Quim Berto reconhece que os leões são «uma sombra do passado», mas acredita que Rui Borges «saberá por onde pode pegar»
Apesar de ter perdido a liderança para o Benfica, o Sporting tem capacidade para vencer os encarnados no dérbi e saltar de novo para o topo da tabela da Liga, segundo Quim Berto, antigo defesa-direito dos leões (1997-2001).
«Alguma coisa afetou aqueles jogadores, não pelo fator trabalho, mas a nível psicológico. Julgo que o Rui Borges saberá por onde pode pegar nestes jogadores. Tem um grande plantel à disposição, mas, neste momento, será preciso juntar todas as peças para que o coletivo se faça ver, supere todas as dificuldades e possa soltar as individualidades, algo que acontecia com Ruben Amorim», disse o ex-futebolista à agência Lusa.
Rui Borges vai estrear-se no comando do Sporting diante do Benfica e Quim Berto assume que a mudança no banco pode ser positiva para o plantel leonino.
«Há sempre aquele ar fresco que os jogadores poderão respirar depois de um momento conturbado, com resultados que não estavam a ser os melhores. Independentemente dos poucos dias de preparação para este dérbi, os atletas têm de encarar as coisas de outra forma com a chegada do Rui Borges, porque o Sporting não vai estar constantemente a mudar de treinador. É preciso alguma cumplicidade da sua parte. Eles têm de arregaçar as mangas, ser responsabilizados e perceber que a qualidade não se perdeu», frisou.
«O trabalho dele fala por si. É um técnico que tem subido a pulso na carreira, com muito trabalho, dedicação, profissionalismo e querer. As oportunidades só passam uma vez e o Rui aproveitou bem esta. Agora, é uma questão de lhe darem tempo para que as coisas comecem a correr da melhor forma. Nesta fase, com jogos seguidos e muito difíceis, não podemos nem sequer desconfiar dele», acrescentou.
O antigo jogador dos leões confessou ainda que a equipa, após a saída de Ruben Amorim, tornou-se «uma sombra do seu passado recente», o que levou ao despedimento de João Pereira.
«Ninguém estava à espera de que o Ruben Amorim saísse numa fase em que o Sporting estava muito forte. Talvez os atletas não estivessem preparados para essa mudança e tenham tido alguma dificuldade em assimilá-la. Independentemente de quem entrasse, seria sempre muito difícil fazer melhor do que aquilo que vinha a ser feito», analisou o ex-lateral, de 53 anos, que também chegou a estar ligado ao Benfica.
O Sporting tem várias baixas e Quim Berto destacou a ausência de Pedro Gonçalves – lesionado, tal como Nuno Santos, Gonçalo Inácio, Hidemasa Morita e Daniel Bragança – assim como o menor fulgor de Viktor Gyökeres.
«Até à saída do Amorim, ele estava a fazer a diferença. Nota-se que quer [dar a volta por cima], continua a ser um jogador de excelência e é só o melhor ponta de lança da prova, mas as coisas não têm saído bem. Acima de tudo, tem a ver com o coletivo, que faz com que as bolas não estejam a chegar aos seus pés na melhor perfeição. Quando o Pedro Gonçalves estava disponível, as coisas funcionavam de outra forma no ataque», finalizou.
O Sporting recebe o Benfica no próximo domingo, às 20h30, em Alvalade.
