Gil Vicente-Estoril, 0-1 (crónica)

André Cruz , Estádio Cidade de Barcelos
7 out, 22:33

Estoril mete o Galo na Linha

Na abertura da nona jornada da Liga, o Estoril fez-se valer da posição mais confortável na tabela e venceu no terreno do Gil Vicente (1-0). Aproveitando a irregularidade gilista, a equipa de Nelson Veríssimo deu sequência ao bom começo de época e meteu os galos na linha.

Depois da estratégia falhada em Alvalade, Ivo Vieira – que ainda não utilizou o mesmo onze de forma consecutiva - dispensou a fórmula dos três centrais e voltou a apostar numa defesa a quatro, com Tomás Araújo a ficar no banco. Mas as alterações na defesa não se ficaram por aqui, já que Danilo deu lugar a Hackman no corredor direito – talvez para travar as acelerações dos potentes Rodrigo Martins e Tiago Gouveia. Pedro Tiba também foi chamado ao onze, para assumir o comando de operações no meio-campo, enquanto Boselli rendeu Kevin.

Nelson Veríssimo apostou na estabilidade e manteve a equipa inicial que entrou em campo no empate a uma bola com o Desportivo de Chaves.

FILME DO JOGO

Se o técnico gilista queria uma equipa a traduzir a posse de bola em golos, não foi isso que se viu esta sexta-feira. Os homens da casa tiveram mais bola e condicionaram as saídas curtas dos visitantes, mas voltaram a falhar na definição no último terço.

A resposta da equipa canarinha tinha um nome: Tiago Santos. O lateral direito parecia uma verdadeira locomotiva no corredor, num vai e vem constante. O jovem jogador já ganhou o lugar a Tomás Esteves e mostrou porquê. Aliou-se à potência de Tiago Gouveia e à velocidade de Rodrigo Martins para, perto da área gilista, causarem perigo.

Apesar de ter saído dos pés de um homem gilista (Pedro Tiba, aos 18 minutos) a melhor oportunidade da primeira parte, Ivo Vieira reconheceu que o corredor esquerdo não estava suficientemente oleado e, ao intervalo, recorreu à irreverência de Kevin Medina, em detrimento de Boselli.

O arranque do segundo tempo pareceu uma fotocópia do primeiro, mas com a equipa da casa a querer fazer valer-se desse estatuto. O Gil Vicente mostrou-se mais intenso no ataque e estancou as debilidades defensivas. Contudo, os barcelenses não arranjaram maneira de entrar na área estorilista, conseguindo apenas ameaçar Dani Figueira com remates de fora da área – por Kevin, Murilo e Vítor Carvalho.

Nesta fase, o Estoril preferiu jogar com o momento das duas equipas, mostrou que é uma equipa mais confiante e geriu o ritmo do jogo, sem se expor muito do ponto de vista defensivo, mas com os olhos a espreitarem uma janela de oportunidade no ataque. Foi precisamente esse lado matreiro que valeu os três pontos à equipa de Nelson Veríssimo.

Num primeiro momento, valeu Andrew a sair rapidíssimo da baliza e fechar o caminho para o golo a Erison. Depois, numa altura em que os nervos já falavam bem mais alto no conjunto barcelense, Tiago Gouveia apostou na velocidade pelo corredor direito e tirou o cruzamento milimétrico para a área, onde o substituto Léa Siliki apareceu para cabecear e fazer o golo decisivo do encontro.

A partida viria a terminar 19m06s (!) depois dos 90 regulamentares, já que o quarto árbitro teve de substituir um dos auxiliares, magoado numa coxa. Além disso, a tensão pairava no ar nesses instantes finais e o jogo tornou-se mais quezilento. Certamente não terá sido uma boa promoção do futebol português, perante os representantes de quase três dezenas de clubes que estavam nas bancadas - Manchester City e Ajax incluídos.

O Gil Vicente desperdiça, assim, a hipótese de apanhar o Estoril na tabela e voltou a demonstrar que esta época caminha sobre a linha da irregularidade, pela incapacidade de somar sucessivos bons resultados, apesar de aqui ou ali praticar bom futebol. Ivo Vieira, de resto, já ouviu alguns assobios no «Tribunal de Barcelos».

Já o Estoril, deixa Barcelos claramente mais satisfeito: é sétimo classificado, com 15 pontos, mais seis do que os gilistas, que podem cair para o lugar imediatamente acima da linha de água ainda nesta jornada.

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