Rio Ave-Santa Clara, 1-0 (crónica)

André Cruz , Estádio dos Arcos, Vila do Conde
2 out, 17:33

O ritmo do Emmanuel

Um golo de Emmanuel Boateng ditou o ritmo e o desfecho do duelo entre Rio Ave e Santa Clara no Estádio dos Arcos (1-0). Numa partida em que ocasiões foram mais raras do que um dia sem vento em Vila do Conde, o avançado ganês marcou pela segunda vez no campeonato e proporcionou um salto na tabela ao conjunto que está de regresso ao mais alto patamar do futebol português.

Depois de ter deixado fugir a vantagem de 2-0 em Barcelos, o Rio Ave provou alguma maturidade e segurou o triunfo curto, mas precioso.

FILME DO JOGO

Após a paragem, os dois treinadores operaram algumas mexidas. Luís Freire não pôde contar com o capitão Guga, expulso em Barcelos, e inovou, apostando num 3-5-2, com Patrick William a juntar-se a Josué e Aderllan Santos na defesa e Samaris e João Graça no meio-campo. Já Mário Silva, que recebeu vários reforços no último defeso, ainda procura um onze base e fez quatro mudanças, adotando também uma defesa a três: Paulo Henrique, Adriano, Allano e Matheus Babi deram lugar a Paulo Eduardo, Bicalho, MT e João Lima.

A primeira parte foi (diga-se de uma forma simpática) entretida. Os 10 minutos iniciais prometeram um jogo animado e com muito trabalho para os dois guarda-redes, mas pouco disso se viu.

Logo no primeiro minuto de jogo, Andreas Samaris, que somou a primeira titularidade, derrubou Gabriel Silva na área, mas a bola já tinha ultrapassado a linha de fundo e por isso mesmo Claúdio Pereira não assinalou grande penalidade após ver as imagens no monitor. Samaris suspirou de alívio, mas estava deixado o aviso à defesa vilacondense: Gabriel Silva prometia ser uma dor de cabeça.

O Rio Ave serenou e, na primeira e única verdadeira oportunidade de golo, fez o 1-0. Miguel Baeza, esclarecido no miolo, colocou em Pedro Amaral e o defesa-esquerdo centrou para o meio da confusão. A defesa açoriana afastou a bola, que sobrou para Emmanuel Boateng, que armou o remate certeiro, embora o desvio em Tassano tenha traído Marco. 

A equipa de Mário Silva, então, teve de assumir o risco e tentar o empate, mas denotou muitas dificuldades da construção – que falta faz uma dupla como Morita e Lincoln -, até porque ninguém no meio-campo parecia acompanhar o ritmo de Victor Bobsin.

As únicas aproximações perigosas do Santa Clara surgiam em lançamentos na profundidade para Gabriel Silva, mas o irrequieto extremo brasileiro também pecou no momento de definir.

Ao intervalo, enfim, a falta de rotina entre os jogadores insulares era por demais evidente.

A segunda parte caminhava para um filme semelhante, mas expulsão de Kennedy Boateng, aos 66 minutos, veio mudar o guião. Emmanuel Boateng até já tinha saído por limitações físicas, mas deu lugar a Fábio Ronaldo, o homem que provocou a expulsão do central açoriano. O avançado vilacondense rasgou pelo meio da defesa insular, após um passe magistral de João Graça, e acabou travado por Kennedy Boateng, que viu cartão vermelho, já que o adversário seguia para ficar em posição privilegiada.

A tarefa tornou-se mais fácil para os homens de Luís Freire, que só não deram contornos de pesadelo ao regresso de Mário Silva aos Arcos porque Marco negou o golo a Miguel Baeza (77m), na única oportunidade que o espanhol teve de mostrar a qualidade de remate de um pé esquerdo que não engana.

A jogar com menos um e apesar das tentativas de acrescentar velocidade e frescura em campo, o Santa Clara não fez qualquer remate à baliza na segunda metade e confirmou o mau arranque de temporada: perdeu os quatro jogos fora de portas e soma apenas cinco pontos em oito jornadas. Nesta jornada, poderá ainda cair para a zona do play-off de despromoção.

O Rio Ave, que já defrontou FC Porto e Sporting, chegou aos nove pontos e subiu ao 10.º lugar. Uma lufada de ar fresco para Luís Freire, que pela primeira vez viu a sua equipa a ficar com a baliza a zeros e, além disso, tem mais um motivo para sorrir: no primeiro duelo com Mário Silva, levou a melhor.

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