Organismo é liderado por Reinaldo Teixeira desde abril
A nova direção da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), liderada por Reinaldo Teixeira, não tem qualquer mulher entre os membros. O presidente e os oito representantes dos clubes, mais o vogal federativo, integram uma estrutura exclusivamente masculina, algo que a Liga defende estar «em conformidade com a lei».
Ricardo Teixeira assumiu a presidência da LPFP em abril deste ano, sucedendo a Pedro Proença e completando o mandato que decorre até 2027. Além da direção, o dirigente lidera também a comissão executiva, onde figuram as únicas duas mulheres ligadas a este órgão executivo: Susana da Silva Curto e Sónia Costa Cunha. Ao seu lado estão ainda André Mosqueira do Amaral, Bernardo Azevedo e Francisco Antunes.
Na direção, os lugares estão distribuídos pelos representantes dos clubes: da I Liga, Tiago Madureira (FC Porto), Nuno Catarino (Benfica), André Bernardo (Sporting), Pedro Coelho Lima (Vitória SC) e José Miguel Albuquerque (Alverca); e da II Liga, André Castro (Leixões), Carlos André Gomes (Marítimo) e Miguel Fernandes (Feirense). O elenco inclui ainda Rui Caeiro, em nome da Federação Portuguesa de Futebol.
Este grupo sucede a última direção, presidida por Proença, que contava com Alexandrina Cruz (Rio Ave) e Júlia Almeida (Casa Pia), as últimas mulheres com assento neste órgão.
Segundo o Regime Jurídico das Federações Desportivas (RJFD), «a proporção de pessoas de cada sexo a designar para cada órgão das federações desportivas não pode ser inferior a 20 %, a partir da primeira assembleia geral eletiva após a entrada em vigor da presente lei».
Todavia, Pedro Proença foi eleito para o terceiro e último mandato ainda antes da aprovação desta lei, a 15 de fevereiro de 2024, ainda que a estrutura de direção da presente tenha sido apresentada somente a 17 de julho.
Fonte oficial da LPFP garantiu à Lusa que «não há desconformidade» e que os atuais mandatos «foram iniciados antes da nova legislação». A mesma fonte reforça que o IPDJ, quando questionou o tema, «excluiu a direção, por ser um órgão colegial composto por pessoas coletivas».
Contudo, um parecer homologado pelo secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, em 22 de agosto de 2024, vem contrariar esta interpretação. O documento defende que o princípio da proporcionalidade — 20 % de mulheres até 31 de dezembro de 2025 e 33,3% após as primeiras eleições realizadas depois de 1 de janeiro de 2026 — deve abranger não apenas a direção, mas também a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal.
De momento, tanto a Mesa da Assembleia Geral, presidida por António Saraiva desde 9 de maio, como o Conselho Fiscal continuam igualmente sem presença feminina.