Sporting-Famalicão, 2-0 (crónica)

Rafael Vaz , Estádio de Alvalade, Lisboa
6 fev, 22:35

Na falta de inspiração, há sempre transpiração

Na falta de inspiração, há sempre transpiração.

Esta é uma máxima que serve para tudo no desporto, e o Sporting de Ruben Amorim reflete-a como ninguém.

Não nos interpretem mal: a vitória desta noite frente ao Famalicão (2-0), em jogo da 21.ª jornada, não merece contestação. Ainda assim, os números podem contar uma história diferente do que realmente se passou.

Os leões regressaram aos jogos em Alvalade em estado de graça. A conquista recente da Taça da Liga ainda foi tema – o troféu foi exibido no relvado antes do apito inicial – e o regresso de Islam Slimani deu outro colorido à partida.

Mas a missão verde e branca era só uma: vencer para repor a diferença de apenas seis pontos para o FC Porto, que minutos antes tinha vencido em Arouca por 2-0. Isto tudo na véspera do clássico entre os dois rivais, refira-se.

Marcar cedo: objetivo cumprido

E talvez por isso o Sporting tenha tido pressa em marcar cedo, e tenha conseguido. Paulinho foi derrubado na área, Sarabia concretizou o penálti com classe. Seis minutos e os homens da casa já venciam.

Só que, lá está, hoje era daqueles dias de mais transpiração e menos inspiração.

Os leões não foram tão eficazes a impor o seu jogo, e do outro lado estava um Famalicão bem organizado e sempre pronto a ferir o adversário.

A equipa de Rui Pedro Silva cresceu no campo, foi pressionando alto e aqui e ali foi provocando calafrios à baliza verde e branca, numa primeira morna e com poucos motivos para bruás vindos da bancada.

Exceto nos descontos.

Porro derrubou Pêpê na área, André Narciso foi ao VAR e assinalou penálti. Antes, os jogadores do Sporting tinham acusado Pêpê de simulação e a confusão instalara-se no relvado.

Ânimos serenados, Banza partiu para a bola, mas esta não entrou. Porquê? Porque na baliza do Sporting mora um dos melhores guarda-redes do campeonato, Adán de seu nome.

O espanhol permitiu que o campeão nacional fosse para o intervalo em vantagem, e que história poderia ter sido se aquela bola entrasse.

Segunda parte de confirmação e gestão

Não entrou, e o resto – leia-se a segunda parte – foi de confirmação e gestão.

O Famalicão ainda tentou ameaçar nos primeiros instantes da segunda parte, mas sem grande sucesso. Nesse capítulo, refira-se, o Sporting foi bem mais perigoso, até porque o adversário abriu espaços na defesa.

O golo de Matheus Reis, aos 63 minutos, «arrumou» com o Famalicão e permitiu que Ruben Amorim começasse já a pensar no jogo com o FC Porto – sem antes se livrar de dois dissabores, já que Porro viu o quinto amarelo e vai falhar o clássico, e Pedro Gonçalves saiu com queixas físicas.

Slimani para o bruá final

O poste e Luiz Júnior evitaram o terceiro do Sporting, e novo bruá, só mesmo com a entrada de Slimani, a um quarto de hora do fim, que pôs Alvalade em alvoroço.

Não foi a vitória da inspiração, mas sim da transpiração, como tantas vezes tem sido o Sporting de Amorim. Tudo igual para o clássico da próxima sexta-feira, com o Sporting a seis pontos do FC Porto. Os dados para o Dragão estão lançados.

Relacionados

Sporting

Mais Sporting

Patrocinados