Em Ruben Amorim não se toca: as respostas dos candidatos às eleições no Sporting

5 mar, 09:42
Candidatos Sporting

O Maisfutebol colocou três perguntas aos candidatos à presidência sobre três aspetos fundamentais no clube: o futuro, o futebol e as finanças. Frederico Varandas não aceitou responder, mantendo a política de falar o menos possível das eleições. Apresentamos-lhe, ainda assim, os aspetos que marcam a diferença entre os três homens.

O Sporting vai este sábado a eleições com três candidatos na corrida: Frederico Varandas lidera a Lista A, Ricardo Oliveira encabeça a Lista B e Nuno Sousa comanda a Lista C.

O primeiro, 42 anos, é médico licenciado pela Universidade Nova de Lisboa, capitão do exército e presidente do clube desde 2018, quando ganhou as primeiras eleições a que se candidatou.

Ricardo Oliveira tem 51 anos, foi campeão de golfe, licenciou-se com uma bolsa nos Estados Unidos, tirou uma pós-graduação em gestão e um mestrado em finanças, ambos na Católica Business School. Já trabalhou no governo e é presidente da Federação Portuguesa de Padel.

Nuno Sousa tem 45 anos, é natural do Porto e licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade Católica. Aos 23 anos mudou-se para Lisboa e foi na capital que fez o seu trajeto profissional.

Numa coisa, refira-se, os três candidatos estão de acordo: Ruben Amorim tem de ficar o máximo tempo possível e Hugo Viana também é para manter na direção da estrutura de futebol.

Para além disso, Frederico Varandas apresenta como principais medidas a estabilização da estrutura de custos, o reforço da aposta na formação e a consolidação do modelo centrado no jogador, a expansão da Academia com a criação de dois novos campos de futebol, um projeto de transformação digital e a criação de um Business Hub, com espaço de coworking, em Alvalade.

Ricardo Oliveira, por outro lado, defende um financiamento a longo prazo entre 150 e 200 milhões para reestruturação da dívida, prevê a entrada da Digital Investment Platform SarL como parceiro de referência, mantendo o clube a maioria da SAD, e fala na criação da Cidade do Desporto, perto de Lisboa, onde funcionará a formação de todas as modalidades.

Nuno Sousa, por fim, defende a contratação de um Chief Financial Officer e a procura de parceiros internacionais para refinanciar a dívida, uma estrutura para o futebol formada por presidente, diretor geral, diretor para o futebol e team manager, um máximo de 60 atletas entre equipa principal, equipa B e sub-23, um máximo de 15 emprestados e a recompra do Alvaláxia.

Na véspera de os sócios do Sporting escolherem entre estes três homens para assumir a presidência do clube, o Maisfutebol colocou-lhes três perguntas para esclarecer mais do que os programas eleitorais dizem. Frederico Varandas foi o único que não respondeu, mantendo uma estratégia de falar o menos possível sobre as eleições e promover o debate entre os candidatos.

FUTURO

Qual a primeira medida que vai tomar se for (re)eleito?

Frederico Varandas:
Não respondeu

Ricardo Oliveira:
«A primeira medida terá de ser dividida em duas partes, a executar em simultâneo. Ou seja, negociar a imediata reestruturação financeira, fechar um financiamento com juro baixo, para consolidar a dívida e substituir o passivo de curto prazo por passivo de longo prazo, e abrir o Sporting aos Sportinguistas: comigo, todos os sócios e adeptos serão bem-vindos à casa de todos nós. Não mais haverá sócios de primeira ou de segunda, ou perguntas sem resposta. Serei presidente de todos os sportinguistas, mesmo daqueles que não concordam comigo, que não são, por isso, menos sportinguistas do que eu.»

Nuno Sousa:
«Falar com todos os funcionários e atletas passando uma mensagem de grande tranquilidade. Depois, inteirarmo-nos dos dossiês, principalmente os financeiros, nomeadamente o da reestruturação financeira e o do orçamento da próxima época desportiva. Tomar medidas sem análise prévia não o iremos fazer, isso garantimos.»

FUTEBOL

A estrutura do futebol atual com Ruben Amorim e Hugo Viana é para ter continuidade se for (re)eleito?

Frederico Varandas:
Não respondeu

Ricardo Oliveira:
«Rúben Amorim é treinador do Sporting, colaborador do Sporting, e continuará a sê-lo, independentemente de quem vença as eleições. Se for presidente do Sporting, tudo farei para que Rúben Amorim continue por muitos anos e procurarei dar-lhe mais e melhores condições para trabalhar do que agora dispõe. Ao que tudo indica, Rúben Amorim e Hugo Viana mantêm uma excelente relação de trabalho, pelo que não faria sentido, estando de fora, mudar o que está a funcionar bem. Tenho uma ideia clara da estrutura para o futebol profissional, para a profissionalização do recrutamento e das relações com o mercado, e veremos, a seu tempo, como integrar cada um dos profissionais da SAD e como potenciar, ao máximo, as suas capacidades.»

Nuno Sousa:
«Queremos reforçar a estrutura da SAD e profissionalizá-la nomeadamente ao nível da sua administração. Rúben Amorim é o treinador do SCP com contrato por mais duas épocas e está a fazer um ótimo trabalho. A nossa estrutura contempla também a existência de um diretor desportivo e, caso seja esse o entendimento de todos, Hugo Viana poderá perfeitamente enquadrar-se nessas funções. O nosso foco será sempre melhorar o que se puder melhorar e manter o que estiver bem.»

FINANÇAS

Que plano tem para reestruturar a dívida? Considera importante ou admite a entrada de um investidor importante na SAD?

Frederico Varandas:
Não respondeu

Ricardo Oliveira:
«O que pretendemos, a curtíssimo prazo, é assegurar um financiamento de juro baixo, num montante que poderá oscilar entre os 150 e os 200 milhões de euros, para fazer face aos compromissos imediatos. Trata-se de substituir dívida de curto prazo, com diversos credores, por um único crédito, de juro mais baixo, sem aumentar o passivo, que nos permita fazer face aos atuais compromissos e assegurar, de imediato, a recompra da totalidade das VMOCs em falta. Com essa operação, e após a conversão, o Sporting passará a deter cerca de 88 por cento das ações da SAD, pelo que poderá, perfeitamente, vender 25 por cento, por um valor significativamente mais alto e, ainda assim, ficar com uma maior percentagem do capital do que agora detém.»

Nuno Sousa:
«Se já houver trabalhos a decorrer, vamos tentar trabalhar em cima dessa solução. Caso não haja trabalho feito, então tem de se ir à procura de instituições financeiras internacionais com as quais seja possível reestruturar a estrutura de capital do SCP, com financiamentos de longo prazo que, ao mesmo tempo, englobem nesse montante a recompra dos VMOC em falta. O foco é recomprar a totalidade dos VMOC, não é procurar um investidor.»

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