. E o jogo dentro das linhas. O número de jogadores que se pode colocar atrás dos médios, na linha defensiva, é muito elevado e com muita qualidade técnica, que não têm dificuldades em explorar os espaços. Posso acrescentar outro ponto, que é a capacidade dos corredores em reagir à perda da bola. Quando ganhávamos a bola, estávamos extremamente curtos, não conseguíamos sair em transição, não conseguíamos manter a posse de bola. E isso implicou sempre que ganhávamos a bola, mas imediatamente a perdíamos, e não conseguimos levar o jogo para outras zonas, nem sequer para perto da área adversária. Três ou quatro pontos fundamentais que tiveram um grande impacto no jogo. Deixe-me falar de mais um, que são as bolas paradas. Não foi muito forte, mas são jogadores muito rápidos e agressivos no ataque à bola. Estávamos preparados. Trabalhámos precisamente a situação do golo. Sofremos de canto, na segunda parte. São situações difíceis de controlar. Foi mais um ponto que não conseguimos anular. É preciso ser muito honesto com os jogadores. Ou seja, fizemos o jogo da melhor forma possível, dentro daquilo que preparamos, mas sabemos que podemos fazer melhor. Porque mesmo dentro do jogo, há momentos em que eles conseguem fazer e outros em que, como disse há pouco, a palavra não é desistir, não é deitar a toalha ao chão. De facto, há momentos no jogo, e já em jogos anteriores, em que a equipa fica completamente bloqueada.
E há momentos em que referimos os golos. Nós entendemos isso. Entendemos, nós e os jogadores, que muitos dos erros são culpa nossa. Mais nos jogos anteriores que, obviamente, neste. Porque o Sp. Braga não nos causou tantos problemas. É um bocadinho sobre isto.»

Necessidade de honestidade com os jogadores

«Ser honesto com eles e perceber onde errámos, o que precisamos melhorar, o trabalho que temos de fazer, durante a semana, trabalhar mais e melhor e preparar melhor o jogo. Concentrar-nos melhor, sermos mais competitivos e acreditar que podemos, pelo menos, melhorar as coisas.»

Lesão de Neiva

«Relativamente ao Neiva, não foi uma lesão grave. Ele sentiu cãibras, sentiu muita fadiga e pediu para ser substituído. É um jogador que não está habituado a jogar neste sistema. Além disso, tem tido muito pouco tempo de jogo, por isso é natural que, nestes primeiros jogos, tenha sentido fadiga. Na semana passada, também precisou de ser substituído devido a fadiga e pediu para sair. Portanto, é normal. Aos 65 ou 70 minutos, ele pode, nestes primeiros jogos, sentir fadiga. Portanto, felizmente, não há problema.

Não há margem para erro no mercado

«Sobre o mercado, primeiro, porque no mercado de inverno não podemos falhar. Portanto, não posso tomar nenhuma decisão precipitada, dependendo apenas deste jogo. Precisamos analisar um conjunto de questões para perceber o que podemos mexer e onde podemos mexer. Não tem a ver, por exemplo, com a questão do sistema tático, se vamos manter ou alterar. São situações que precisamos de decidir rapidamente para perceber o mercado e os jogadores com o perfil que queremos. E, a partir daí, tomar decisões sobre os jogadores que eventualmente vão sair.»

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