P. Ferreira-Boavista, 1-1 (crónica)

André Cruz , Estádio Municipal da Capital do Móvel, Paços de Ferreira
21 jan, 23:13
P. Ferreira-Boavista (Lusa/Manuel Fernando Araújo)

Castor encolheu e a pantera aproveitou

Em igualdade pontual na tabela, Paços de Ferreira e Boavista defrontaram-se nesta noite fria de janeiro para acertar contas. Apesar da maior superioridade ao longo de todo o encontro os axadrezados trouxeram da Mata Real apenas um ponto e não se descolaram dos pacenses. Antunes deu a vantagem aos homens da casa no primeiro tempo, mas Gorré reservou um momento de glória para o fim, ao apontar o 1-1 final.

A pantera começou a partida a querer mostrar as garras e reduzir o castor ao seu terreno defensivo. Nos primeiros minutos, a defesa pacense aterrorizou-se com o caudal ofensivo contrário e sucederam-se algumas perdas de bola em zonas proibidas, ora por más abordagens do eixo defensivo, ora pelo nervosismo de Jeimes em noite de estreia.

O Boavista foi sempre «mandão» no primeiro tempo e atacava para a baliza atrás da qual estavam os adeptos axadrezados. A pequena multidão que veio do Bessa nem queria acreditar quando, à passagem do quarto de hora, Ntep falhou o golo com a baliza totalmente à sua mercê, já depois de Musa ter driblado o guarda-redes pacense.

O Paços estava muito tímido no ataque. Lucas Silva era o elemento mais desconcertante e por isso mesmo procuravam-no na profundidade. O extremo brasileiro surgiu na cara do golo, mas foi travado por Abascal. O central axadrezado até viu o cartão vermelho, mas suspirou de alívio quando o VAR indicou posição irregular ao homem do Paços.

Apesar do pequeno susto, a pantera mostrava fome de golo. Jeimes, ao contrário das outras ações, esteve irrepreensível a travar o remate de Sauer e Musa atirou à barra na recarga, para mais um momento de desespero da bancada que equipava de preto e branco.

A fechar a primeira parte, Lucas Silva desequilibrou. Ou melhor, Hamache desequilibrou o homem pacense. Quando seguia novamente isolado para a baliza, o brasileiro foi derrubado pelo lateral e não havia outra forma de ajuizar o lance a não ser a grande penalidade. Aí, Antunes não tremeu e deu a vantagem – ainda que injusta – à turma da casa.

Na segunda parte, continuou a jogar-se a bom ritmo. O Boavista, agora a correr atrás do prejuízo, manteve a mesma atitude de «mandão», mas Petit ainda achava insuficiente. Além dos gritos de incentivo e pressão, o treinador dos axadrezados mexeu na equipa logo ao cabo de 10 minutos – saiu Ntep para entrar o regressado Gorré - e abdicou da defesa a cinco. O Boavista alinhou-se num 4-3-3 híbrido e as movimentações em zonas interiores causavam calafrios aos atarantados homens do Paços.

A turma caseira, percebendo a importância de um triunfo perante um adversário com os mesmos pontos, abdicou de lançar-se de forma intempestiva para o ataque.

A pantera continuava endiabrada, mas sem conseguir materializar o caudal ofensivo em golo. Por esta hora, Musa ainda deve estar a pensar como falhou o tento do empate em cima da linha de baliza, após um cruzamento tenso e teleguiado de Hamache.

O castor encolheu e a pantera aproveitou.

As mexidas de Petit surtiram efeito e, se o golo não surgia no processo coletivo, Gorré valeu-se da «lei da bomba» para assinalar o momento alto da noite, colocando alguma justiça no marcador.

Até ao final, os axadrezados procuraram o triunfo, mas pelo segundo jogo consecutivo ficaram a dever à falta de eficácia um melhor resultado. Já o Paços, muito apático no ataque, ficará satisfeito com o empate, que permite manter os mesmos 18 pontos do Boavista.

Tão diferentes, mas tão iguais.

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