Leão voltou a sentir a liderança, mas não consegue lamber as feridas
Um leão ferido, no seu orgulho e também fisicamente, voltou a sentir o primeiro lugar do campeonato, mas agora divide-o com o Benfica. Empate na Vila das Aves (2-2) num jogo que esteve perfeitamente controlado, com uma vantagem de dois golos, mas acabou novamente com o credo na boca. Vê nova vantagem fugir nos descontos. Jogo de emoções fortes na Vila das Aves.
Com uma equipa transfigurada – foram seis as mudanças em relação a Dortmund – o Sporting soma o quinto jogo sem vencer, vendo o rival encostar-se no topo da tabela. A malapata não passa e o leão não consegue lamber as feridas.
O conjunto leonino tinha o jogo perfeitamente controlado frente ao AVS, mas pairou nas hostes leoninas o guião de jogos recentes. Diomande, que abriu o ativo, cometeu grande penalidade ao minuto 70 e em menos de dez minutos acabou expulso, deixando os leões com um credo na boca na reta final, acabando por consentir o empate.
Antes de mais, é inevitável falar na razia no plantel do Sporting, com especial enfoque das lesões no meio campo. Sem Hjulmand, Morita, Daniel Bragança, João Simões ou Pote, Rui Borges formou a dupla do miolo com Debast, adaptado mais uma vez, e com Alexandre Brito em estreia. Em contraponto, o técnico pôde contar com Trincão e Gyokeres no ataque. E a dupla, as principais referências ofensivas da equipa de Alvalade, foi decisiva a desbloquear o jogo frente a um AVS que estreou Rui Ferreira – o terceiro treinador da época – em casa.
Competência para criar vantagem de dois golos
Após um início do jogo frenético, com para e resposta junto de ambas as áreas, o Sporting estabilizou ao minuto onze ao chegar à vantagem. Diomande penteou o esférico movimentado por Trincão, após um canto, desviando-o de Ochoa. A bandeirola levantou-se de imediato, mas após uma longa espera Fábio Veríssimo anunciou a «legalidade» do central na sua ação.
Na frente do marcador, o Sporting conseguiu gerir o jogo de outra forma. Teve mais tranquilidade, em contraponto com um AVS que até tentou entrar aguerrido, mas viu-se cedo em desvantagem, correndo contra o prejuízo e contra o estigma de quem nos últimos quinze jogos apenas venceu um.
Um cenário propício para o segundo dos leões, que chegou pouco depois da meia hora de jogo num dos melhores lances do encontro. Longa troca de bola, Trincão conduziu as operações e, após tabelar com Gyokeres, abriu caminho para Maxi Araújo cruzar da esquerda. Na área o ponta de lança sueco voltou a marcar um mês depois, desviando com um toque subtil.
Tranquilidade até Diomande complicar
O intervalo foi tempo de afinações de parte a parte. Rui Borges apostou em Matheus Reis, Gustavo Mendonça foi lançado no AVS. Jogo completamente controlado pelo Sporting, o conjunto de Rui Ferreira tinha dificuldades para reentrar na discussão do jogo, até Diomande complicar.
O central que abriu o ativo cometeu grande penalidade ao minuto 70, ao atingir Piazon na face. Lance desnecessário a dar a Zé Luís a possibilidade de se estrear a marcar na presente edição da Liga. Estava relançado o jogo, ficando ainda mais incerto quando, passados nove minutos, Diomande voltou a complicar. Viu o segundo amarelo, após Veríssimo ter sido alertado pelo VAR, deixando o Sporting com menos um homem em campo.
Jogo virado de pernas para o ar. O Sporting não me mais se conseguiu organizar, e o AVS acreditou, como é natural. Quando já passavam sete minutos para lá dos noventa Gustavo Mendonça encheu o pé de fora da área, na sequência de um canto, e estabeleceu o empate com que se chegou ao final do encontro.
O leão não consegue, definitivamente. lamber as feridas. Num jogo competente, para lá das limitações, acaba por ceder dois pontos. Rui Ferreira volta a empatar, este um empate com outro significado. Já o Benfica tinha sucumbido desta forma na Vila das Aves.
