Um filme já antes visto
Onde é que já que vimos este filme?
Em jornada de clássico entre Benfica e o líder FC Porto na Luz, o Sporting deixou-se empatar com o Sporting de Braga, desta vez na «Pedreira» e novamente com um penálti de Rodrigo Zalazar no final da compensação. Tal como em Alvalade.
Se o leão já se salvou várias vezes para lá dos 90 esta época (nos Açores, em Arouca, em casa com o Nacional e no Dragão), o Sp. Braga voltou a causar dissabores ao bicampeão, que em dois jogos com os minhotos vê fugir quatro pontos que podem ser absolutamente determinantes nas contas do título.
Por fim, apesar do desfecho tão amargo para os leões quanto saboroso para os bracarenses, é preciso dizer que o golo tardio foi um prémio inteiramente ajustado (e mínimo) fruto da grande segunda parte da equipa de Carlos Vicens.
O leão fez marcha-atrás para segurar o resultado na reta final, quando Rui Borges tirou Geny Catamo para colocar Eduardo Quaresma junto a Diomande e Gonçalo Inácio, parecia que ia sair com a vitória… até que em cima do terceiro e último minuto extra, o braço de Gonçalo Inácio – que antes abrira o marcador – encontrou a bola após o remate de Ricardo Horta e Zalazar tornou o final de jogo um sério castigo para quem procurava colocar pressão total em dragões e águias.
O Sporting saiu já para o intervalo a vencer por 2-1, com golos de Gonçalo Inácio (após canto) e Luis Suárez (de penálti) – pelo meio Ricardo Horta marcou para os minhotos – e procurou segurar-se com tudo o que pôde para manter a vantagem mínima. Mas tanto foi baixando linhas que sofreu na pele o que já fez a vários oponentes. Vicens lançou tudo lá para a frente e acabou por evitar uma derrota que, em Braga para a Liga, já não acontece desde setembro.
Num jogo marcado pelo regresso de Pedro Gonçalves ao onze dos leões e de Paulo Oliveira e João Moutinho nos minhotos (Vicens manteve Diego no onze e colocou-o na ala esquerda), a primeira parte foi taticamente interessante e com alternâncias de superioridade.
O Sp. Braga até entrou com mais bola, montou um bloco que condicionou o jogar do leão nos minutos iniciais, até que o Sporting descobriu como pôr em sentido o adversário, com variações rápidas e Geny Catamo como referência a criar grandes dificuldades a Diego Rodrigues nos dois primeiros avisos para Hornicek. Do último deles nasceu o canto que Pote bateu para Inácio abrir o marcador.
O jogo estava difícil como nunca para os da casa a meio da primeira parte e Hornicek salvou males maiores quando, logo de seguida, negou o 2-0 a Suárez, antes de ser assistido numa paragem que permitiu a Vicens reunir tropas e responder pela certa ao minuto 34: na primeira e única ocasião clara da primeira parte, Moutinho variou jogo para Zalazar, que tirou Geny do caminho e cruzou para Horta empatar com um grande remate de primeira, num lance em que a defensiva leonina deixou a desejar (basta ver o quão longe Fresneda estava de compensar Geny).
Mas… quem tem Luis Suárez arrisca-se a ser feliz e, já com o leão à procura do segundo, o colombiano ganhou o lance a Arrey-Mbi e provocou infração do central para um penálti que o avançado transformou no 2-1 e no golo 100 do leão esta época.
Na segunda parte, Vicens trocou o amarelado Paulo Oliveira por Moscardo e, depois de um grande lance coletivo do Sporting ao minuto 50, quase só se viu Sp. Braga. O Sporting, que fez uma boa primeira parte, não matou o jogo quando pôde e os minhotos trocaram bola, fizeram o leão baixar linhas (como já tinham feito, por exemplo, ao FC Porto no Dragão) e Horta cheirou o golo na cara de Rui Silva (61m). Pouco depois, aos 75m, Victor Gómez arrancou cruzamento à direita e obrigou Rui Silva a travar o esférico em cima da linha.
Só que, para quem fez o que fez no meio-campo contrário, era preciso mais poder de fogo. Rematar à baliza. E, já com a “carne toda no assador”, o Sporting até conseguiu sair e soltar-se da pressão nos minutos finais, mas a insistência minhota resultou, por fim, num ponto que nada tem de surpreendente dado o ascendente do Sp. Braga… que acaba por dar mais oxigénio aos rivais no clássico de domingo.