Treinador dos minhotos considera que podia sair com os três pontos e recorda as mudanças que operou desde janeiro
Carlos Carvalhal, treinador do Sporting de Braga, em declarações na conferência de imprensa após o empate na receção ao Benfica (1-1), na 34.ª e última jornada da Liga:
«[Que análise faz à partida? Ficou a sensação de que o Sp. Braga poderia vencer] Parabéns ao Sporting pelo título, antes de mais. Foi um jogo divertido, com oportunidades de ambos os lados, poderíamos ter ganhado. Foi uma tarde à Braga, com a equipa intensa, a praticar bom futebol, a defender bem, a sair em ataque rápido e também a controlar com bola. Chegámos ao intervalo com 1-0 e estávamos mais perto do segundo do que o Benfica do primeiro. Na segunda parte, a história do jogo muda com o golo e a expulsão do Moutinho. O Benfica é uma grande equipa, atirou-se para a frente com avançados, jogou mais perto da nossa baliza, arriscou tudo e podíamos ter marcado em oportunidades claras no contra-ataque.
Pensámos o Sp. Braga a partir de janeiro e a equipa a partir de janeiro correspondeu muito bem. Fizemos muitos pontos na segunda volta. Este é o caminho.»
«[Sentiu a meio da temporada que a equipa podia estar uns degraus acima?] Isto é o que é. O campeonato não se define a partir de janeiro, entrámos numa altura muito difícil. Entre agosto e 31 dezembro tivemos 19 treinos aquisitivos, sem pré-época. Isto levou à irregularidade da equipa. Em janeiro, fizemos uma reformulação do plantel, ascenderam jogadores das camadas jovens, tivemos mais tempo para treinar e o Sp. Braga esteve muito bem nesta segunda volta.»
«[Controlou grande parte do jogo com e sem bola. Qual foi a chave estratégica para o jogo?] Foram jogos ricos taticamente todos com o Benfica. Quando fomos lá ganhar surpreendemos e, na Taça da Liga, surpreenderam-nos, sem dúvida. Na Taça já foi dividido. Este jogo foi como o terceiro. O Benfica surpreendeu no posicionamento do Kökcü muitas vezes na direita e jogaram mais largo para os corredores, mas o Roger e o Horta estiveram irrepreensíveis. Com bola, era importante levarmos o jogo para fora e irmos buscar o lado contrário, onde estava o espaço. O Benfica sentiu dificuldades aí e surpreendemos nessa fase. Depois, com muitos avançados dentro de campo, o Vítor Carvalho teve importância. Ainda tivemos umas saídas na transição, uma delas não dá golo de forma incrível.»
«[De que forma procurou reorganizar a equipa após a expulsão de Moutinho?] O Carreras estava no corredor e o Roger fazia muito bem a cobertura e pode jogar em 60 ou 70 metros, alinhava atrás e permitia ao Victor Gómez jogar mais por dentro perto do Bruma. Com o Horta e o Chissumba era um pouco diferente. O Chissumba tem um grande sentido posicional e libertava o Ricardo.»
«[Fran Navarro na bancada] Não foi opção, está lesionado. O Fran integra a equipa em janeiro, não estava a jogar regularmente no FC Porto, quando estava perto da forma lesiona-se, depois da lesão ainda estava longe do que conhecemos e lesionou-se outra vez. Nunca tivemos o Fran nas melhores condições.»
«[Tem um sentimento agridoce pelo quarto lugar?] No plano factual, ficamos em quarto. Terceiro seria acima dos mínimos, uma época muito boa. A resposta ao meu sentimento pessoal, em função das dificuldades… só eu sei o que passei este ano para que o barco estivesse sempre numa boa direção, com toda a gente dentro. Um esforço muito grande meu e da minha equipa técnica. Chego ao fim com a sensação de dever cumprido e um orgulho muito grande no plano pessoal. Para a história fica que o Sp. Braga ficou no quarto lugar.»
«[Vai preparar a época mais cedo, porque vai terminar em quarto. De que forma está a preparar a época e que jogo destaca desde a sua chegada?] Com o Hornicek na baliza, Chissuma no lado esquerdo, Roger na direita, Patrão a avançado, o Diego, o Furtado, o Vasconcelos, o João Carvalho, o Sandro Vidigal, o Jonatas… um olhar aos meninos desde os sub-15. É a melhor forma de preparar o Sp. Braga.
«O jogo que mais me marcou, porque podíamos ter feito ainda melhor, foi com a Lazio [vitória por 1-0, na última jornada da fase de liga da Liga Europa], que é uma superequipa. Precisávamos de mais um golo, tivemos duas oportunidades cara a cara com o guarda-redes e tive a sensação de que tínhamos capacidade para disputar os três pontos com qualquer equipa.»