Médio garante ainda que guarda «zero» ressentimento quanto à forma como saiu do Benfica em 2022
Pizzi garante que não guarda qualquer ressentimento quanto à forma discreta como saiu do Benfica, em 2022, depois de oito anos a jogar de águia ao peito e quatro títulos de campeão conquistados. Em entrevista à DAZN Portugal, poucos dias depois de ter dado como concluída a carreira, o jogador de 36 anos diz que continua a sentir na pele o reconhecimento dos adeptos, mas também diz que é normal que haja algum desgaste quando um jogador está muitos anos num clube e os resultados não são os melhores. O antigo internacional revela ainda que sentiu «alívio» quando soube que Rui Vitória estava a chegar para o lugar de Jorge Jesus em 2015.
«É uma situação complicada. Durante muitos anos foi-me dado reconhecimento, ainda agora o meu reconhecimento perante os adeptos do Benfica é enorme, ou seja, a qualquer lado que eu vá, os adeptos do Benfica têm um carinho enorme por mim. Obviamente que há momentos das épocas e dos anos em que se calhar eu não fui tão reconhecido como aquilo que poderia ter sido. Nós em Portugal temos um problema muito grande, que é... esquece-se rápido. Isto é a minha opinião», começa por dizer.
O médio diz que nunca sentiu qualquer hostilidade enquanto o Benfica foi campeão. «Eu acho que, se um jogador estiver durante muitos anos num clube, as pessoas vão-se cansando do que está ali, do que é o jogador, do que é a pessoa, e começa-se a entrar para outros patamares e para outras situações que não se deveriam entrar. Acho que aconteceu isso um bocado comigo no Benfica. Durante muitos e muitos anos nós ganhávamos e ganhávamos bem e éramos campeões. E se calhar aquilo começou a tornar-se, para os benfiquistas e para todas as pessoas ligadas ao Benfica, uma coisa normal, porque nós ganhámos quatro campeonatos seguidos, ou seja, era normal ganharmos», recorda.
Quando os resultados são menos positivos, tudo muda. «Depois, quando tu não ganhas, as pessoas começam a dizer: “Aquele já tem de ir, já tem que vir outro”. Isto começa a ser uma bola de neve e acho que aconteceram ali situações que não deveriam ter acontecido, que acabaram por acabar no que acabou. Mas, em relação aos adeptos e à estrutura do Benfica, tenho zero a dizer, porque sempre fui muito bem tratado e muito bem recebido», acrescenta.
«Quando soube que era o Rui Vitória que vinha para o Benfica foi um alívio enorme para mim»
Pizzi fala, depois, do contraste entre as formas de treinar de Jorge Jesus e Rui Vitória e revela que sentiu «alívio» quando soube que o primeiro ia para o Sporting e que o segundo, com quem já tinha trabalhado no Paços de Ferreira, estava a chegar.
«Estamos a falar de dois treinadores completamente distintos, neste caso o míster Jorge Jesus e o Rui Vitória. Um muito mais à base do grito e de uma paixão incrível. O outro à base da calma, de tranquilidade, do saber falar contigo, do saber levar-te para onde ele te quer levar ou para tirar o melhor rendimento de ti. Acho que, nesse aspeto, o Vitória, quer no Paços e depois mais à frente no Benfica, foi sem dúvida muito importante para mim. Aliás, posso partilhar: quando o míster Jorge Jesus sai para o Sporting e soube que era o míster Rui Vitória que vinha para o Benfica, foi um alívio enorme para mim, porque sabia que estava ali uma pessoa que iria, sem qualquer dúvida, apostar em mim e querer tirar o melhor de mim para eu crescer e evoluir enquanto jogador», destacou.
Por falar em Jorge Jesus, Pizzi recorda um episódio caricato. «Tivemos um jogo-treino a meio da temporada contra o Mafra e houve um livre que foi assinalado. O míster Jorge Jesus não era o árbitro, mas era o que mandava no jogo. E o Mafra faz golo nesse livre e ele disse: “Pára, pára, espera aí. Volta a repetir. A barreira estava mal posicionada”. Disse isto já depois do golo e aquilo deu uma confusão com o Mafra, com eles a quererem quase abandonar o relvado. Estávamos ali para treinar e obviamente que os jogos de treino são competitivos, mas o mais importante é tu jogares e cresceres enquanto equipa. E ele então mandou repetir o livre e da segunda vez já não foi golo. E pronto. Foi uma história bonita, entre muitas e muitas outras», recorda ainda.
