Cambalhota da fé sobre o galo eficaz
Numa jornada ‘gorda’, com duelos que prometem entre os primeiros da tabela, a primeira amostra eleva a fasquia. Duelo minhoto em Moreira de Cónegos com o triunfo (3-2) do Moreirense sobre o Gil Vicente alcançado com uma cambalhota no marcador na reta final do encontro.
Extremamente eficaz, o Gil Vicente vencia por duas bolas a zero ao minuto 65. Mas, após o choque dos golos sofridos, os cónegos – que entraram bem no jogo – reagiram de forma enérgica, com uma enorme crença, a atirar o Gil para a terceira derrota consecutiva.
Regressa aos triunfos a equipa de César Peixoto após duas derrotas, mantendo a invencibilidade em casa. Mais esclarecido e sobretudo com mais capacidade no trato da bola, após uma fase inicial de pressão sufocante dos gilistas, o Moreirense assumiu a batuta e foi colecionando lances ofensivos, ponto o guarda-redes da equipa de Barcelos à prova por diversas vezes.
Andrew segurou o galo com um punhado de intervenções de recurso, vendo na outra extremidade do retângulo de jogo Tidjany Touré ser avesso ao domínio cónego. Num lance individual, contra a corrente do jogo, o extremo francês serpenteou sobre Dinis Pinto e rematou cruzado para o fundo das redes.
Um rasgo que colocou o Gil na frente do marcador a meio da primeira parte e, poucos minutos depois, quase dobrava a vantagem a turma de Bruno Pinheiro, pelo mesmo protagonista. Novamente pela esquerda, Touré tirou um cruzamento venenoso que cruzou a pequena área não muito longe da linha de golo.
Terá reorganizado a estratégia ao intervalo para dar uma resposta César Peixoto. Mas, levou com nova dose de pragmatismos dos gilistas num dos primeiros lances da segunda metade. Na sequência de um lançamento de linha lateral o Gil Vicente Aguirre ganhou nas alturas no meio da confusão, desviando de cabeça para golo.
Triunfo encaminhado. Pensava-se. Um rude golpe nas aspirações cónegos, com a equipa praticamente a baixar os braços, atónita com o que o jogo estava a dar. Foram cerca de vinte minutos de travessia no deserto, sem conseguir pegar no jogo, sem criar um único lance de perigo, sem conseguir reagir num estado em que ameaçou sucumbir.
O que se seguiu nos 25 minutos finais é pura poesia por parte dos cónegos. Métrica quase perfeita com todos os predicados de uma rima lá com três colos em 22 minutos a valer a conquista dos três pontos.
De bola parada Schettine esgravatou o primeiro. Foi o balão de oxigénio que faltava, o alento capaz de fazer a diferença. Acusou o golo o Gil, e de que maneira. Não conseguiu reagir e em cinco minutos levou com o empate num golo de costa a costa: cruzamento de Frimpong para o lateral do lado oposto, Dinis Pinto, finalizar de ângulo apertado, num grande golo.
Choque anímico ainda maior para o Gil. Não deixou de acreditar o Moreirense, à boleia de um empate que já não deixava de ser moralizador. Luís Asué, um dos elementos lançados por César Peixoto, desviou de cabeça para a cambalhota triunfal do Moreirense. Triunfo épico do Moreirense sobre um Gil que continua sem vencer fora.
A FIGURA: Dinis Pinto
Jogo completo do lateral do Moreirense, com interferência no desfecho do encontro. Teve a difícil tarefa de marcar um dos jogadores com melhor prestação do Gil, Touré, mas foi mantendo a capacidade para manter o seu flanco seguro e ainda deu uma mãozinha no ataque. Fez o golo do empate, numa finalização difícil, e faz o passe de calcanhar para o cruzamento do golo do triunfo.
O MOMENTO: terceiro golo do Moreirense (87’)
Instalados no ataque, os cónegos ainda tinham uma réstia de fé. Dinis Pinto trabalhou o esférico, servindo Gabrielzinho para o cruzamento para o coração da área. É Luís Asué a atacar o esférico para cabecear com convicção para o fundo das redes, dando o triunfo ao Moreirense a três minutos dos noventa.
POSITIVO: espetáculo a abirir
Excetuando os adeptos do Gil Vicente, que não terão gostado do guião, o espetáculo em Moreira de Cónegos foi digno de registo. Boas jogadas, cinco golos, grandes defesas e uma cambalhota no marcador a dar o triunfo ao Moreirense. Grande jogo a abrir a jornada.