Rio Ave-Estoril, 2-2 (crónica)

Samuel Santos , Estádio dos Arcos, Vila do Conde
21 set 2024, 17:45

Revolta «Canarinha» trava nau de Luís Freire

Na fortaleza dos Arcos, quem afundar a tripulação do mestre Freire será lembrado por tal feito. Já lá vão 329 dias desde o último dissabor em Vila do Conde para a Liga. Aconteceu a 29 de outubro de 2023, ante o Farense (3-4), do general José Mota.

Em todo o caso, na tarde deste sábado, em encontro da sexta jornada, o Rio Ave sucumbiu a «meia-parte» do Estoril (2-2).

Luís Freire viu Kiko Bondoso capitalizar a titularidade, em detrimento de Olinho. A meio-campo, o timoneiro dos vilacondenses trocou João Novais por Martim Neto, jovem de novo emprestado pelo Benfica.

Do outro lado, e apesar do triunfo caseiro ante o Nacional – o primeiro da época – Ian Cathro trocou Pedro Carvalho e Hélder Costa, por Wagner Pina e André Lacximicant.

Recorde, aqui, o desenrolar deste encontro.

A organização dos anfitriões na transição rapidamente estancou a ambição dos «Canarinhos». Após o aviso de Tiago Morais, ao sétimo minuto, Kiko Bondoso protagonizou o primeiro momento de festa.

A inspiração de Omar Richards – que aplicou um «túnel» sobre um adversário – foi capitalizada pelo extremo que, ao nono minuto, se estreou a marcar na Liga, com um remate cruzado.

Embalados pela «onda» na bancada, os vilacondenses quase duplicaram a vantagem aos 11m, mas novo passe de Omar Richards – que picou o esférico sobre a defesa – foi desaproveitado por Tiago Morais.

Na mó de cima, o Rio Ave não foi incomodado pelos forasteiros até ao intervalo, controlando o ritmo a seu belo prazer. Ademais, Xeka rumou aos balneários, por lesão, aos 26m, enquanto João Carvalho terminou o primeiro tempo muito queixoso do joelho.

Quem diria, um Estoril aguerrido

As ordens de Ian Cathro no balneário surtiram efeito, a julgar pela resposta fulgurante aplicada pelos «Canarinhos». Com Fabrício a comandar o ataque, o substituto de João Carvalho juntou-se a Lacximicant e Begraoui em oportunidades desperdiçadas.

Quando se adivinhava o 1-1, Vrousai e Clayton soltaram a festa no Estádio dos Arcos. Num raro ataque, aos 59m, o grego cruzou para a área deserta e o brasileiro surpreendeu tudo e todos, assinando o terceiro golo no campeonato.

Determinado em não deitar a toalha ao chão, Cathro apostou em Marqués e Holsgrove, em detrimento de Lacximicant e Michel. E os efeitos foram imediatos. Estavam decorridos 64 minutos, quando o ponta de lança espanhol reduziu, após cruzamento pela direita.

Entusiasmados com o novo momento, os «Canarinhos» alcançaram o empate volvidos quatro minutos. Face ao desnorte do Rio Ave, os visitantes contaram com a teimosia de Fabrício, que fuzilou a baliza de Jhonatan, de um ângulo muito apertado.

Até final, Luís Freire reforçou o ataque com Hassan, Fábio Ronaldo e Tiknaz, mas sem engenho para superar Joel Robles, o herói do Estoril. O experiente guardião, de 34 anos, travou mais de uma mão cheia de oportunidades, algumas de forma intuitiva e vistosa.

Desesperados por retomar a dianteira do resultado, o apito final soltou a ira dos adeptos, com alguns lenços brancos na direção de Luís Freire. Por certo, dariam como garantido um desfecho muito diferente ao intervalo.

Assim, o Rio Ave é 10.º classificado, com sete pontos. Após os primeiros pontos desperdiçados em casa, os vilacondenses visitarão o Sp. Braga, na noite de 29 de setembro (20h30).

Por sua vez, o Estoril conquistou o segundo ponto longe da Amoreira, subindo ao 12.º posto, com seis pontos. Segue-se a receção ao Sporting, na noite de sexta-feira (20h15).

Figura do jogo: Joel Robles, o muro de Cathro

Face ao empate a dois golos, o guardião do Estoril vestiu a capa de herói para travar Hassan e companhia. Num final de jogo vistoso, voltou a lembrar por que motivo havia sido descrito como «contratação sonante» durante o verão. Em suma, o espanhol agigantou-se para contrariar o rumo do encontro e descartar as probabilidades.

Momento do jogo: o empate de Fabrício, 68m

O azar de João Carvalho revelou-se uma oportunidade importante para Fabrício reclamar a titularidade. Depois de rematar ao poste, aos 51m, o extremo completou o empate, aos 68m.

Até final, integrou a missão defensiva, servindo de referência para os contra-ataques.

Mais/menos: o apagão do Rio Ave

Depois de uma primeira parte segura, a turma de Luís Freire deixou-se intimidar pela reação dos «Canarinhos». Por essa via, o resultado justifica-se, pois os vilacondenses apenas retomaram a batuta ofensiva quando o marcador estava já em 2-2.

Ademais, a segunda parte justifica o desespero de alguns adeptos, que viram dois pontos dados ao desbarato. Poderão revelar-se essenciais no desenrolar da época.

 

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