Boavista-Rio Ave, 3-3 (crónica)

Pedro Jorge da Cunha , no Estádio do Bessa, Porto
10 abr 2021, 17:42

«Pelo na venta» num clássico nortenho com o coração aos saltos

De um clássico nortenho não se espera menos do que isto. Coração aos pulos, olhos enraivecidos, duelos físicos sempre no limite, emoção e uma boa polémica. Várias polémicas, aliás. Ah, e suspense até ao último apito.

Acabou tudo empatado, com um sofrimento quase insuportável para os dois lados. Fábio Coentrão, renascido, fechou o 3-3 já muito depois do minuto 90. Celebração no lado visitante e frustração para os axadrezados, que estiveram muito, muito perto de agarrar a vitória e igualar o Rio Ave com 27 pontos.

Vamos direitinhos para os momentos determinantes do jogo. Aos 60 minutos, a vencer por 2-1, o Boavista sofreu um penálti – mais do que duvidoso – e teve de lidar com a expulsão de Hamache. Faltava meia-hora e tudo podia mudar aí.

Mas Pelé falhou. Ou Léo Jardim defendeu, como queiram. O Rio Ave carregou, ainda a perder, e empatou por Carlos Mané aos 71 minutos. Com mais de 20 minutos pela frente e em superioridade numérica, todos no Estádio do Bessa começaram a pensar que este clássico ia acabar por pender para os de Vila do Conde.

FICHA DE JOGO E AO MINUTO

O futebol é, porém, mágico e capaz de ter sempre mais uma surpresa para nos agraciar. Assim foi, uma vez mais. Com a equipa a resistir lá atrás (grande jogo de Adil Rami) e a ser capaz de se adaptar à inferioridade no número de jogadores, o Boavista acabou por surpreender e fazer o 3-2 na sequência de um lance de bola parada.

Ironia das ironias, o autor do infeliz autogolo foi Ronan, o homem que entrara um minuto antes para fazer golos… na baliza de Léo Jardim. Não se percam neste argumento porque, de facto, há muitos eventos e incidentes ao longo de todo o fio condutor.

Depois de tanto sofrer e de ainda ter sido capaz de fazer o terceiro golo, o Boavista acabou por permitir o empate já fora de horas. Fábio Coentrão aproveitou uma bola perdida, após canto na direita, e rematou de forma muito colocada para o empate final.

No meio da explosão dos festejos, o treinador do Rio Ave foi apanhado pelas câmaras de televisão a fazer um gesto feio. Muito feio. Por ter sido capaz de conquistar um ponto na casa de um adversário que jogava com menos um há mais de meia-hora.

São assim os clássicos. Nem sempre a razão acompanha o coração e nem sempre os comportamentos são virginais e exemplares. O que é pena, pois a qualidade do jogo dos dois lados foi satisfatória e o espetáculo, exceção feita às tais reações menos próprias de intervenientes importantes, merece nota máxima.

Duas equipas com estilos antagónicos, logo três golos nos primeiros 13 minutos, um Boavista a jogar num bloco médio-baixo e a capitalizar a potência e a velocidade de Alberth Elis, o avançado que assistiu Yusupha nos dois primeiros golos; o Rio Ave, por outro lado, a interpretar bem o ataque posicional, mas com tremendas dificuldades na transição defensiva.

O empate é justo? É aceitável, embora as melhores oportunidades de golo tenham estado mais perto da baliza de Kieszek. Seja como for, grande tarde de futebol no Bessa. Um clássico à moda do Norte, com ‘pelo na venta’.

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