Horta planta Braga no pódio. E o dragão tem muita pedra para partir
O Sporting de Braga tem Horta plantada na corrida ao pódio.
O FC Porto, por cada vez mais trabalho que tenha com Anselmi, tem ainda de partir muita pedra. Bem que o tentou na Pedreira, mas sem resultados.
Em nove jogos com o argentino, ganhou três. E não ganhou dois seguidos. Falta consistência no jogo e nos resultados.
Um golo de Ricardo Horta, de livre direto, aos 17 minutos, decidiu o jogo grande da 25.ª jornada (1-0). Colou os minhotos aos dragões com 50 pontos na luta pelo 3.º lugar e, nas circunstâncias atuais, deixa o FC Porto a ter de, mais do que olhar a uma corrida pelo título que parece cada vez mais centrada em Sporting e Benfica, a ter de olhar para quem tem ao seu encalce na luta pelo pódio.
Alerta amarelo, Braga mais efetivo e FC Porto só perto do descanso
Sem Fábio Vieira, Anselmi adiantou João Mário no terreno e apostou no onze em Martim Fernandes na ala direita e em André Franco ao lado de Alan Varela. Era um 3x4x3, mas foi nítida, muitas vezes, uma construção a quatro a partir do quarto de hora, por Nehuén e Marcano, com Otávio mais aberto na esquerda. Do lado do Sp. Braga, Gabri Martínez e El Ouazzani renderam Roger e Fran Navarro.
Nos primeiros 15 minutos, estudo, expectativa e um FC Porto condicionado com três cartões amarelos, a Nehuén Pérez, Gonçalo Borges e Martim Fernandes. O último foi por falta sobre Ricardo Horta após perda de bola em zona proibida para Chissumba e originou o 1-0 para os minhotos. Livre rasteiro e forte de Horta, a passar ao lado da barreira e a bater Diogo Costa. A bola parada desbloqueava um jogo ainda algo preso.
Era alerta amarelo para o dragão a dobrar: na folha disciplinar e no marcador. E a reação firme à desvantagem tardou. É certo que o Sp. Braga, além do golo, só incomodou verdadeiramente Diogo Costa num remate de Gabri ainda com 0-0, mas Hornicek pouco trabalho teve… até perto do intervalo. E mesmo assim o que o FC Porto fez foi escasso. O Sp. Braga soube melhor o que fazer com bola e estava confiante e confortável sem ela.
Depois de um primeiro aviso de João Mário (20m), o FC Porto acercou-se mais tempo da área nos minutos finais. Otávio atirou para defesa do checo (42m), antes do lance mais polémico do jogo: Samu cabeceou, Hornicek tocou com a luva na bola e depois na cara. O FC Porto pediu penálti, Luís Godinho mandou seguir.
Voltas de Anselmi à equipa sem êxito e a vertigem final
Depois de um reinício equilibrado, Anselmi tirou Marcano e lançou William Gomes (57m), ajustando a equipa, que criou talvez o lance mais perigoso na segunda parte para empatar logo a seguir, num cabeceamento de André Franco, mas que foi ao lado.
Anselmi andou depois às voltas na equipa à procura do empate: tirou Martim e lançou Namaso e para a reta final apostou em Zaidu, Gül e Eustáquio. De um lado muitas mexidas, do outro Carvalhal fiel e firme à estrutura e ao 11 (competente) até ao minuto 80, quando trocou Gorby por Racic. No meio disto tudo, em comum duas equipas sem criar grande perigo junto das balizas, com ideias distintas para lá chegar: o FC Porto à procura de desbloquear o bloco compacto e mais baixo do Sp. Braga e este a explorar transições. Na parte final, de destacar um remate de Gabri para defesa de Diogo Costa.
Sem que o FC Porto criasse também real perigo, a incerteza do 1-0 deu vertigem ao jogo na reta final… e também tensão, com faltas, gritos e cartões, um deles vermelho, a Tiago Sá, no banco do Sp. Braga. Do outro lado, também um vermelho... o de alerta para um FC Porto cada vez mais longe do título e a defender o 3.º lugar (vai-lhe valendo o saldo de golos total na Liga, face à igualdade no confronto direto com o Sp. Braga, a quem ganhou 2-1 no Dragão).
E a sair da Pedreira a ter de partir muita pedra.